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Liderar em época de crise

Passados meses do início do isolamento social temos vivido com velocidade e intensidade as mudanças que o home office tem provocado em nossas vidas. Esta modalidade trouxe para um único território o mundo do trabalho, o mundo familiar, o mundo privado e o mundo da intimidade, do encontro e desfrute de um grupo que criou uma profunda jornada de mudança de códigos, comportamentos, descobertas, produtividade, stress, senso de ganho e perda,

auto-organização, aprendizado, emoções e sentimentos à flor da pele. Esses são elementos que se misturam e criam uma realidade no trabalho e na vida de cada profissional, e desafiam o líder a protagonizar um papel estratégico na condução da crise e das transformações decorrentes. Os campos de gestão para os líderes se ampliam e ficam mais nítidas a importância, urgência e criticidade de cada um.  Simultaneamente terão que conduzir os temas do negócio e mercado, fornecedores, clientes e colaboradores, enfim toda a cadeia de valor sobre a qual terá impacto pela qualidade das suas decisões.

Por outro lado, na dimensão emocional afetiva é demandado a fazer a gestão do medo, da empatia e da esperança pois tanto no líder como nas pessoas ao seu redor, há perguntas que os liderados esperam que ele ajude a responder:

Nova call to action

Até quando e até onde vai a crise? Vou resistir? Qual o limite? Quem traz a luz e a direção? Como sair? E o que vou encontrar? O que quero encontrar? Que ferramentas de hoje me servirão? São inúmeros questionamentos que pressionam o líder a se manter seguro, firme e atento para dar a direção e o rumo esperado.

Diante desta realidade, o exercício da liderança requer que o líder tenha como primeira tarefa se conectar com ele próprio, com as suas motivações e necessidades, que construa com clareza uma intenção para suas ações, se utilizando de um verbo chave como proteger, preservar, construir e colaborar com o outro; que lhe sirva como guia das suas ações e ponto de partida para construir soluções. Na sua pauta de cuidados, a saúde de maneira ampla precisa ser prioritária, pois a demanda de energia é alta.

Hoje, os líderes declaram que estão dormindo menos e trabalhando muito mais horas, daí a necessidade de praticar um esporte seguindo as recomendações dos órgãos de saúde, cuidar da alimentação, do sono, fazer meditação ou se ajudar com leituras, conversas construtivas e momentos de compartilhamento e agradecimento.

Concretamente estes cuidados vão se refletir na qualidade das interações, do clima de um grupo e da empresa.

O líder que conhece seu negócio e está apto para aplicar tecnicamente seus projetos e decisões, terá maior garantia de sucesso se ele der atenção a estes aspectos. Se antes da crise os líderes declaravam a solidão do cargo ou do poder, neste momento terão que abrir para seus colaboradores de maneira objetiva e prática o que está acontecendo e o quanto estão precisando da colaboração e engajamento deles para obter os resultados desejados e necessários. Quanto mais verdadeira for a comunicação, o líder conseguirá tocar a consciência e o coração das pessoas e obter delas confiança.

Por último, a crise pode nos levar a uma sensação de perda, no entanto, ao olhar para ela como oportunidade, é possível se habilitar para o que queremos, para uma nova realidade.  A partir daí, temos que investir em novos conhecimentos e valorizar o que já temos como experiência e capacidades de ousar, renovar e recriar. Para isto o papel do líder que estimula, permite e sustenta é imprescindível.

ROSA BERNHOEFT: (ESPECIALISTA EM LIDERANÇA E ALTOS EXECUTIVOS): é graduada em Educação e Engenharia, coach de altos executivos, fundadora da Alba Consultoria e autora de três livros sobre os temas de Mentoring e Sucessão.

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