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Jornada de trabalho não linear: Confira essa nova tendência das empresas

Tendência no universo do trabalho, a jornada de trabalho não linear é aquela em que o profissional é livre para determinar quando vai cumprir sua jornada diária de trabalho, mantendo um equilíbrio maior com a vida pessoal. Entenda como funciona!

jornada de trabalho não linear

Flexibilidade. Notou como este se tornou um tópico comum no universo do profissional? Contratantes querem profissionais adaptáveis e uma parcela considerável dos profissionais querem uma jornada de trabalho não linear.

A adaptabilidade por parte dos trabalhadores diz respeito à sua capacidade de lidar com contextos diversos e adversos. Por sua vez, a flexibilidade de jornada tem a ver com a quebra no padrão da jornada, e este é nosso foco aqui.

A adoção de uma jornada de trabalho não linear depende de quem emprega e demanda atenção de quem faz a gestão dos profissionais, ou seja, lideranças e DP. A expectativa é positiva e envolve ganho de produtividade. Saiba mais!

O que é jornada de trabalho não linear?

Como indicamos, uma jornada de trabalho não linear é aquela que flexibiliza o período de cumprimento da jornada, permitindo que cada profissional escolha os melhores horários para trabalhar.

Essa tendência também é conhecida como trabalho assíncrono, ou seja, que não acontece ao mesmo tempo. Assim, é possível que os profissionais de uma mesma equipe estejam ativos em momentos diferentes ao longo do dia.

Entenda que a jornada padrão tem 8 horas de duração que são cumpridas em sequência, com uma pausa para alimentação e descanso. Com isso, todas as pessoas de uma equipe tendem a atuar no mesmo momento.

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Na jornada não linear, isso muda. Cada profissional escolhe quando começa, quando pausa, quantas pausas faz e quando retoma o trabalho. O importante é cumprir as 8 horas diárias, respeitando os limites legais já estabelecidos de, no máximo, 44 horas semanais e 2 horas extras por dia.

Por isso, pode até ser que em parte do dia os horários escolhidos por cada membro de uma equipe coincidam, mas não é necessário que seja assim. Ao menos, não sempre.

É por essa razão que a jornada de trabalho não linear exige uma gestão preparada para lidar com essa flexibilidade e profissionais com capacidade de autogestão. Algo que depende da cultura organizacional, do modelo de liderança e do uso de tecnologias que possibilitem que o trabalho assíncrono funcione bem.

A CLT prevê a jornada de trabalho não linear?

A CLT não versa diretamente sobre a jornada de trabalho não linear, mas não apresenta impeditivos legais para que essa flexibilização aconteça.

Então, a empresa que decide adotar esse tipo de jornada está amparada pela lei desde que respeite os direitos dos trabalhadores.

Como destacamos, é necessário atenção ao limite de horas extras estabelecido pela CLT. Assim, a empresa deve orientar aos colaboradores que não é possível cumprir jornada dupla em um dia, mesmo que a intenção seja tirar o dia seguinte de folga, por exemplo.

Além disso, caso a organização não queira pagar adicional noturno, deve definir em contrato que a jornada não linear deve ser cumprida até, no máximo, às 22 horas de cada dia.

E, seguindo essa mesma lógica, caso a empresa demande a realização de parte da jornada no período entre 22 horas e 05 horas por ser algo que faça sentido para a atividade desempenhada, é obrigada a pagar o adicional noturno.

Quais os benefícios da jornada de trabalho não linear para as empresas

É importante ter em mente que essa flexibilização dos horários é comumente atrelada ao trabalho remoto ou a um modelo de trabalho híbrido. Assim, os principais benefícios da jornada de trabalho não linear são:

  • Melhores chances de atrair e reter talentos;
  • Ganho de produtividade;
  • Quadro de funcionários mais forte;
  • Fortalecimento da marca empregadora.

A produtividade tende a ser o ponto de maior interesse para as empresas e, por isso, trataremos dela em um tópico específico adiante. Antes, vamos comentar melhor os outros benefícios listados.

Considere que uma pesquisa conduzida pela renomada consultoria McKinsey, em 2022, indicou que 40% dos profissionais consideram a flexibilidade de trabalho como um dos principais motivadores para permanecer ou não em um emprego.

Essa flexibilidade existe em relação ao local em que a rotina de trabalho deve ser cumprida e também em relação aos horários, o que nos leva à jornada de trabalho não linear.

Além de atrair e reter bons profissionais, a flexibilidade permite que a organização contrate talentos de qualquer lugar do país ou do mundo para atuar remotamente e em horários compatíveis com suas rotinas.

Com isso, ainda fortalece seu employer branding, melhorando sua percepção de marca perante o mercado, potenciais parceiros e investidores também. 

E para o funcionário?

Para quem trabalha, a jornada não linear tem o benefício principal de mais equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Algo que está atrelado à liberdade, ao ganho de autonomia e que, consequentemente, aumenta os níveis de satisfação.

Entenda que o trabalho assíncrono permite que os colaboradores se dividam melhor entre a realização de tarefas domésticas e profissionais, sem que uma esfera da vida afete a outra negativamente.

Além disso, a jornada de trabalho não linear favorece a inclusão de momentos e atividades prazerosas e saudáveis na rotina. Por exemplo, fica mais fácil almoçar com um ente querido ou realizar atividades físicas regularmente.

Com isso, os colaboradores tendem a ganhar em qualidade de vida e serem mais produtivos no trabalho, o que melhora seu desempenho e contribui para a conquista de metas pessoais de carreira.

Ainda, embora a jornada de trabalho não linear seja mais comum no trabalho remoto, é interessante ressaltar que também há benefícios para quem atua de forma presencial.

Basta pensar nos que acabam fazendo hora extra só para escapar dos horários de pico no trânsito, por exemplo.

O destaque vai sempre para o equilíbrio

Ainda considerando os benefícios, é importante destacar que as lideranças, o DP e os gestores precisam conhecer o perfil de cada profissional e das equipes para adotar uma jornada não linear.

De modo geral, a flexibilidade tende a ser positiva, mas pode ser necessário dar algum tipo de suporte para profissionais que precisem aprimorar sua capacidade de autogestão.

Também é aconselhável que alguns períodos da jornada aconteçam de forma síncrona, como em uma reunião semanal.

Isso favorece a eficiência de trocas importantes entre os membros de uma equipe, a conexão interpessoal e ajuda a fortalecer a cultura organizacional.

Como a jornada de trabalho não linear impacta a produtividade?

A jornada não linear mantém ou até melhora a produtividade porque a autogestão permite que cada profissional divida sua jornada de uma maneira mais adequada ao seu fluxo natural de trabalho.

Considere que há pessoas que são mais produtivas pela manhã e outras pela tarde, por exemplo.

A flexibilidade possibilita que essas pessoas definam quando faz mais sentido sentar à frente do computador para cumprir determinada tarefa com qualidade.

Em momentos de baixa produtividade, além de inserirem hábitos saudáveis na rotina pessoal, os trabalhadores também podem optar por cumprir demandas administrativas ou outras que lhes exijam menos.

Para uma pessoa, ter controle de como usar o próprio tempo tende a favorecer sua dedicação a usá-lo da melhor forma possível. Ou seja, aumentar o foco no trabalho quando estiver trabalhando.

A mensuração da produtividade no trabalho assíncrono

Mas, falar é fácil, certo? Todo DP e todo gestor quer saber, na prática, como confirmar se a manutenção ou o ganho de produtividade realmente ocorre como consequência desse novo formato de jornada de trabalho.

Aliás, ainda é comum a preocupação em saber se o colaborador está, de fato, dedicando 8 horas do seu dia para a empresa e se está sendo capaz de render atuando de forma assíncrona.

Essa avaliação pode partir do uso de uma solução de controle de ponto digital, com marcações sendo realizadas via aplicativo, de qualquer lugar e até mesmo offline.

Com isso, mesmo na jornada de trabalho não linear, os profissionais conseguem registrar o início, cada pausa e retorno, e o fim da jornada diária de trabalho. Informações que os gestores podem usar para contrastar com o fluxo de entregas, resultados e outros indicadores de produtividade.

Qual o futuro da jornada de trabalho?

O futuro da jornada do trabalho passa pela formalização de práticas flexíveis e por um foco maior nas entregas e resultados em detrimento ao tempo decorrido.

Tenha em mente que a tecnologia já conta com inúmeras soluções que permitem que trocas e interações ocorram de forma assíncrona.

Usamos isso diariamente na vida pessoal com aplicativos como o WhatsApp, e podemos contar com várias ferramentas adequadas para as demandas profissionais.

Sendo assim, com apoio de softwares de troca de mensagens, gestão de processos e projetos, gestão de pessoas e outros, o futuro da jornada de trabalho é cada vez mais não linear.

Falamos de uma mudança que se ancora na compreensão de que faz mais sentido criar um contexto de trabalho que contribua para que as pessoas sejam mais produtivas, criativas e eficientes.

Algo diferente de simplesmente estabelecer horários fixos e esperar que o trabalho seja feito sempre com o máximo de entrega e qualidade dia após dia, e que expande as noções de cuidado com o bem-estar profissional.

Para que tudo isso aconteça, a gestão também precisa se adaptar. O DP precisa das ferramentas certas para acompanhar cada jornada, extrair métricas e usá-las de modo a contribuir para que os benefícios possíveis se concretizem, de fato.

Assim, desde já, um software completo para o DP pode entrar no radar do setor e da organização para que a tecnologia seja usada para além do controle de ponto. As rotinas do DP também se tornarão assíncronas ― aliás, já é possível fazer isso ainda que a organização ainda não tenha mudado seu modelo de jornada.

Fazer a mudança seguindo esse fluxo, primeiro o DP e depois os colaboradores, é algo que tende aumentar as chances de sucesso na adoção de uma jornada de trabalho não linear, simplificando o processo para todos os envolvidos.

Quanto a isso, cabe lembrar que por mais interessante que a flexibilização seja, deve ser bem pensada, planejada e acordada com os trabalhadores, considerando inclusive as diretrizes de Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho.

A jornada não linear já existia, sobretudo para profissionais autônomos, mas desde 2020, teve um caminho pavimentado para se tornar uma tendência dentro do universo corporativo. Logo, pode fazer parte da realidade da sua empresa.

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Leonardo é pós-graduado em Ciências da Computação pela PUC Minas e formou-se em Inovação e Empreendedorismo pela Universidade de Stanford. Ao longo de sua trajetória, fundou várias empresas de tecnologia e gestão. Diretor de Novos Negócios na Sólides, ele lidera a frente de DP, Benefícios Corporativos e demais iniciativas de expansão.
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