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Idh E Qualidade De Vida

IDH e qualidade de vida
23 de março de 20130

LUIS ROQUE KLERING*

Em 13/03/2013, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)publicou o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 186 países do mundo relativo ao ano de 2012, no qual o Brasil aparece na 85ª posição, atrás de outros países da América Latina, como Chile (40ª), Argentina (45ª), Uruguai (51ª), Cuba e Panamá (59ª), México (61ª), Costa Rica (62ª) e Peru (77ª). Também aparece atrás de países menos democráticos do Oriente, bem como de outros do leste da Europa e da África, assolados por guerras há poucos anos.
O IDH é composto pela média de três subíndices, obtidos pelos indicadores (objetivos e universais): esperança de vida ao nascer, anos de estudo e renda per capita.
A questão que daí emerge é a seguinte: o IDH é capaz de medir a qualidade de vida de um país?
Dentre diferentes conceitos de qualidade de vida, pode-se tomar um bem sintético, referido por Amartya Sem, prêmio Nobel de Economia em 1998: qualidade de vida é poder (ser capaz de) usufruir uma boa vida. Um indicador, tal como ser capaz de levar uma vida longa e tranquila, constitui um objetivo (fim) de vida em si mesmo, mas outros como anos de estudo e renda per capita constituem meros meios para alcançar tal intento.
Para ser capaz de levar uma boa vida, uma pessoa deve poder realizar várias outras capacidades, além de uma vida longa e tranquila: de saúde física, de liberdade para ir e vir com confiança, de manifestação, de associação, de não humilhação, de viver em convívio com a natureza, de escolhas políticas, de direitos de propriedade, e outros.
Para viabilizar tais capacidades, um país deve garantir (prover) diferentes condições de vida de forma adequada: segurança, habitação, educação, saúde, renda e trabalho, saneamento, serviços públicos (água, luz, transportes e locomoção, telefone, internet, meios de comunicação), ambiente saudável; assim como opções de afiliação-associação e de convivência; de cultura, esportes e lazer; de crença, de profissão e expressão; de formas de vida; do respeito à vida pessoal; dentre outros.
Conforme pode ser observado, vários países melhor classificados que o Brasil no ranking do IDH publicado não garantem (nem viabilizam) minimamente algumas das condições referidas, especialmente aquelas relativas a liberdades pessoais, políticas e econômicas, de crença, de profissão e de expressão.
Conclui-se que o IDH constitui um índice que contribui para compreender de forma simplificada e limitada o nível de qualidade de vida de um país, mas está longe de ser um indicador completo e perfeito, contendo por isso acertos e erros, derivados do seu método simplificado de avaliação, que devem ser considerados na sua leitura e interpretação.

*Professor de Administração da UFRGS

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