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Mercado De Trabalho Sofre De Escassez Crônica De Talentos

O mundo está diante de um paradoxo econômico: enquanto muitos países registram um alto e crescente índice de desemprego, as empresas continuam se queixando da escassez de profissionais com competências desejadas em cargos cruciais. Mas como entender esse descompasso?

Um estudo das consultorias HAYS e Oxford Economics lista algumas explicações para esse fato, como a inflexibilidade do mercado de trabalho – percebida na legislação trabalhista ou nas políticas e práticas das companhias –, a competição global por talentos – que dispara os índices salariais – e uma fraca ou inadequada educação e treinamento de profissionais.

As consultorias chegaram a essa conclusão ao elaborar um termômetro do mercado de trabalho mundial, observando 27 grandes economias, inclusive a brasileira.

Dezesseis países analisados apresentam algum nível de dificuldade em encontrar o profissional desejado, mesmo com a desaceleração econômica global. Isso causa inflação salarial e deixa muitas vagas em aberto por causa da falta de pessoas com as capacidades necessárias para preenchê-las.

Alemanha e Estados Unidos, por exemplo, são os mais afetados por esse dilema. Nesses dois países existem consideráveis falhas na disponibilidade de talentos. Por outro lado, muitas das economias na Zona do Euro, que estão com mercado de trabalho numa situação instável – como Itália e Bélgica – registram os níveis mais baixos de dificuldade de contratação de profissionais capacitados.

O estudo mostra que o maior desafio do Brasil está na dinâmica do seu mercado de trabalho. A inflexibilidade, juntamente com a emigração de brasileiros, mostra que os empregadores do país têm muita dificuldade em contratar.

Plano de ação – três pontos cruciais
Para driblar a incompatibilidade entre demanda e oferta de profissionais capacitados, o relatório da HAYS propõe um plano de ação de longo prazo composto por três pontos. Primeiro, os governos devem identificar as lacunas de capacitação em seus mercados e tomar medidas apropriadas para atrair profissionais por meio de uma imigração orientada – em muitos casos, isto geraria uma revisão de vistos de trabalho e demais burocracias.

O segundo ponto sugere que os empregadores recebam incentivos fiscais para treinar e capacitar melhor seus funcionários. Por fim, os governos devem atuar em parceria com empregadores e autoridades do campo da educação para adotar medidas que atraiam e incentivem jovens a buscar formação em áreas com mão de obra em falta naquele país ou em nível internacional.

DISPONIVEL EM http://revistavocerh.abril.com.br/materia/mercado-de-trabalho-sofre-de-escassez-cronica-de-talentos

Por: Mayra Santos

Especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário e em Docência no Ensino Superior Articulista da obra Temas atuais da seguridade social publicada pela editora LTr

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