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La Casa de Papel: 10 importantes aprendizados com a série

Já não é segredo que a Netflix tem investido pesado em séries que tem se tornado “as queridinhas” no mundo inteiro e uma de suas produções mais recentes é a 3ª temporada de La Casa de Papel, produzida desde a primeira temporada por Álex Pina.

Não é a toa que a trama tem ganhado nossos corações, além do enredo cheio de ação, histórias de desencontros amorosos e dramas particulares, ela nos dá uma belíssima aula sobre foco, capacitação de equipes de alta performance e planejamento estratégico. Dessa forma resolvi te mostrar 10 dicas sobre como aprender com essa série e desenvolver um trabalho fantástico com gestão de equipes, melhorando portanto, a performance do seu time.

O propósito é errado, mas o planejamento é top. Claro que o propósito que motiva todos os envolvidos não é um dos mais nobres, o plano tem como objetivo roubar a Casa da Moeda da Espanha (1ª e 2ª temporada) e o Banco da Espanha (3ª temporada). Através de um planejamento muito bem estruturado, os episódios são viciantes e de quebra você ainda consegue tirar várias lições sobre o que um bom planejamento pode fazer.

Tudo isso foi idealizado por um líder e executado em conjunto com outros 8 assaltantes. La Casa de Papel é repleta de reviravoltas e inteligências em que os oito ladrões, liderados pelo “professor”, invadem as instituições e executam ideias mirabolantes, mas muito bem desenhadas e meticulosamente pensadas em casos de falhas ou imprevistos, e olha que assim como a vida, acontecem vários.

10 dicas para melhorar a gestão do time

Depois de assistir La Casa de Papel, você passa e enxergar pontos muito claros em todo o planejamento e que são bastante evidentes. Elenquei alguns para você:

1. Formar equipes com o perfil correto

Na primeira temporada, a série mostra como foi feita a seleção dos assaltantes. Todo o processo seletivo foi feito em cima das habilidades que cada um precisa ter e a quantidade de pessoas no time foi definido por meio de um planejado estratégico.

Se pararmos para pensar, essa atividade nas organizações é tão importante quanto executar o planejamento. O líder do grupo, o qual todos chamam de professor – porque ele é professor também – recrutou 8 pessoas com habilidades diferentes. Todos eram fichados ou tinham antecedentes criminais, o que reforça o propósito e os valores das pessoas com o projeto que ele tinha, afinal ele não chamaria pessoas idôneas ou agentes federais não é mesmo?

Já pensou o desastre que seria reunir pessoas com propósito e valores diferentes dos que o professor tinha? Certamente todo o plano daria errado desde o começo e isso vale para as empresas também.

2. Time com habilidades heterogêneas

Sabe quando queremos ter na equipe todo mundo com o mesmo padrão e a mesma habilidade? Posso dizer que não é nada bom e isso piora quando queremos que os nossos liderados sejam parecidos conosco, gestores.

Afinal de contas, selecionar pessoas com as mesmas características acaba não sendo necessário personalizar o desenvolvimento e acompanhamento de cada um, fica muito mais fácil. Mas não foi isso que o professor da série La Casa de Papel fez, a equipe de 8 pessoas que ele escolheu era formada por pessoas de diferentes tipos, as principais habilidades foram:

  • força bruta;
  • liderança;
  • conhecimento específico de informática;
  • conhecimento em armas;
  • conhecimento em escavação;
  • capacidade de persuasão;
  • versatilidade.

Se formos analisar essas habilidades para a estratégia que o líder tinha, ele escolheu tudo o que precisava para fazer com que o plano desse certo.

3. Propósito bem definido

Não basta só achar que tem um propósito, eu já tenho falado sobre isso aqui e volto com a mesma reflexão: não basta só ter um propósito, ele precisa ser muito claro, corroborar com a estratégia da organização e fazer parte de todas as áreas da empresa, desde o recrutamento e seleção até o momento do desligamento do colaborador.

Em La Casa de Papel, quando o líder do grupo deu início ao recrutamento, ele foi bastante persuasivo em vender a ideia de que o assalto seria algo como divisor de águas na vida de cada um e que se executado com exatidão, seria o último roubo de suas vidas conseguindo o que tanto queriam.

O personagem do “professor” é o rei da persuasão, conseguiu defender a “ética” de que eles produziriam o dinheiro que iriam roubar, dessa forma não estariam roubando ninguém. Como líder precisamos saber vender bem o projeto, a estratégia e o sentido para se fazer as coisas.

A gente sabe que não dá para encontrar uma gotinha de ética nesta situação, mas perceba a genialidade desse líder, ele consegue mostrar a importância de uma ação e envolver as pessoas em um único propósito. Podemos capturar desse momento que o líder conseguiu:

  • definir bem o propósito com base na estratégia;
  • envolver as pessoas certas;
  • fazer com que o time se identificasse com o propósito;
  • incluir nas relações, princípios e valores que sustentam a estratégia.

4. Investir tempo em Capacitação

Sabe qual o maior motivo de turnover alto para o Onboarding? Falta de capacitação logo após a seleção. Em alguns casos a pessoa precisa “se virar” praticamente sozinho para aprender o core do negócio. Em La Casa de Papel, você notou qual a primeira coisa que o professor fez logo após recrutar e selecionar as pessoas certas? Se você já assistiu, vai dizer de cara que foi o treinamento de todos do grupo.

O professor passa mais de um episódio mostrando tudo, a estrutura do banco, o processo das máquinas que imprimem as cédulas, a parte que envolve a segurança e funcionamento da casa. Além disso, ele mostra as possibilidades de erro em cada etapa e como eles poderiam agir em cada situação. Podemos aprender com esse episódio que nós gestores precisamos sempre:

  • estudar e entender cada projeto, pois muitas vezes gastamos muito tempo na execução e pouco no planejamento;
  • definir as regras desde o início;
  • desenvolver gaps de skills (lacunas de habilidades) no grupo, na série podemos ver os integrantes tendo aulas de tiro, por exemplo;
  • fazer treinamentos comportamentais para que saibam lidar com outras pessoas, na série por exemplo, lidar com os reféns;
  • fazer treinamentos para lidar com quem planejaria impedi-los, na série foi a polícia;
  • dividir responsabilidades focando sempre no que cada um é bom, no que já tem de experiência.

5. Delegar tarefas e estabelecer metas individuais

Cada integrante do grupo tinha uma função específica e bem definida no assalto, procedimentos bem estabelecidos, e objetivos a serem atingidos. Na série, até os reféns possuíam funções e tarefas definidas na execução do plano.

O que podemos aproveitar dessa lição? Que enquanto os líderes estiverem centralizando demandas por nunca delegar a sua equipe, não estiver olhando para as competências desenvolvidas que cada um tem e estabelecer metas factíveis, sua equipe nunca será de alta performance.

Olhando para série podemos aproveitar alguns exemplos a serem aplicados no mundo corporativos, tais como:

  • definição de metas e funções;
  • escalas de trabalho bem definidas;
  • construção de procedimento para nortear as ações;
  • constituir um líder direto para equipe, e;
  • metas claras.

6. Fazer análise de riscos

O professor se antecipava na previsão de possíveis situações que poderiam acontecer e atrapalhar o plano deles. O planejamento que foi realizado trazia com detalhes até as reações e comportamentos que cada um – reféns e policiais – poderiam ter durante o assalto, além de avaliar e levantar insumos e recursos necessários para ação e como agir se as coisas fugissem do controle.

Umas das sugestões que podem ser tomadas antes de cada projeto ou demanda, é investir tempo no planejamento. Uma dica bem legal é começar com reuniões de acompanhamento e levantamento de tudo o que será necessário e utilizar um sistema para gerenciamento de projetos.

7. Estudar a sua concorrência

É possível perceber que em La Casa de Papel, a ação para o assalto foi meticulosamente bem planejada, no caso do assalto, os “adversários” do grupo seriam os policiais, daí o grupo montou uma estratégia para estudar e conhecer a maior parte das pessoas que estariam envolvidas. Eles sabiam quem eram cada um dos reféns e funcionários e assim puderam avaliar se era possível que eles ajudassem a concluir o plano do assalto.

Não estou falando de espionagem, mas é preciso conhecer as pessoas com quem nos relacionamos, gestores de áreas que você vai se envolver, o mercado que você atua, fornecedores e também concorrentes.

8. Líderes também precisam operacionalizar

Em vários momentos, temos aula de liderança com a postura do professor, desde o primeiro momento no planejamento do assalto até seleção das pessoas, desenvolvimento das habilidades, delegação de tarefas, desenvolvimento de outras lideranças e até sumir com provas da cena do crime.

Em cada episódio de La Casa de Papel, percebemos lideres secundários demonstrando várias habilidades de líder, com resiliência, foco, propiciando motivação ao grupo e persuasão para convencer reféns. Mas o que podemos ver algumas vezes, são líderes que já se acomodaram em seus status de gestores e já não se envolvem mais com a execução e operacionalização que ele fazia há tempos atrás.

Na série, o professor nos dá esse exemplo de definir a estratégia e liderar o seu time, ele também participa ativamente na execução do plano para que tudo dê certo.

Quando o professor se envolve com a Raquel, a oficial de polícia que está a frente do caso, podemos ver que ele assume vários riscos e muitas vezes tem que tomar decisões difíceis durante a operacionalização da tarefa.

O líder que desenvolve equipes de alta performance não teme os riscos, mas planeja com cautela como mitigá-los.

9. Tenha sempre um Plano B

Deixei esse por último, pois acredito que esse ponto seja o mais desafiador, afinal ele possui vários antecessores. Não dá para ter plano B eficaz se você não tem um planejamento do que quer e onde quer chegar ou realizar, se não tem o time certo, se não realiza um bom planejamento e não tem medo de riscos.

Em La Casa de Papel, podemos perceber que por mais detalhado tenha sido o planejamento e o propósito, ainda assim o professor tinham um plano B para cada possível erro que pudesse acontecer. Não sou nem louca de dar spoiler, mas em quase todas as temporadas ele tinha previsto recursos extras e até pessoas para ajudar na concretização do projeto.

10. Equilíbrio emocional nos momentos desafiadores

Não poderia nunca deixar de mencionar essa característica tão fundamental, importante tanto para quem está a frente da equipe quanto para todos os envolvidos no projeto. Você pode ter toda a estrutura que acabei de mencionar, mas se faltar em algum momento esse equilíbrio você irá colocar tudo a perder. Em La Casa de Papel podemos ver nitidamente os personagens em situações onde isso acontece e o resultado que a falta de equilíbrio emocional pode trazer para a estratégia do projeto.

Quando nos falta equilíbrio emocional, várias outros problemas tornam-se consequência dessa questão, os conflitos interpessoais, por exemplo, é um deles, falta de patrocinadores para o projeto, descrença da equipe por não enxergar coerência entre fala e ações, o engajamento da equipe que pode ser abalado, dentre várias outras causas.

Lidere as mudanças

Espero que você tenha gostado das dicas e a última que posso te dar é a de que você precisa ser o propiciador dessas reflexões, seja na sua equipe, escola ou família. Seja a pessoa que vai propor essas mudanças. Para você que lidera equipes, sugiro pegar uma episódio e colocar um trecho para o time assistir e trabalhe a percepção deles sobre a situação. Saiba o que eles veem como fatores de sucesso e de insucesso.

As mesmas ações gerarão resultados iguais, inove, seja criativo e cheio de propósito!

Por: Isabel Holanda

Há 10 anos atuando na área de gestão de pessoas e apaixonada por gente, exercendo função de Head da Fortes Academy da empresa Fortes Tecnologia, um programa voltado para tornar acessível conhecimento por meio da Educação Digital para clientes e mercado. Graduada em Pedagogia pela UFC (Universidade Federal do Ceará), MBA em Gestão de Pessoas, Youtuber e Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC). Atuou como consultora na área de implantação de softwares para RH e de subsistemas para Gestão de Pessoas. Palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes.

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