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Memória De Hd Externo

Viu a novidade no tratamento do câncer? Sabe o Viktor Yanukovych? Qual é a cotação do dólar hoje? O que MMDC tem a ver com a Revolução de 32?

Ah, um momento. Eu vou ver na Internet!

Sim, Internet com I maiúsculo, porque estamos falando de uma entidade! Um oráculo disponível 24 horas que tem a solução universal para todas as respostas em tempo recorde.

Não importa o assunto que abordamos ou com quem conversamos, a verdade é que cada vez mais essa atitude vira hábito (ou vício?) e se incorpora em nossa rotina como fato natural e inofensivo.

É ótimo e confortável acessar diversas fontes de informações a qualquer hora, lugar e momento; mas é importante entender que não podemos depender apenas desse mecanismo para gerar, manter e agregar conhecimento.

Com alguns cliques já temos as respostas para todas as perguntas do primeiro parágrafo e comentaremos sobre com total segurança, porque “vimos na Internet”. Correto?

Atenção! Na ânsia da busca impulsiva e compulsiva pela informação, às vezes esquecemos que a rede disponibiliza uma infinidade de fontes que nem sempre são 100% confiáveis.

Com conteúdo explodindo de diversas maneiras em redes sociais, sites, blogs, vídeos, podcasts, aplicativos, feeds e afins; fica moroso e até estranho pensar em recorrer ao material didático clássico. Livros, teses, pesquisas de campo ou orais são técnicas consideradas arcaicas e desatualizadas pela maioria.

Acompanhando esse ritmo, é recorrente no círculo pedagógico o recebimento de trabalhos escolares ou acadêmicos que são fundamentados em fontes de pesquisa “ctrl c ctrl v”, uma tendência que induz sutilmente ao plágio. Essa facilidade seduz pela otimização do tempo aliada ao esforço zero e oferece aquela falsa sensação de eficiência, impedindo que etapas fundamentais do aprendizado sejam vivenciadas.

Na realidade essa postura acarreta diversos impactos na capacidade cognitiva. Extingue a expansão e o enriquecimento do vocabulário, impede a leitura com visão analítica, interfere no desenvolvimento da memorização, não fomenta a criatividade e diminui a celeridade do cérebro para criar pontes e assimilar os conteúdos. Mas…

Virtualmente a palavra de ordem é informação! O hit é ser informado, conectado, seguido, compartilhado. Tornou-se hype o ímpeto de retransmitir toda informação que temos acesso, seria o vestígio de um futuro molde para “terceirização de opinião”? Assim teríamos parte de nossas conversas abastecidas por temas impostos subliminarmente.

Seguindo o fluxo, acessamos e lemos, mas não absorvemos. Se amanhã for preciso lembrar a informação, a maioria não pensaria em parar para pensar ou “puxar pela memória” (isso é coisa do passado?)

Com o cenário on-line provido de alternativas e um grande leque de conteúdo a disposição, vivenciamos assim um processo que não induz a absorvermos profundamente.

Então o que importa é ser atual, mesmo que superficial? E para muitos, isso é atributo para ser dinâmico!

Antes de rechearmos nossas convicções com opiniões de alguém que pode ter escrito e não lido ou apenas copiado e colado, sejamos sensatos. Acabamos como divulgadores ou espectadores, funcionando como instrumento de eco para quem acessa uma memória de curto prazo.

Conhecer a qualidade e idoneidade da fonte da informação é imprescindível, e deve ser preocupação inicial para estruturarmos nosso conhecimento em bases sólidas e permanentes.

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