Artigos

O Advogado E O Cha

Quando saí da faculdade de Direito, pensei que o conhecimento técnico do advogado seria proporcional aos seus resultados. E ponto. Então, bastaria ter um bom conhecimento técnico que, consequentemente, viriam os clientes, o reconhecimento profissional, a recompensa financeira. E creio que não era a única a ter essa crença, pois até hoje vejo pessoas entrando e saindo de cursos e pós-graduações com o único objetivo de agregar título e conhecimento.

Não sei se os tempos mudaram ou se minha percepção passou a acompanhar o mundo, mas hoje vejo que advogados que possuem um excelente conhecimento técnico e nem sempre estão acompanhados de clientes, reconhecimento profissional e recompensa financeira.

Creio que certo esteja Napoleão Hill ao afirmar que o sucesso profissional se deve, não só ao conhecimento, mas também às habilidades e às atitudes. Segundo pesquisa por ele realizada entre 1908 e 1928, com mais de 16 mil pessoas, o autor conclui que o sucesso profissional deriva:

• 15% do Conhecimento;
• 25% das Habilidades; e,
• 60% das Atitudes do profissional.

Presume-se, ou pelo menos essa deveria ser a regra, que o advogado possua conhecimento técnico suficiente para exercer sua profissão. Mas não só conhecimento jurídico. No cenário competitivo atual, cada vez mais se exige conhecimento do negócio do cliente, tanto para um atendimento mais eficiente e eficaz, quanto para a uniformização da comunicação e até para o oferecimento de seu serviço.

Quanto às habilidades, estas derivam da experiência, da repetição, da prática, do saber fazer. Então, quanto mais horas de voo o profissional possuir com relação à determinada tarefa, mais habilidoso ele se torna.

As atitudes dizem respeito ao querer fazer com foco no resultado que envolva o conhecimento e as habilidades apreendidas. Traduz comportamento e, por isso, traz em si o conjunto de pensamentos e sentimentos do profissional diante do ambiente, situações e pessoas com as quais interage.

Crenças, valores, propósitos e princípios são fatores determinantes em nossos pensamentos e como nos sentimos com relação ao que nos acontece e, consequentemente, como nos comportamos diante dos fatos. E diante dessa abrangência e subjetividade, tem-se a razão dos 60% responsáveis pelo sucesso.

Existem pessoas que querem muito determinado objetivo. Estudam, se dedicam e se esforçam. No entanto, parecem jamais fazer a coisa determinante para alcançar o resultado desejado. Você já presenciou essa situação? Pior, parecem fazer sempre coisas desconexas com o objetivo pretendido.

Esse é o exemplo da falta de congruência entre a atitude e aquilo que o profissional entende como “seu” sucesso profissional. É o desalinho entre o que o deve ser feito e o que o advogado pode fazer (segundo sua estrutura interna). E a explicação é justamente a subjetividade que impulsiona as atitudes.

Daí a importância da gestão de carreira, onde o profissional tem a oportunidade de alinhar seus valores, propósitos e características com as opções que a profissão lhe oferece. A partir de então, qualquer objetivo escolhido passa a ser coerente com a integralidade do profissional. Estabelecida coerência, se torna possível melhorar o que pode ser melhorado: substituir crenças, eliminar bloqueios e abrir caminho para ações estratégicas, que o levarão ao seu próprio conceito de sucesso profissional.
Sua carreira é uma parte de você e é sua. Cuide do que é seu e se realize.

Juliana Caldeira é advogada, coach e especialista em gestão de carreira para advogados.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of