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Não Dê Desculpas


Recordando
meu período de escola primária e ginasial, sempre vem à minha mente sua
determinação e garra, que  naqueles anos de 1955 e seguintes, em tudo
que se propunha fazer, chegava lá.  Leu a bíblia por mais de uma vez,
incluídos aí o velho e novo testamento. Meditava e discutia as mensagens
sempre atualizadas do livro mais famoso e importante do mundo.

Um
devorador, assim o chamava seu irmão mais velho, quando lhe encaminhava uma
literatura qualquer.  Assinava e mantinha sua coleção da revista o
CRUZEIRO, ouvia seu rádio com frequência assídua e se mantinha informado
sobre tudo em termos de conhecimento geral. Exímio enxadrista, derrotando
os campeões de torneios locais, que conseguia fazer chegar até ele para um
confronto amigo.

Quando
de minhas dificuldades nas matérias escolares, fossem elas português,
matemática ou geografia, ali estava ele com suas mãos estendidas e seu
olhar humilde passando suas lembranças e experiências, me tranqüilizando
e ensinando.

Por
ocasião de provas finais, e muitas vezes isto aconteceu, de madrugada,
lendo em voz alta, ali estava ele, ouvindo e discutindo os entendimentos que
me faziam aprender, sempre derivados de palavras simples, mas convincentes,
alentadoras, me impulsionando na AUTO CONFIANÇA que tanto precisava.

Estudou
eletrônica, montou rádios na época em que não se conhecia os
transistores,  e as bobinas tinham que ser criteriosamente construídas
contando cada espiral em seu enrolamento. Manejava com precisão o ferro de
solda e ligava cada terminal com segurança de quem já sentia e via seu
projeto final realizado.

Não
época de colheita do feijão, lembro bem de uma em que não foi possível a
colheita a tempo de evitar a chuva e a safra foi comprometida com muitas
sementes brotando e para a venda teriam que ser removidas todas as sementes
brotadas. Foi um duro momento em que juntávamos todos nós na cata das
sementes brotadas para entregar o produto limpo aos compradores. E ele era o
que mais produzia. Alegre, não tinha voz afinada mas gostava das cantorias
que envolvíamos naqueles momentos. Minha mãe fazia parte e minha vó também.

Meu
pai, tropeiro, na sua luta brutal, estava presente algumas noites, depois de
sua jornada no transporte da colheita vindo de várias partes da região.

FORAM
MOMENTOS MUITO FELIZES.

ELE:
Ilídio Luiz Soares, de quem me refiro, não conheceu o sabor de andar,
porque acometido de poliomielite deste os 2 anos permanecia assentado. Tinha
seus braços limitados e de musculatura fraca, o direito com maior limitação
não tinha como ser erguido nem esticado. Suas pernas sempre recolhidas e
dobradas. Freqüentou às custas do sacrifício dó irmão mais velho, por
menos de 2 meses, a escola primária. Andava de cotovelo e joelhos apoiados.

Com
todas as limitações conhecidas foi um homem que não amaldiçoou a vida e
tinha sempre uma palavra de conforto e um estímulo de realização.

Layr Malta

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