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MARKETING PESSOAL: FERRAMENTA QUE ALAVANCA O SUCESSO PESSOAL E PROFISSIONAL

1.Izabel C. de Moura Sampaio

1.Bacharel em Biblioteconomia – Faculdades Integradas Teresa D’Ávila, Licenciatura em Pedagogia – Universidade Metodista de São Paulo.

Resumo:

Nova call to action

Este trabalho tem como objetivo discutir a importância do Marketing Pessoal e fazer uma análise dos equívocos quanto a sua interpretação, pois ainda é confundido com lavagem cerebral, indutor de conduta e/ou técnica de persuasão. O que se pretende é esclarecer, apesar dos poucos estudos com relação ao assunto com bases cientificas, que Marketing Pessoal é uma ferramenta que proporciona a pessoa um diferencial na vida particular e profissional. Mostrar que é diferente de etiqueta empresarial, autopromoção, que está além da imagem, pois se inicia de dentro para fora, se expressando nas atitudes, no que se faz e no comportamento. Apresenta também a Marca pessoal como um requisito importantíssimo para a credibilidade, pois exige autenticidade o que é fundamental para sua construção. A metodologia utilizada para a realização do trabalho foi a pesquisa bibliográfica.

Palavras-chave: Marketing Pessoal. Plano de Ação. Marca Pessoal.

INTRODUÇÃO

Com a competição acirrada do mercado atual ter ao menos um pequeno diferencial pode garantir o sucesso profissional. No dia-a-dia é essencial o reconhecimento de competências e habilidades que diferenciem e determinem a posição do indivíduo no contexto em que atua.

A necessidade de garantir o sucesso holístico é devido às aceleradas mudanças e transformações que são geradas pelas exigências da globalização e do desenvolvimento tecnológico. Com as novas exigências e inovações, a sociedade, o homem e as culturas estão se modificando de forma persistente e irreversível.

É fundamental ter conhecimento do passado e estar atento as características da época atual, do momento em que se vive, para participar ativamente da história. É necessário saber mapear o contexto em que se está inserido para se posicionar e refletir criticamente sobre o cenário atual. Como reagir diante de tantos avanços e transformações nas mais diferentes áreas do conhecimento e com uma velocidade jamais vista? Como se defender dos “bombardeios” da mídia que, obedece ao poder dominante, promovendo o consumo inconsciente, aos acontecimentos a nível mundial? Como se posicionar diante de tanta informação com tamanha velocidade?

Hoje se vive o modelo econômico capitalista e do discurso neoliberalista que ressalta os direitos do consumidor mais do que as liberdades públicas e democráticas e contesta a participação do estado no amparo aos direitos sociais. Em meio a tantas mudanças, transformações e velocidade negligencia-se a criticidade, o sujeito fica perdido no tempo descuidando de seu passado e de sua identidade que são a base para refletir o presente e planejar o futuro, passa a colocar a técnica acima do humano.

A questão é discutir o marketing pessoal para esse homem que procura desenvolver seu projeto de vida numa sociedade hedonista, individualista, competitiva, instável, que desvaloriza o humano… Para traçar um plano é necessário ter consciência do mundo em que se vive e das leituras que se faz dele, pois não é possível ter sucesso estando sempre à margem observando e plagiando.

Na Era do Conhecimento, há muita informação e pouca familiarização, envolvimento com o conteúdo, pois não há mais tempo para se ler um bom livro, apreciar uma boa música, fazer o que dá prazer, tudo é muito imediato. O conhecimento se multiplica velozmente como nunca se constatou na história da humanidade provocando uma visão de desenvolvimento da civilização, mas tanto excesso pode ser angustiante. A esse respeito Sevcenko (2001, p.24) afirma que:

“Se somarmos todas as descobertas científicas, invenções e inovações técnicas realizadas pelos seres humanos desde as origens da nossa espécie até hoje, chegaríamos à espantosa conclusão de que mais de oitenta por cento de todas elas se deram nos últimos cem anos. […] Verificaríamos também que cerca de setenta por cento de todos os cientistas, engenheiros, técnicos e pesquisadores produzidos pela espécie humana estão ainda vivos atualmente, […] A grande maioria deles, ademais, não apenas ainda vive, como continua contribuindo ativamente para a multiplicação e difusão do conhecimento e suas aplicações práticas”.

É neste turbulento palco que será pensado o marketing pessoal como estratégia para se alcançar o sucesso pessoal e profissional sem perder de vista o contexto em que vive e a complexidade que é o ser humano como ser único.

CONCEITO DE MARKETING

Marketing é uma ciência relativamente nova, muito estudada especialmente nos cursos de administração, que tem sofrido algumas modificações nas últimas décadas.

A definição mais conhecida é a de Philip Kotler (1996, p.25), onde afirma que: “Marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam, através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros.” O autor (Kotler, 1996, p. 26) também ressalta que “o verdadeiro marketing, porém, não é a arte de vender o que se produz, mas o que deve ser produzido”, ou seja, sua prioridade não é a venda, mas sim conhecer e entender o perfil do consumidor, a venda é conseqüência desse processo. Nota-se que esse processo se preocupa com o que o cliente quer tendo consciência que ele não busca um produto ou serviço em especial, mas sim satisfazer uma necessidade através do produto ou serviço ofertado.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a indústria muda seu foco da produção de armamento para a fabricação de bens de consumo e é nesse novo cenário que surge o marketing buscando detectar as necessidades e desejos do consumidor que até então não tinha poder de troca e a concorrência praticamente não existia.

Segundo Kotler (1996, p.25) a necessidade humana “é um estado de privação de alguma satisfação básica”. Logo se conclui que é tarefa dessa ciência traçar estratégias para que o consumidor perceba que necessita ou deseja o produto. Lembrando que aqui vender a qualquer custo já não tem mais fundamento, o marketing deixa de significar: “empurrar” ao consumido aquilo que ele não deseja e/ou necessita, deixa de ser enganação, pois hoje apesar do marketing visar o lucro tem uma responsabilidade social.

Com a aceleração das mudanças na sociedade o consumidor está exigindo mais responsabilidade e comprometimento das empresas. Então se deixa antigas técnicas que focavam simplesmente alavancar as vendas para uma visão empresarial mais ampla onde o foco é a satisfação das necessidades e desejos do consumidor, o meio ambiente, o bem estar da sociedade e o lucro.

Em 2008 a AMA (American Marketing Association) divulga uma nova concepção de marketing. Essa atualização é feita a cada cinco anos. Nessa nova concepção visa não só os benefícios para as organizações e todos os envolvidos em seus processos, mas também visa os benefícios para a sociedade em geral. Segundo Andrade (2009, p. 16) “marketing é atividade que agrega valor ao produto ou serviço, sendo esse valor benéfico não apenas para o cliente específico e para a organização, como também para a sociedade em seus processos de sustentabilidade”.

Essa nova maneira de conceber o marketing estende os benefícios do produto para além da satisfação do consumidor atingindo o meio ambiente e a sociedade. Richers (2000, p.5) afirma que essa ciência transpôs os limites comerciais se associando as funções sociais e culturais usando-as como promotoras de produtos, marcas e organizações.

Assim é percebido como uma ferramenta que possibilita a satisfação entre indivíduos, onde uma parte oferece algo que para a outra tem valor gerando assim uma troca. Com isso entende-se que esse processo é uma ferramenta que busca a satisfação do cliente.

MARKETING PESSOAL

Ter ciência do significado de uma palavra é fundamental para se evitar constrangimentos e que uma ideia equivocada sobre o mesmo termo seja registrada como correta.

Quanto à interpretação do que seja marketing pessoal o que se percebe é uma grande confusão quanto ao seu significado que é confundido como indutor de conduta ou técnica de persuasão. A esse respeito Rizzo (1998, p19) diz que há um grande engano, pois é confundido com condicionador de conduta, deformação da personalidade, robotização, especialmente quando se apresenta no mercado de trabalho.

O Marketing Pessoal surge para atender as atuais exigências de mercado que reclama cada vez mais profissionais capacitados para suprir suas necessidades. É uma ferramenta que qualquer profissional pode e deve lançar mão para ter um diferencial na carreira. É um esforço individual planejado que busca meios para aprimorar a maneira de pensar, as habilidades e as competências gerando conexões que levem ao sucesso pessoal e profissional. Ritossa (2009, p. 17) afirma que devemos entendê-lo como “um conjunto de ações planejadas que facilitam a obtenção de sucesso pessoal e profissional”, seja para conquistar uma nova posição no mercado de trabalho, seja para manter sua posição atual.

Diferente do que se pensa está além da imagem que passamos, ele se inicia de dentro para fora, se expressa nas atitudes, no que se faz como se comporta. Por isso, para realizar um Marketing Pessoal original é preciso ter disciplina, autoconhecimento e estabelecer metas para alcançar o autodesenvolvimento.

Há quem o confunda com autopromoção e acaba se prejudicando, pois no primeiro caso a publicidade é feita pelos outros que se sentem beneficiados por atitudes, habilidades ou serviços de alguém. Já no segundo caso a publicidade é feita pela própria pessoa que na maioria das vezes é interpretada como arrogante.

Outra confusão com relação ao Marketing Pessoal é com a etiqueta empresarial que é o mesmo que boa educação, ou seja, boas maneiras, boa postura, boa apresentação pessoal, bom senso, bom gosto, revelando assim certo refinamento. A diferença é que a etiqueta empresarial sendo um conjunto de regras cerimoniais podem ser aprendidas por qualquer pessoa, enquanto que o Marketing Pessoal está relacionado com a essência do individuo, com suas experiências, com suas competências e habilidades. As regras de boa conduta servem para nos orientar no dia a dia e são essenciais para o marketing pessoal. Elas são uma importante ferramenta para uma imagem positiva, pois envolvem aparência, comportamento, comunicação e outros itens. Através da aparência pode se passar uma imagem de sobriedade ou de desleixo, rebeldia; atrasos constantes para realização de tarefas ou em compromissos denotam um comportamento de descaso, de falta de compromisso; a comunicação excessiva, desmedida significa falta de profissionalismo, como também a falta de comunicação revela dificuldade de relacionamento.

Os quadros abaixo mostram segundo Vieira (2009) o que envolve, favorece, prejudica e compromete o Marketing Pessoal.

Favorece o Marketing Pessoal

Compromete o Marketing Pessoal

Assumir valores e princípios Arrogância, pretensão e autoritarismo

Autoconhecimento Artificialismo

Comunicar bem em todas as oportunidades (pelos cinco sentidos e movimento) Falar mal de empresas, empregadores, funcionários, clientes, situações.

Gerar e manter rede de relacionamento Falsidade

Investir em informação e conhecimento Falta de profissionalismo

Manter coerência entre o que fala e o que faz Falta de sensibilidade

Manter o corpo e a mente harmonizados Impontualidade

Naturalidade Inadequação

Postura e vestimenta adequadas às diversas situações e ambientes Incoerência

Saber falar Invadir o espaço do outro

Saber o que quer e como atingir objetivos Não olhar o interlocutor nos olhos

Saber ouvir Percepção de si mesma equivocada

Ser autêntico, espontâneo e verdadeiro Ser dono da verdade

Ser honesto, leal e ético

Ter elegância e ser elegante

Ter otimismo e energia

Ter imagem (agradável, profissional e eficaz)

Ter atitude, assertividade e comprometimento

Ter estilo e saber explorá-lo

Ter propósito de vida

Ter sensibilidade, respeito e educação

Fonte: VIEIRA, 2009 apud RIZZO 2003.

PLANO DE MARKETING

É preciso estar atento a imagem e de que maneira ela está sendo absorvida pelo público-alvo. Essa análise leva a perceber que ações devem ser estabelecidas para se alcançar o objetivo desejado e também quais deficiências devem ser sanadas para que o produto, pessoa, tenha bom êxito. Ritossa (2009, p 17) diz que essas ações servem não só para divulgar a imagem, mas também para aprimorar as deficiências e aprimorar as qualidades.

Essas ações são o resultado de um trabalho de autoconhecimento e da visão que se formou de si mesmo e são geradas a partir de um plano que define objetivos, metas e estratégias.

A vida moderna é agitada e geralmente os indivíduos se vêem mergulhados em problemas do dia a dia que apesar de sentirem um incomodo não sabem o que é que está errado ou faltando. Por isso é importante ter um plano de Marketing Pessoal escrito e periodicamente deve ser revisado. Esse plano ajuda o indivíduo a tomar consciência de si mesmo, a visualizar seus objetivos e planejar suas metas para realizar seus projetos da vida pessoal e profissional. Costa (2009), afirma que “ter planos escritos e revisados periodicamente aumenta muito as chances de atingir os objetivos propostos”. E sugere a observação de alguns itens para sua elaboração como:

• Ter autoconhecimento, ou seja, é preciso tomar consciência de sua missão, visão e valores.

• Conhecer seus pontos fortes (potencialidades) e fracos (limitações).

• Conhecer seu mercado de atuação para identificar oportunidades e ameaças.

• Definir objetivos e metas.

• Decidir quais ações são necessárias para alcançar os objetivos e estabelecer prazos.

• Controlar os resultados e revisar as metas.

Com as ferramentas de Marketing Pessoal a afirmação de Seth Godin (2007, apud RITOSSA, 2009, p. 17): “Muitos de nós fomos ensinados a fazermos o melhor e em seguida, deixarmos que o mundo decida como nos julgar” não faz sentido no mundo globalizado onde há grande homogeneidade no mercado de trabalho sendo necessário um diferencial na disputa para conquistar ou manter o emprego.

VIEIRA (2009, p.126) afirma que o importante é sair das ideias e partir para a ação, na vida é necessário definir alguns projetos que com o tempo podem ser ajustados ou até mesmo mudados, desde que os objetivos sejam atingidos.

Imagem Pessoal

Refletir Agir

Quem e como sou eu? Avaliação de potencial ou competências

Como os outros me vêem? Identificação, análise e avaliação

Eu tenho um planejamento pessoal e profissional? Plano de carreira e ação com metas e prazos

Implementação

Fonte: VIEIRA (2009, p. 126)

Na vida, muitas vezes, sem perceber ou até mesmo conscientemente se deixa que outros interfiram na autoria de nossa história. E delegar a tarefa de escrever nossa história aos outros pode parecer confortável, mas com o passar do tempo sente-se um vazio, uma sensação de nulidade. Segundo Vieira (2009, p.127) “Não se pode delegar o roteiro, o desenho, a estrutura da própria história. Esses… cada um escreve o seu”.

Esperar pelo julgamento dos outros é mais fácil, mas decidir como quer ser julgado implica em assumir a autoria da própria vida e deixar para trás o fracasso e o desânimo. Significa ir atrás daquilo que deseja com firmeza, levantando quando cair, decidindo que caminho seguir, agindo quando necessário, fazendo escolhas…

O planejamento para ser eficaz deve ter equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, não é possível desvincular uma da outra, afinal a pessoa é única e quando uma área não vai bem a outra sente também os efeitos.

É mais fácil comandar um navio até o porto quando o mar está favorável, o maquinário em bom funcionamento e o condutor está bem de saúde e bem consigo mesmo, porém se algum dos itens citados começar a dar problemas os obstáculos naturalmente irão surgir e a harmonia será quebrada. Quando existe um planejamento bem estruturado os obstáculos se tornam desafios, pois se está preparado para os acertos como para os imprevistos.

VIEIRA (2009, p.130), apresenta um modelo simples de Marketing Pessoal.

Iniciando um plano de Marketing Pessoal

Sonhos

Ser diretor da empresa… empreender meu negócio… fazer mestrado etc.

Projetos Vou falar três idiomas

Ideias Pretendo cantar num coral

Pensamentos Sigo carreira acadêmica? Permaneço como empregado ou me torno empreendedor? Preciso me especializar mais? Temos filhos agora ou mais tarde?

Geralmente se tem um objetivo que se diz geral e para alcançá-lo é necessário dividi-lo em partes, ou seja, ter bem claro quais as habilidades e competências devem ser desenvolvidas para se alcançar o objetivo geral.

Veja o exemplo abaixo:

Habilidades e competências necessárias

Como desenvolver?

Comunicação Cursos, oratória, treinamento, coach

Tomada de decisão Treinamento, adquirir maior conhecimento técnico dos processos de meu setor para ampliar segurança.

Gerenciamento de conflitos Treinamento e curso

Fonte: VIEIRA (2209, p.135)

A MARCA NO MARKETING PESSOAL

Para se destacar, ser conhecido e reconhecido; ser necessário é preciso construir uma marca. Ela é o elemento que concede identidade ao produto gerando credibilidade. A marca imprime impressões no psicológico do consumidor sugerindo qualidade, lembranças e desejos, promete confiabilidade. Não há como prometer algo que não seja verdadeiro, pois em algum momento o deslize vai acontecer. Por isso mentir com relação à formação, qualificação, competência pode causar sérios problemas para a marca pessoal. Fingir o tempo todo é impossível, pois o ser humano reflete seu interior na maneira como age, por exemplo, no tom de voz, na expressão de seu rosto, como se comporta, nas suas atitudes, nos relacionamentos, é impossível evitar, o corpo reflete o inconsciente, logo ele fala.

Santos (2008, p.2) afirma que o ser humano não se comunica apenas verbalmente, mas também através de sinais corporais que transmitem mais mensagens que as próprias palavras. O corpo humano mostra o que está oculto na fala ele denuncia os sentimentos, os medos, inseguranças, funciona como um espelho do inconsciente, mesmo que se queira disfarçar, esconder o que está latente no interior.

A autenticidade é um requisito importantíssimo para a credibilidade da marca pessoal, sendo assim, ser verdadeiro: sem mentiras e subterfúgios e buscar o aprimoramento pessoal é fundamental para a construção da marca pessoal. A esse respeito Linkemer (1991, p. 20-21) afirma que a imagem funciona como um outdoor que anuncia quem é a pessoa, as suas habilidades, suas competências, seus valores. Está não deve ser jamais uma mentira, um truque, um macete.

Nessa busca é necessário ter consciência que o ser humano é um ser inacabado, que sua busca pelo ser mais é infinita. Nessa linha de pensamento se percebe o quanto o Plano de Marketing é importante, pois permite uma visão de onde se está, aonde quer chegar e o que é necessário para o aprimoramento pessoal para alcançar os objetivos desejados.

Ninguém a não ser a própria pessoa é que cria a sua marca pessoal e essa deve estar em comunhão com a marca profissional, pois além de integridade pessoal é necessário competência profissional.

No contexto atual o ser humano é avaliado o tempo todo e é preciso estar atento as impressões que são passadas aos outros. Lembrando que nem sempre o que se acredita ser é a mesma impressão que os outros percebem de nós. Segundo Ritossa (2009, p. 20): “Consciente ou inconscientemente, a percepção dos outros sobre nós torna-se a realidade para eles”. Já que a marca age no psicológico do consumidor é fundamental saber que imagem está associada a marca pessoal. Ritossa (2009, p.21) sugere um questionário para auxiliar na avaliação pessoal como

“a). Quais são os dez atributos que melhor definem minha imagem?

b). Quais são minha maior habilidade e minha maior fraqueza?

c). Se eu fosse um carro, que modelo seria? Por quê?

d). Trabalhando em equipe, qual papel desempenho melhor?

• Protetor (preocupo-me com a felicidade da equipe).

• Criador (tenho ideias do que e de como fazer o projeto).

• Executor (pego parte do projeto e executo).

• Facilitador (ajudo o grupo para que ele atinja sua meta)

• Líder (tomo para mim as responsabilidades do grupo e cobro prazos).

• Motivador (inspiro os outros a buscar o sucesso do projeto).

• Organizador (cumpro prazos e garanto a conclusão das atividades)”.

As respostas as questões propostas ajudam a determinar os pontos que devem ser evidenciados e os pontos que devem ser aprimorados. Ter consciência da imagem que se quer e está imprimindo nas pessoas e qual é o público-alvo a ser atingindo é fundamental para traçar estratégias para alcançar os objetivos. O marketing Pessoal considera como cliente todas as pessoas com as quais há interação, porém sabe se que satisfazer as expectativas de todos é impossível então é preciso delimitar o alvo a ser alcançado. Ritossa (2009, p.24) diz que sair sem direção e critérios bem definidos a procura de uma oportunidade é uma prática ineficiente, pois além de se expor pode atingir alvos não pretendidos, logo é importante evitar a dispersão e identificar o nicho de mercado que interessa.

MARKETING PESSOAL: FERRAMENTA QUE ALAVANCA O SUCESSO PESSOAL E PROFISSIONAL

A globalização, com sua dinâmica, chegou modificando costumes, invadindo fronteiras, expandindo conhecimento e tecnologia e com isso todas as áreas da sociedade sofrem suas conseqüências assim como o mercado profissional que está a cada dia mais competitivo e exigente, e se destacar nesse meio é um desafio.

Todo produto, por mais eficiente que seja para ser colocado no mercado precisa de uma estratégia de marketing e só depois de muita informação e comprovação da veracidade dos fatos expostos sobre o mesmo é que se perceberá sua aceitação pelo público-alvo.

O mesmo ocorre com o profissional que é percebido como um novo produto pelas empresas que analisa suas informações sobre suas qualificações e o compara com os demais para elegê-lo ou não ao cargo pretendido. Pode-se dizer que essa é a fase introdutória, pois para se manter na função, as informações sobre suas competências e habilidades terão que ser comprovadas na prática.

O suporte que o Marketing Pessoal oferece como alavanca para multiplicar o sucesso profissional e pessoal, permite divulgar-se para o mercado de trabalho e para o ambiente de convivência revelando as qualidades e competências. Também é importante ter consciência de como funciona o mecanismo de venda de um produto, pois o Marketing Pessoal se assemelha ao marketing convencional, por isso promove ações que levam a conhecer o mercado que quer atuar, suas exigências e suas necessidades.

O Marketing Pessoal provoca uma tomada de consciência que permiti uma analise dos pontos fortes e fracos e que providencias devem ser tomadas para aprimorar-se. Tendo em mente que Marketing Pessoal não é apenas a criação de uma imagem, mas sim ser a imagem que se apresenta.

O mercado profissional atual exige de seus colaboradores além da experiência profissional o capital intelectual e a ética. E o Marketing Pessoal surge como uma ferramenta fazendo com que seus valores, suas habilidades e competências trabalhem a seu favor.

A ideia que a ética está subjugada ao lucro, ao poder, ao privilégio é ultrapassada, mas ainda persiste. Porém com o Marketing Pessoal se percebe que isso é um grande engano, pois no mercado atual quem quer se destacar deve ter compromisso e integridade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta pesquisa foi feita uma reflexão sobre a atual conjuntura mercadológica e suas implicações na vida pessoal e profissional e o que esse momento de aceleradas mudanças e transformações exigem do profissional para entrar e se manter empregado.

É um momento histórico inusitado, onde o ser humano se vê envolvido por incertezas e agitações e ao mesmo tempo precisa interagir com este contexto para garantir o sucesso holístico.

Em meio à tamanha turbulência social, tecnológica e científica surge o Marketing Pessoal como alavanca para auxiliar o sucesso pessoal e profissional do homem. Porém essa ferramenta, ainda hoje, é confundida com enganação, autopromoção e/ ou etiqueta profissional.

Com essa pesquisa também foi possível perceber que há poucos estudos com bases cientificas sobre o assunto, porém se constatou a seriedade desta ferramenta que proporciona o autoconhecimento e a auto-avaliação aprimorando assim a essência do ser humano como ser único.

Diferente do que se pensa o Marketing Pessoal não inventa ou cria uma marca, mas coloca a marca, já existente, em evidência. Isto proporciona uma consciência de si mesmo e a percepção de que cada um deve assumir a autoria de sua história, não delegando aos outros essa tarefa, pois é responsabilidade de cada ser o sucesso ou insucesso vivenciado.

O Marketing Pessoal trabalha a autenticidade, credibilidade da marca, pois para o ser humano é impossível fingir todo o tempo, sabendo-se que além da comunicação verbal há a comunicação corporal que revela os sentimentos que estão latentes. Também se percebe que transcende as variáveis de mercado, pois está relacionado à pessoa que possui valores: morais, familiares, religiosos, éticos… É uma ferramenta que conduz o individuo a uma reflexão sobre seu papel no contexto em que está inserido e sua função de agente transformador nesse meio. Leva o a perceber que não é um ser acabado, pronto, afinal vive em uma realidade que sofre modificações, é ativa, está sempre em movimento, logo suas leituras devem acompanhar esse processo.

O Marketing Pessoal promove a capacidade, do individuo, de leitura da sua realidade para que esse possa aperfeiçoar seus pontos fortes e sanar seus pontos fracos podendo assim desenvolver suas competências e habilidades. Para se alcançar esse equilíbrio é necessário traçar algumas ações como definir objetivos, metas e estratégias. É necessário traçar um plano de ação para se ter uma visão de onde se está e a aonde se quer chegar, ou seja, fazer uma análise do que é necessário para se alcançar os objetivos desejados.

Como se percebe o Marketing Pessoal é um processo que se inicia de dentro para fora, pois o contrário é puro engodo. Para sua eficácia o “eu interior” deve estar em harmonia com o “eu exterior”, é necessário ter conhecimento da dimensão humana e ter sempre em mente que a técnica está a serviço do homem e não o contrário.

REFERÊNCIAS

ANDRADE. Carlos F. Marketing: O que é? Quem faz? Quais as tendências?. Curitiba: IBPEX. 2009. 221p.

CASTELO BRANCO. Valdec R. Rumo ao sucesso: aprenda como transformar sua vida profissional em uma carreira de sucesso. Disponível em: . Acesso em 28/03/2010.

COSTA, Eliane M. Plano de Marketing Pessoal: você já fez o seu?. 2009. Disponível em: < http://www.maiscommenos.net/blog/2009/02/plano-de-marketing-pessoal-voce-ja-fez-o-seu/ >. Acesso em 06/11/2010.

GODIN, S. Revista BusinessWeek. 2007. In: RITOSSA, Claudia Monica. Marketing pessoal: quando o produto é você. Curitiba: Ibpex, 2009. p. 17.

KOTLER, P. Administração de Marketing. 4ª edição. São Paulo: Editora Atlas, 1996.

LINKEMER, B. Cuide bem de sua imagem profissional. São Paulo: Nobel, 1991. 84 p.

RICHERS. R. Marketing. São Paulo: Elsevier, 2000.

RITOSSA, Claudia M. Marketing pessoal: quando o produto é você. Curitiba: Ibpex, 2009.

RIZZO. C. Marketing pessoal. São Paulo: Terra, 1998.

SANTOS, Rosana S. O corpo fala – a linguagem dos gestos. [2009?] Disponível em: . Acesso em: 12/05/ 2010.

SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia das letras, 2001.p.24.

VIEIRA, Maria C. de A. Marketing pessoal: das ideias aos projetos [gestão de carreira]. V.2. Curitiba:Ibpex. 2009.

NOTA DE RODAPÉ:

1.Bacharel em Biblioteconomia – Faculdades Integradas Teresa D’Ávila, Licenciatura em Pedagogia – Universidade Metodista de São Paulo.

3.A AMA é uma organização (que) congrega os envolvidos na prática, no ensino e no estudo de marketing, representando um marco determinante para os rumos deste. Nela são analisadas as práticas e tendências do marketing, e, a partir disso, definidos os caminhos e as concepções que irão prevalecer nos cursos e nas atuações dessa área. (ANDRADE 2009.p 15)

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