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Ignorantes Somos Todos; Mas, Só Os Sábios Reconhecem

É
secular o entendimento de que quanto mais se aprende, mais se descobre ter o que
aprender. Na prática, no entanto, parece, este ensinamento não é assimilado
por boa parte dos humanos. Na infância, é sabido, temos o recipiente limpo,
isento de preconceitos e com um enorme e ilimitado desejo de aprender. Lembro-me
com freqüência, uma ocasião em que meu filho mais velho, Fábio Adriano, então
com 5 anos de idade, hoje com 27 anos, se dispôs a me ajudar em um trabalho que
eu fazia em casa em um final de semana. Agradeci sua oferta de ajuda,
argumentando que ele não sabia fazer o trabalho necessário. De bate pronto,
afirmou:
 – Me ensina, que eu aprendo!
Pena que para a grande maioria das pessoas, incluindo meu filho, esta máxima
por ele declarada parece perder o fôlego, logo após a adolescência, se
acentuando na medida em que a idade adulta, vai sedimentando o que cada uma
pensa saber. Raros sãos os pais que não foram solicitados a ensinar um filho a
dirigir. Uma vez habilitado legalmente, da mesma forma, raros são os pais que não
ouviram deste filho, quando corrigido ao volante: – Desencana Pai (ou mãe) !
Como você pega no pé!
Tudo bem, se este comportamento parasse por aí. O dia-a-dia ensina que não. São
professores que não tem nada a aprender com os alunos, juizes com advogados,
Chefes com os subordinados, Pais com os Filhos; irmão com irmão, colega com
colega, enfim, em quaisquer que sejam as direções de possibilidades de
aprendizado contínuo das partes, o que mais se vê, é a postura prepotente do
“Já sei tudo”. Há muitos anos enunciei uma frase que integra o texto de um
dos livros que escrevo, que utilizo até hoje na minha vida e nos cursos que
apresento: Sua inteligência é medida pelo que você faz e não pelo que você
sabe; se você só sabe, não sabe se faz; no entanto, se você faz, sabe que
sabe.
Recentemente um profissional de uma empresa cliente e onde apresento alguns
cursos, entre eles, o que trata sobre Como Falar em Público com Habilidade me
fez uma consulta sobre a possibilidade de ser realizado o mesmo treinamento, que
tem 40 horas e, também nesta empresa, com resultados , método e duração
comprovados em várias turmas já realizadas, sobre a possibilidade de realização
do mesmo em 16 horas. Diante da negativa de minha parte, argumentou o
profissional, que a pessoa que solicitou o treinamento fez questão de
justificar o pleito de carga horária menor, alegando que os participantes já
sabiam falar. Diante de argumento tão forte, imediatamente, respondi o que
talvez eles não tivessem percebido: que este treinamento só pode ser realizado
com sucesso, para pessoas que sabem falar. As que não sabem, precisam antes,
fazer outro curso. Apresento este treinamento para colegas advogados há anos,
em turmas mescladas com profissionais  de outras áreas. Me impressiono com
a surpresa dos colegas, quando constatam que pensavam saber falar com
habilidade. O que ocorre é que , para qualquer pessoa, em qualquer profissão,
o excesso de confiança prejudica tanto, ou mais, que a falta dela. Vivo dentro
de grandes empresas realizando treinamentos e prestando consultoria. Constato no
dia-a-dia, que quanto mais alto o nível hierárquico e o de instrução formal,
independentemente da idade, mais infectadas estão as pessoas quanto a certeza
de que não há muito mais a aprender. Do que ouço de colegas que militam na área
do direito, nas instituições envolvidas, a postura não difere muito das
empresas privadas. Aqui faço questão de lembrar meu mestre e mentor na área
de Comunicação Verbal e Não Verbal, professor Oswaldo Melantonio, que nos
ensinava existir uma grande diferença entre a Cultura Profissional e Cultura
Geral. Segundo o mestre, ter Cultura Profissional implica em saber muito de um
pouco. O equivalente a perceber uma única fração de um espectro, obtido por
meio de um prisma. Chamo esta cultura de linear ou em uma linguagem mais didática,
cultura “poço artesiano”; muito profunda, mas em uma única vertente do
conhecimento humano. Ter cultura geral no entanto, implica em conhecer pouco do
muito. Desta vez, mais do que perceber múltiplas frações do espectro,
figurativamente falando, é como se o observador desse às multipossibilidades
do conhecimento Humano, a forma de uma esfera e, se posicionando no centro
desta, buscasse conhecer o máximo possível de frações do conhecimento, dos
incontáveis espectros de cada prisma observado. É o que chamo didaticamente de
abordagem esférica multidirecional, onde se busca o saber, do centro para as
bordas. Para os vivos, é praticamente impossível, não ter o que melhorar.
Lembre-se leitor : o que está ruim pode ser recuperado, no entanto, o que já
está bom, pode e deve ser cada vez mais, melhorado. 


Autor
Edson Pereira da Silva

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