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Indicadores de RH: índice relativo de acidentes, coeficiente de frequência e de gravidade

Por Olga Freitas – Estrategista em Recursos Humanos, Palestrante e Master Coach

Os indicadores possibilitam avaliar e diagnosticar situações onde existem oportunidades de melhoria na forma de realização das atividades laborais com maior produtividade, qualidade, economia de tempo e menor cansaço físico e mental. Isso representa Saúde, Segurança e Qualidade de vida no trabalho.

Os profissionais de Recursos Humanos possuíam até pouco tempo duas classificações:

Nova call to action

• Especialistas: que possuíam profundos conhecimentos em uma área específica ou

• Generalistas: que possuíam conhecimentos superficiais sobre diversas áreas.

Essa divisão já não é possível nos dias de hoje. Os profissionais precisam se destacar no mercado, adequando-se às novas exigências, e demonstrando-se essenciais para a organização por assumirem um perfil “Especialista Generalista”, com conhecimentos e participação ativa em todas as áreas relacionadas à estratégia empresarial.

Prova disso é a necessidade de estar totalmente envolvido com o Serviço de Saúde, Segurança e Medicina do Trabalho, porque quaisquer acontecimentos envolvendo pessoas, estarão diretamente relacionado aos Recursos Humanos e exerce força e influência nos processos de trabalho (contratações de substituição, controle de afastamentos, capacidade produtiva geral) com interferência nos Indicadores de headcount, turnover, treinamento e absenteísmo.

O National Safet Conscil (Conselho Nacional de Segurança) define acidente do trabalho como uma ocorrência numa série de fatos que, sem intenção, produz lesão corporal, morte ou dano material.

Os acidentes podem ser classificados como:

1) Acidentes sem afastamento: quando o trabalhador continua exercendo suas atividades e sem qualquer sequela ou prejuízo considerável. Exemplo: Escoriação. Este tipo de acidente não é considerado para os cálculos dos coeficientes de frequência ou gravidade, mas devem ser investigados e anotados, além de exposto nas estatísticas mensais.

2) Acidentes com afastamento: quando o trabalhador fica impedido de exercer suas atividades após o acidente e pode ser classificado como:

a) Incapacidade temporária: quando há a perda temporária da capacidade para o trabalho e cujas sequelas se prolongam por um período menor do que um ano.

b) Incapacidade parcial permanente: quando o acidente ocasiona a redução parcial e permanente para o trabalho e cujas sequelas se prolongam por um período maior que um ano.

c) Incapacidade permanente: quando o acidente ocasiona a perda total da capacidade de trabalho de forma definitiva, ou seja, não há expectativa do colaborador voltar à atividade laboral.

d) Morte: quando o acidente encerra o período de vida do trabalhador.

A VI Conferência Internacional de Estatísticas do Trabalho estabeleceu em 1947 dois coeficientes para medir, controlar e avaliar os acidentes no trabalho, são eles: Coeficiente de Frequência e Coeficiente de Gravidade. Ambos utilizados em todos os países, permitindo comparações internacionais, além de comparações entre organizações de diversos ramos de atividade, independente do seu tamanho ou quantidade de empregados.

O Coeficiente de Frequência, com base nas ocorrências, mede a estimativa do número de acidentes com afastamento que os empregados podem sofrer nas próximas 1.000.000 de horas produtivas, Ceteris Paribus (mantidas inalteradas as condições laborais).

Fórmula:

CF (Coeficiente de Frequência) = (Nº de acidentes com afastamento x 1.000.000)/ Nº de homens_hora trabalhada

OBS: Atestados por motivo de doença, maternidade ou trajeto não são considerados para o cálculo. São considerados somente os acidentes com afastamento ocorridos durante a realização do trabalho, porque são estes os acidentes que podem ser avaliados e é onde o empregador possui autorização para programar medidas de prevenção, como: instalação de barreiras de contenção, sinais luminosos, sistemas de circulação de pedestres, instalação de placas educativas ou indicativas, etc.

O Coeficiente de Gravidade, com base nas ocorrências da gravidade dos acidentes, mede a estimativa da quantidade de dias improdutivos que a empresa pode ter nas próximas 1.000.000 de horas de trabalho, Ceteris Paribus (mantidas inalteradas as condições laborais).

Forma de cálculo: a contagem de dias perdidos é feita de forma corrente (incluindo sábados, fomingos e feriados) e inicia-se no dia seguinte ao afastamento e encerra-se no dia da alta médica, inclusive.

Fórmula:

CG (Coeficiente de Gravidade) = (Dias perdidos + Dias computados e debitados x 1.000.000) / Nº de homens_hora trabalhada

Os dias computados e debitados ocorrem por ocasião de lesões de acordo com o tipo de incapacidade: Parcial permanente, permanente ou morte, conforme vimos no início.

Para realização da conversão dos dias, deve-se observar a tabela contida na página 09 da NBR 14.280, no quadro 1 – Dias a debitar.

Para uma análise geral sobre a efetividade do Plano de Prevenção de Acidentes, pode-se utilizar a fórmula:

IRA (Índice Relativo de Acidentes) = Nº de acidentes no mês / Nº de empregados ativos no mês

Índice Relativo de Acidentes, Coeficiente de Frequência ou Coeficiente de Gravidade altos, merecem uma atenção totalmente especial.

Embora o volume aceitável pelo National Safet Concil seja de 23 acidentes por ano, temos a convicção de que o ideal é não haver nenhum tipo de acidente do trabalho.E a prevenção pode ser feita com medidas simples como:

Eliminar as condições inseguras de trabalho com mapeamento das áreas de risco e instalação de barreiras de contenção, sinais luminosos, sinais sonoros, sistemas de iluminação, sistemas de refrigeração, sistemas de ventilação, sistemas de circulação de pedestres, instalação de placas educativas ou indicativas, pavimentação, obras ou reformas, etc.

Treinamentos para orientação sobre os riscos, utilização de equipamentos de proteção individual e coletiva, conscientização da importância dos comportamentos seguros e áreas de risco.

Comunicação interna de alertas de segurança, divulgação das melhores práticas e feedback explicito como forma de recompensa positiva.

Na NBR 14.280 há ainda outros conceitos, instruções detalhadas de cálculos, quadros que podem ser utilizados como formulários ou até mesmo adaptados conforme necessidade da empresa para investigação e análise dos acidentes.

Estes formulários, que podem e devem ser utilizados para compor o “Relatório Mensal de Segurança” e o “Plano de Ação Imediato” podem até mesmo servir como provas documentais e periciais em favor da empresa em casos de processos trabalhistas com pedidos infundados futuramente.

A junção do RH com a Segurança do Trabalho sempre produzem resultados estratégicos e evidenciam o grau de profissionalismo dos envolvidos na solução de problemas para a empresa, principalmente se estas soluções envolvem redução de custos.

Pense nisso!

Olga Freitas atua como Consultora de Recursos Humanos, Master Coach, Trainer e Palestrante do Instituto Seven-IN Business Coaching.

www.isbcoaching.com.br

Os vídeos da série, Indicadores de RH já estão disponíveis, basta solicitá-los gratuitamente: isbcoaching.treinamento@gmail.com.br

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