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Liderança autêntica e a gestão do conhecimento

É indiscutivelmente notória a importância da liderança para as organizações. Os estudos sobre liderança remontam a própria história e a quantidade de estudos que foram e continuam a ser desenvolvidos demonstram a importância do tema para a sociedade em geral e, principalmente para as organizações. Nas organizações intensivas em conhecimento, a liderança se faz imprescindível, pois deve proporcionar as condições necessárias para que o conhecimento seja mapeado, criado, armazenado, disseminado e utilizado por todos os membros da instituição. Nesse sentido, o case apresentado, tem por objetivo apontar o papel e a importância da liderança no processo de gestão do conhecimento.

Desde os primórdios a civilização sofre mudanças e transformações que afetam significativamente a vida das pessoas e seu convívio em sociedade. Constantemente ocorrem grandes transformações na história da sociedade ocidental: ela se reorganiza, passa por uma reformulação da visão de mundo, dos valores básicos, das estruturas sociais e políticas, das artes e das instituições mais importantes que a compõem. Atualmente, vive-se um desses momentos de transformação. As transformações que vem ocorrendo colocam o conhecimento como o mais importante fator de produção. É por meio dele que as organizações agregam valor aos produtos que produzem. Assim, a sociedade consolida-se em uma “Sociedade do Conhecimento”.

Com o surgimento da sociedade do conhecimento, os modelos econômicos que vão regê-la precisam ser revistos no sentido de incorporar o conhecimento não somente como mais um fator de produção, mas como fator essencial do processo de produção e geração das riquezas. Peter Drucker (1993) apresenta significativas implicações para as organizações, pois as atividades que ocupam o lugar central nas organizações da sociedade do conhecimento, não são mais aquelas que visam produzir ou distribuir objetos, mas sim, aquelas que produzem e distribuem informação e conhecimento, ou seja, atividades intensivas em conhecimento. Desta forma, uma gestão competente do conhecimento é determinante para que os atores nela envolvidos liderem o ambiente de acelerada transformação e crescente complexidade.

A gestão do conhecimento organizacional torna-se indispensável para a manutenção da vantagem competitiva das organizações. Nesse contexto, a liderança assume um papel preponderante. Existe um consenso que a liderança é um dos pilares essenciais da gestão do conhecimento. A liderança, neste contexto peculiar, acaba por absorver razoável parcela de responsabilidade, pois atua de forma a cooperar de maneira direta na articulação de estratégias necessárias a adequada implantação do processo de gestão do conhecimento, em suma exerce influência em toda a dinâmica rede da aprendizagem, bem como no compartilhamento do conhecimento organizacional.

De modo geral, para criar um ambiente de conhecimento, normalmente são requeridas mudanças nos valores organizacionais e na cultura da organização, mudando o comportamento e os padrões de trabalho das pessoas, o que demanda tempo, pois mudanças comportamentais não acontecem de uma hora para outra. Envolve ainda, proporcionar a interação entre as pessoas e o acesso destas às informações relevantes. Uma abordagem popular e muito utilizada é pensar na gestão do conhecimento em termos de três componentes, quais sejam: pessoas, processos e tecnologia.

No componente pessoas, a cultura certa para a gestão do conhecimento é o mais importante e o maior desafio, pois a cultura deve estar voltada para o aprendizado contínuo, de forma a motivar e recompensar as pessoas por criar, compartilhar e usar o conhecimento. Já os processos, devem acompanhar a cultura da organização, pois caso ela promova o compartilhamento do conhecimento, mudanças nos processos internos e até na estrutura organizacional em si podem ser necessárias, criando, portanto, um ambiente mais propício para a gestão do conhecimento. No que tange a tecnologia é um equívoco ver a gestão do conhecimento como sendo, principalmente, gestão de tecnologias. A tecnologia se apresenta como crucial, mas não é a solução, pois é de fundamental importância que a tecnologia usada nas organizações encaixe pessoas e processos da organização, do contrário, ela ficará inutilizada.

A sociedade atual vive um momento de grandes transformações. Essas transformações consolidam a sociedade como “Sociedade do Conhecimento”. As organizações da sociedade do conhecimento caracterizam-se como organizações intensivas em conhecimento. Essas novas organizações exigem novos modelos de gestão. Os modelos de gestão da era industrial apresentam-se limitados perante as novas demandas que surgem do ambiente competitivo em que as organizações estão inseridas, caracterizado principalmente, pelo uso intensivo do conhecimento.

O conhecimento passou a ser o principal fator de produção, deixando em segundo plano os fatores tradicionais – terra, capital e mão-de-obra. Dessa maneira, o conhecimento precisa ser gerido. Uma gestão do conhecimento eficiente torna-se necessária para que as organizações se mantenham competitivas. Nesse contexto, a liderança assume um papel preponderante. A liderança deve permear todos os níveis organizacionais e fomentar as ações de gestão do conhecimento. Sem um apoio direto da liderança em todos os níveis, é provável que as ações de gestão do conhecimento não atinjam o nível de desempenho desejado. Nesse sentido, o líder deve motivar e empoderar os membros da organização, criando um ambiente propício para a criação, armazenamento, disseminação e utilização do conhecimento.

Por: Jânio Bianchi Junior

Experiência na área de RH em empresas de grande porte como: Contax TNL., Facility Group, Hope Recursos Humanos e Casa & Vídeo. Formado em Gestão de Recursos, Pós-graduando em Educação Corporativa e Gestão do Conhecimento. Facilitador em programas de treinamento e desenvolvimento de times e lideranças.

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