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Inteligência Emocional: Diferencial competitivo no mercado corporativo das empresas privadas brasileiras

A sociedade moderna nos exige que sejamos cada vez mais conectados e atualizados nos aparatos tecnológicos que a cada dia surge no mercado, seja um aparelho mais evoluído, seja com aplicativos que nos proporciona maior comodidade, lazer, nos faz economizar tempo, ou ainda com diversas informações que saem em tempo real, desafiando a cada dia os seres humanos a testarem suas habilidades técnicas e comportamentais para lidar com tanta mudança.

Nesse contexto a IE (Inteligência Emocional) entra com o desafio, do estudo complexo do EU, a gestão desse conhecimento, a percepção do outro, e a gestão desse relacionamento, com pouco espaço nos dias atuais uma vez que o ser humano além de concorrer entre si, também concorre com as máquinas e toda tecnologia que a acompanha.

Etimologicamente, a palavra “inteligência” se originou a partir do latim intelligentia, oriundo de intelligere, em que o prefixo inter significa “entre”, e legere quer dizer “escolha”. Assim sendo, o significado original deste termo faz referência a capacidade de escolha de um indivíduo entre as várias possibilidades ou opções que lhe são apresentadas. (SIGNIFICADOS, 2016)

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Ser inteligente, é ter discernimento em escolher de forma mais racional, medindo todas as possibilidades. Por muitas vezes em nossa vida, agimos de forma estupida ou pelo impulso da situação que nos é apresentada, sem racionalizar o que seria mais assertivo. A mesma coisa acontece quando precisamos tomar decisões, nos deparamos diante de várias possibilidades e escolhas, e que nem sempre ponderamos para decidi-la, mas uma vez que optarmos em fazer, estaremos agindo de forma racional e inteligente.

“A própria raiz da palavra emoção é do latim movere – “mover”- acrescida do prefixo “e-“, que denota “afastar-se”, o que indica que em qualquer emoção está implícita uma propensão para um agir imediato”. (GOLEMAN, 2012, pág. 32)

No contexto em que vivemos, esse agir imediato, pode ser percebido em diversos tipos de situações, como por exemplo: pais gritando com filhos, pessoas perdendo o controle em filas de supermercados, no transito, em bares, jogos, etc. Tais situações também são vividas dentro do ambiente de trabalho, onde os ânimos ficam exaltados, a ansiedade toma conta, o estresse ganha vez, e podemos assistir a um grande números de profissionais que são excelentes tecnicamente falando, entretanto são comumente demitidos pelos comportamentos.

Segundo Goleman (2012, pag. 278), “ser emocionalmente alfabetizado é tão importante na aprendizagem quanto a matemática e a leitura”. Precisamos entender que da mesma forma, que as demais disciplinas que aprendemos na escola, são importantes para o desenvolvimento do nosso QI, ser emocionalmente alfabetizado, nos tornariam seres humanos mais inteligentes emocionalmente.

Se ser alfabetizado significa saber ler e escrever, se todos fossem alfabetizados emocionalmente, pelo menos saberiam sentir as emoções e agir mais conscientemente.
Daniel Goleman foi um dos precursores da inteligência emocional no mundo, em 1990, ao se deparar com um artigo escrito pelos psicólogos John Mayer e Peter Salovey, que tratava sobre o tema, se interessou e iniciou suas pesquisas. Se hoje o tema vem ganhando espaço no mundo, um dos responsáveis foi o Daniel que dedicou muitos anos de estudos científicos e acadêmicos para entender um pouco mais sobre a inteligência emocional e trazer essa realidade para os dias atuais.
Através dos estudos realizados por ele, podemos perceber como o ser humano possui capacidades antes nunca compreendidas. “Está capacidade de “adiar a satisfação, ser socialmente responsável de forma apropriada, manter controle sobre as emoções e ter uma perspectiva otimista” – em outras palavras, inteligência emocional” (GOLEMAN, 2012 pág. 290). Podemos dizer que as pessoas que possuem inteligência emocional, tem uma maior percepção de si, de como agir, do outro e como agir com o outro.

A inteligência emocional é nossa capacidade de reconhecer e entender as emoções em nós mesmos e nos outros e de usar essa conscientização para gerenciar os nossos comportamentos e relacionamentos (BRADBERRY e GREAVES, 2016 pág. 17). Em outras palavras, ser inteligente emocionalmente, permite ao ser humano um conhecimento profundo do EU, quando nos conhecemos melhor podemos lidar melhor com as situações do dia-a-dia. Uma palavra para definir “o conjunto de aptidões que a inteligência emocional representa: caráter” (GOLEMAN, 2012 pág. 299). Amitai Etzioni apud Goleman (2012, pág. 300) “caráter é o músculo psicológico necessário para a conduta moral”. O conhecimento do EU, nos permite conhecer a si mesmo, sem mascaras ou camadas, vai na essência do ser, no núcleo mais profundo. A descoberta desse núcleo nem sempre é uma experiência considerada boa, mas pode ser gratificante e transformadora. Por muitas vezes temos medo de nos conhecer por não sabermos o que iremos encontrar.

No aspecto mais científico, “ao falarmos de inteligência emocional, estamos falando da nossa capacidade de proporcionar “a comunicação entre o nosso “cérebro” emocional e o racional”, tão comunicação só é possível quando nos apropriamos desse conhecimento. (BRADBERRY e GREAVES, 2016 pág. 6) Nem sempre percebemos a velocidade com que recebemos uma informação e reagimos a ela, tal percepção na maioria das vezes não é sentida, pois estamos falando do nosso cérebro, que possui “n” neurônios responsáveis por essa transmissão.

A trajetória física da inteligência emocional começa no cérebro, na medula espinhal. Os sentimentos primários entram por aí e devem viajar até a parte frontal do nosso cérebro antes de podermos pensar racionalmente sobre a nossa experiência. Mas primeiro elas passam pelo sistema límbico, onde as emoções são sentidas (BRADBERRY e GREAVES, 2016 pág. 7). O corpo humano quando percebido em sua essência, nos apresenta todas as ferramentas para lidar com nós mesmos, todas os sistemas existentes conversam entre si e se bem utilizados podem nos proporcionar as melhores experiências. O sistema límbico existente em nosso cérebro é responsável por receptar todas as informações iniciais relacionadas principalmente a nossos comportamentos emocionais e sexuais, memória, motivação, aprendizagem e etc.

O sistema límbico está dividido em diversos componentes, tais como: hipotálamo, amigdala, hipocampo, tálamo, septo dentre outros. Sendo o hipotálamo a parte mais importante, por atuar diretamente no comportamento percebido no meio, e por manter a comunicação com todos os demais níveis do sistema.
Percebemos que para entender mais sobre nossas emoções, comportamento e inteligência, precisamos não só apenas conhecer melhor o EU racional e emocional, mas sim aprofundar no conhecimento do funcionamento do corpo humano, mais precisamente o cérebro humano e seus sistemas.

Segundo Weisinger (2001, pag. 14), “inteligência emocional é simplesmente o uso das emoções – isto é, fazer intencionalmente com que as suas emoções trabalhem a seu favor, usando-as como uma ajuda para ditar seu comportamento e seu raciocínio de maneira a aperfeiçoar seus resultados”.
Quando falamos de inteligência emocional, estamos falando de como podemos agir de forma mais inteligente, sendo essa inteligência ligada diretamente a nossa percepção de escolha, no aspecto das nossas emoções.

Uma vez que nos permitimos conhecer a si mesmo, ou como agimos nas diversas situações da nossa vida, estamos nos permitindo sermos um pouco inteligentes emocionalmente. Visto que nossos comportamentos estão ligados diretamente as nossas emoções e essas aos nossos pensamentos.
Conhecer as emoções também faz parte desse estudo, pois são através delas que sentimos e aceleramos nossos pensamentos a atuarem na maneira que nos comportamos no nosso meio social, seja em casa, no trabalho, com os amigos, familiares e etc. Esses comportamentos uma vez percebidos pelo meio, nos retrata quem somos para os outros, e que nem sempre nos reconhecemos neles.

O comportamento humano através do estudo da inteligência emocional nos apresenta como o comportamento pode ser modificado, uma vez que percebido, trabalhado, podendo se tornar um habito.

A mudança dos comportamentos, é um dos principais objetivos ao estudar o tema, uma vez que qualquer mudança gera desconforto, mas que algumas vezes se fazem necessárias, principalmente nos dias atuais nas diversas mudanças de eras que vivemos, quem se utiliza dessa ferramenta poderosa, com certeza sairá na frente em todos os aspectos da vida, sendo visto como um indivíduo diferenciado no meio onde todos se comportam de forma igual, e acreditam que podem fazer a diferença.

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Por: Leyla Ferreira

Coach e Especialista em Gestão de Pessoas. Mais de 5 anos de experiência em RH Generalista, atuação em gestão estratégica de pessoas, ministrante de workshop e palestra que envolve os temas de RH, DP e liderança. Movida a desafios e aprendizado. Atua como Coordenadora de RH da Empresa Liferay. Ampla vivência com os subsistemas do RH, estruturação de planejamentos e diretrizes visando aperfeiçoar o desempenho das pessoas. Conhecimento da legislação trabalhista, gestão, acompanhamento e direcionamento das ações estratégicas e indicadores da área buscando maximizar resultados das organizações.

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