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Maternidade e carreira: os desafios e impactos na carreira das mulheres

maternidade e carreira

A maternidade é um momento muito marcante na vida e na carreira de qualquer mulher que opta por ser mãe. Em uma sociedade onde 49% dos cargos são ocupados por mulheres, esse momento deveria ser encarado como algo natural, contudo, não é bem assim que acontece.

Conciliar maternidade e carreira é um desafio cheio de obstáculos. Empresas despreparadas, sobrecarga com os trabalhos domésticos, falta de uma rede de apoio, tudo isso contribui para muito estresse e desmotivação

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Mas afinal, como o RH pode tornar esse processo mais simples e garantir a retenção dessas profissionais? Neste post, vamos falar um pouco mais sobre esse assunto. Confira!  

Maternidade e carreira: um panorama geral

A dificuldade de conciliar maternidade e carreira, seja pela carga social que pesa sobre a mulher, seja pela inabilidade das empresas em lidar com as mães, faz com que cerca de 30% das mulheres abandonem seus cargos em até 2 anos após o parto, a fim de se dedicarem exclusivamente aos filhos.

Em contraponto, um amplo levantamento, realizado em 2006, pela socióloga Louise Marie Routh junto a profissionais com título MBA, mostra que 36% das mulheres afirmam terem notado uma interrupção na progressão de suas carreiras depois da gravidez, enquanto seus colegas seguiram recebendo promoções e prestígio.

Além disso, mulheres que são mães também encontram maiores dificuldades na hora de buscar um novo emprego. De acordo com uma investigação feita pela revista americana Fortune com as 500 maiores empresas do mundo, a chance de uma mulher sem filhos ser contratada é 80% maior do que uma com filhos, sendo que ambas têm as mesmas habilidades.

Ainda, o salário de funcionárias com filhos também é menor do que o de suas colegas com o mesmo nível hierárquico, porém que não são mães. 

Quais os principais desafios de estar no mercado de trabalho sendo mãe?

Com certeza, o preconceito ainda é o maior desafio para mulheres que estão no mercado de trabalho e decidem engravidar. Apesar das várias conquistas em relação aos direitos trabalhistas, a gravidez ainda é vista com “maus olhos” dentro de muitas organizações.

Ademais, momentos de constrangimento ainda são bastante corriqueiros, seja para mulheres já empregadas ou em entrevistas durante os processos seletivos. Nesses casos, perguntas de cunho pessoal, sobre com quem a mulher vai deixar a criança, por exemplo, são muito comuns.

Outro desafio que assombra essas mulheres é o medo de perder o emprego após voltar da licença-maternidade. Para entender melhor esse panorama, confira alguns dados sobre o assunto:

  • 56% das mães enxergam dificuldades no sucesso profissional com filhos;
  • 23% das mulheres adiam seus planos de terem filhos por motivos ligados ao trabalho;
  • 25% das mães recentes retornam ao trabalho depois de seis meses e 22% não conseguem retornar para o mercado.

Além dos preconceitos sofridos, a mulher também precisa lidar com seus próprios fantasmas. O sentimento de culpa por terem que deixar os bebês em casa e voltar a trabalhar, por exemplo, é um problema constante. Isso é ainda mais agravado quando a mãe não tem uma rede de apoio com a qual possa contar. 

maternidade e home office

Impactos com a entrada do home office

Com o home office forçado por conta da pandemia do coronavírus, algumas questões sobre a conciliação entre maternidade e carreira foram resolvidas, enquanto novas chegaram. Se por um lado a mãe podia ficar mais próxima dos filhos, sem sentir culpa pelo distanciamento, por outro, a carga de trabalho se tornou dobrada.

Neste período, foi necessário conciliar as tarefas domésticas, o cuidado com as crianças e o trabalho remoto, o que trouxe problemas de concentração e até para o cumprimento da jornada.

Enquanto algumas empresas trouxeram a oportunidade de uma jornada mais flexível, outras mantiveram a exigência do cumprimento de horários, o que não é tão simples quando se tem crianças pequenas confinadas dentro de casa.

Vale destacar que, embora os homens também estivessem em home office, a divisão de tarefas e responsabilidades ainda é um assunto complicado nos lares do mundo. Uma vez que dados e estudos mostram que as mulheres dedicam o dobro do tempo em tarefas domésticas em relação aos homens

O que as empresas podem fazer para ajudar a mulher a conciliar maternidade e carreira?

O papel do RH é garantir boas experiências para os colaboradores, de modo que eles se mantenham motivados e produtivos. Dessa forma, é importante que o setor pense nas novas mães e tente oferecer um ambiente acolhedor e seguro para elas durante a gravidez e após o parto.

Para tanto, é possível incluir algumas ações de acolhimento. A seguir, listamos dicas para você colocar em prática.

Conheça a realidade das mulheres que trabalham na empresa

Conhecer a fundo os seus colaboradores é o primeiro passo para uma gestão de pessoas eficiente e humanizada. Aqui, é preciso que você entenda o perfil dos profissionais, saiba quando eles se sentem mais motivados e quais os modelos de trabalho mais eficientes.

Algumas mães contam com uma rede de apoio e produzem melhor trabalhando no escritório em jornada integral. Já outras produzem mais em uma jornada home office e precisam de certa flexibilização para conciliar maternidade e carreira.

Sendo assim, a forma mais eficiente de garantir uma boa gestão é entendendo a realidade individual de cada profissional e buscando ações de melhoria que garantam a retenção.

Promova ambientes inclusivos e acolhedores

As ações de acolhimento também são bastante benéficas e mostram às profissionais que a empresa se importa com elas, apoia suas decisões e valoriza seu trabalho. Nesse sentido, é possível, por exemplo, desenvolver programas de acompanhamento gestacional e até mesmo suporte emocional durante o período pré-natal.

Hoje, espaços em que a mulher possa amamentar ou realizar o bombeamento peitoral dentro da empresa também são muito bem-vindos e têm sido incorporados por grandes organizações. 

Além disso, é válido propor ações que permitam que as mães compartilhem experiências, oferecendo um ambiente seguro e de confiança.

Ofereça flexibilidade para gestantes e mães recentes

Uma jornada de trabalho mais flexível também é uma boa dica para trazer mais conforto às gestantes e mães recentes. Nesse caso, é importante entender que durante a gravidez podem ocorrer imprevistos, assim como nos primeiros anos de vida.

A flexibilidade é uma ferramenta importante para minimizar o estresse e a pressão sobre as mulheres, garantindo que elas se mantenham produtivas e eficientes. Uma dica é trabalhar com base em metas, em vez de exigir um cumprimento rigoroso de horário.

Tenha processos de recrutamento e seleção humanizados

Se você é uma mulher, provavelmente, já escutou em alguma entrevista de trabalho a pergunta: planeja ou não ter filhos? Apesar de extremamente invasivo, esse tipo de questionamento ainda acontece em grande parte dos processos de recrutamento e seleção.

Para mulheres que têm filhos, as perguntas são ainda piores, “onde está o pai?”, “com quem você vai deixar a criança?”, “e se ele ficar doente?”, são só alguns dos absurdos que as mães escutam enquanto buscam um emprego.

Nesse cenário, a sensação é que a mulher está fazendo algo de errado ao pensar em ter filhos, o que deveria ser encarado como algo natural. Dessa forma, é essencial que o RH tenha treinamento e saiba lidar com mães de forma humanizada e não invasiva em seus processos seletivos. 

gravidez no trabalho

Quais os direitos da mulher na gravidez e no pós-parto?

Além de propor ações para garantir uma melhor qualidade de vida e experiência para as mulheres, é fundamental que o RH conheça os direitos trabalhistas antes, durante e após o parto para evitar problemas judiciais.

Direitos da mulher durante a gravidez

A mulher grávida tem direito à estabilidade garantida por até 5 meses depois do parto, mesmo que esteja cumprindo aviso prévio ou no período de experiência. Esse direito só pode ser perdido em caso de falta grave.

Caso exerça uma função que comprometa a sua saúde, a gestante tem direito à mudança de cargo sem alteração de salário e benefícios.

Ao longo da gestação, a mulher pode se ausentar do trabalho, durante a jornada, pelo tempo necessário, para a realização de, no mínimo, seis consultas médicas e exames complementares.

Direitos da mulher no pós-parto

A mulher tem direito à licença maternidade remunerada, que pode começar até 28 dias antes da Data Provável de Parto (DPP) e tem duração de 120 dias, podendo ser estendida para até 180 dias, caso a organização tenha aderido ao programa “Empresa Cidadã” do Governo Federal.

Vale destacar que apenas 40% das mulheres que têm direito ao benefício extra, efetivamente o aproveitam. O benefício também é válido para mulheres que adotam ou obtém a guarda judicial de menores de idade e no caso de natimorto.

Caso a mulher esteja desempregada, exerça atividade informal ou seja empreendedora, ela tem direito a receber salário-maternidade pago pela Previdência Social. O valor pago é calculado com base no salário de referência para a contribuição.

O aleitamento materno exclusivo é recomendado nos seis primeiros meses de vida do bebê. Para tanto, de acordo com o artigo 396 da CLT, a mulher tem direito a dois intervalos, de meia hora cada, durante o expediente.

Conclusão sobre maternidade e carreira

Como vimos, conciliar maternidade e carreira, mesmo nos dias de hoje, ainda é um desafio para as mulheres. Portanto, para tornar o processo mais simples, é importante que o RH esteja preparado para uma gestão humanizada e respeite os direitos trabalhistas definidos.

A gestão comportamental e o People Analytics podem ser bons aliados na hora de garantir essa gestão mais personalizada. Quer entender melhor como essas tecnologias podem ajudar? Converse com um de nossos especialistas

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