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Líder até o limite

Líder até o limite

Quando o fim se aproxima, como se comporta o
seu time?

Velocidade é uma palavra de ordem. A
concorrência tem mais recursos, mais capital e está alguns passos na
dianteira. O barco começa a virar e a tripulação discute sobre as opções
que restam, para salvar a viagem e, principalmente, suas peles.

Nesse momento, um marujo salta ao mar levando
um bote que salvaria outros três, e começa uma discussão entre os
“ainda” sobreviventes do provável desastre, cada vez mais
amedrontados com a experiência.

De repente, outro marujo se lança ao mar,
levando mais um bote e mantimentos. Os traidores não pensam em ninguém e a
situação para os que ficam é cada vez mais crítica.

Tubarões famintos começam a rondar o barco e
as ondas são cada vez maiores. Pelo rádio, são alertados que uma grande
tempestade se aproxima. Não há qualquer possibilidade de socorro nas próximas
24 horas.

O que fazer? Como controlar o medo? Como manter
a tripulação restante unida e comprometida com seu melhor desempenho coletivo?
Como evitar que novas tentativas desesperadas e isoladas desperdicem os últimos
recursos que têm, comprometendo ainda mais esse quadro? Como superar as condições
adversas e celebrar um novo amanhecer em segurança, em companhia daqueles que
confiam em você?!

Não desperdice a sua última chance

Quem nunca atravessou uma situação tensa como
essa, não sabe o que é viver no ambiente corporativo. Quem nunca se preparou
para controlar emoções até o limite, cairá bem antes que este limite se
aproxime. O ser humano médio costuma sofrer por antecipação e entregar os
pontos antes da hora, desperdiçando as últimas chances que efetivamente tem,
para reverter um quadro negativo.

Infelizmente, é o que acontece na maioria das
vezes, quando as companhias são comandadas por pessoas que nunca atravessaram
uma tormenta. São pessoas que se acostumaram com a fartura e o cenário favorável,
que não conseguem manter o mesmo nível de energia, entusiasmo e excelência
diante de um cenário adverso.

Entretanto, muitas tragédias poderiam ser
evitadas se essas pessoas aprendessem que o “final” quase sempre é
relativo. Quando um ponto final é colocado, normalmente existe ar e recursos
extras para mais alguns passos, porém a maioria das equipes se deteriora antes
que esses recursos adicionais sejam empregados.

O desespero de situações limítrofes costuma
minar crenças e capacidades da maioria das pessoas, reduzindo uma equipe
extremamente vitoriosa a um punhado de pessimistas, amedrontados e impotentes
que jogam a toalha antes do fim, porém tudo isso pode ser contornado com uma
verdadeira liderança.

Os resultados podem ser bem diferentes se o líder
do grupo tiver preparo, coragem, respeito e credibilidade junto aos seus
comandados, para promover uma mudança total de foco e estimular a superação
individual de todos em prol de uma causa coletiva.

Se a equipe for de qualidade e estiver
realmente comprometida com a superação dos desafios, controlando suas emoções
e trabalhando arduamente para vencer cada obstáculo, é praticamente impossível
que o barco vire. Se todos acreditarem na capacidade do grupo e confiarem uns
nos outros, apoiando-se mutuamente para manter uma atmosfera de entusiasmo até
o limite, eu repito: é praticamente impossível que o barco vire!

Confiança é fundamental

Alcançar esse grau de excelência
individualmente não é fácil, mas bastam alguns cursos de motivação, uma boa
dose de auto-estima e consciência de suas habilidades para evitar que o
desespero tome conta das emoções antes da hora.

Entretanto, quando a sua excelência isolada é
insuficiente para salvar o chão em que você pisa e o teto que te protege, as
coisas mudam completamente de figura. Surgem pensamentos do tipo: “E se eu
fizer tudo certo e o João falhar com o prazo?”, “E se a Maria
resolver implicar com minhas idéias justamente agora?”, “E se o
Carlos não der tudo de si, como disse que vai dar?”, “E se eu acabar
carregando o grupo nas costas?”, “E o meu reconhecimento, como vai
ficar?”

É por isso que o líder precisa contar com uma
boa dose de respeito e, sobretudo, credibilidade diante dos seus comandados. É
preciso confiar e inspirar confiança nos outros jogadores, pois se houver
qualquer preocupação nesse sentido, a equipe não terá o foco necessário
para concentrar todos os esforços na mesma direção.

As interrogações e os “ses” que
surgem naturalmente em situações críticas como essa, precisam ser derrubados
por uma crença fortalecedora de que tudo sairá conforme o combinado.

Todos devem ter certeza de que vão cooperar e
serão recompensados com uma nova chance, créditos e reconhecimento quando a
crise for superada. Caso contrário, a equipe não estará suficientemente
confiante, empenhada e comprometida com os resultados coletivos.

Aqueles que não estiverem seguros do resultado
coletivo tendem a dedicar parte do seu tempo e potencial para buscar soluções
que salvem individualmente suas peles, antes que o limite chegue de verdade.
Isso acaba reduzindo em muito as chances da vitória coletiva.

Por isso, o grande desafio de qualquer
executivo de sucesso é garantir que sua equipe irá permanecer unida, motivada
e confiante, se empenhando ao máximo, até o limite.

Sergio Buaiz
www.sergiobuaiz.com.br

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