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O Assédio Moral No Ambiente De Trabalho

Em todo o mundo, muito tem se debatido sobre a implicação de alguns aspectos que interferem na qualidade de vida das pessoas nas organizações.

E neste contexto, surge um tema cada vez mais comentado e recorrente no mundo do trabalho – o assédio moral.

Entendendo que o assédio moral constitui-se numa conduta abusiva, manifestada através de comportamentos, palavras, atos, gestos escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, por em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho.
E as conseqüências deste ato são a diminuição da produtividade, favorecimento do absenteísmo, desmotivação e a permissividade a um ambiente de trabalho nocivo, devido aos desgastes psicológicos ocasionados.

Muita energia tem sido investida em lutar contra este fenômeno que tem povoado as organizações no mundo inteiro. Atribui-se a este comportamento organizacional, algumas características, tais como: relações autoritárias, desumanas e aéticas, onde predomina os desmandos, a manipulação do medo, a competitividade, etc.

Sabemos que, com a reestruturação e reorganização do trabalho, novas características foram incorporadas às atividades profissionais: máxima qualificação, polifuncionalidade, visão sistêmica do processo produtivo, rotação de tarefas, autonomia de equipes, dentre outras demandas.

Exige-se dos trabalhadores, maior escolaridade, competência, eficiência e eficácia, espírito competitivo, criatividade, qualificação, responsabilidade pela manutenção do seu próprio emprego, dentre outras competências. Diante de toda esta engrenagem organizacional, emergem situações degradantes no ambiente de trabalho – culminando no assédio moral, fato que tem permeado muitos ambientes produtivos.

No entanto, o que vale refletirmos é que de nada adianta esta deflagração de luta contra este fenômeno sem atentarmos para o pano de fundo que envolve tal questão.

Muito tem se pregado sobre a solução para esta prática perniciosa através da aplicação de penalidades para os agressores. Será que a aplicação de penalidades resolveria o problema?

Acredito que uma legislação com penalidades não resolve o problema do assédio moral nas organizações. Recorrer também à força sindical, evidenciará a superficialidade a qual estaremos submetendo a questão, pois poderá haver comportamentos e sentimentos velados, não manifestos e o clima organizacional poderá ficar mascarado, tendo em vista a força maior que é a perda do emprego.

Necessário se faz maior assertividade no processo de formação das equipes de trabalho, pois os aspectos vinculados à formação de equipes influenciam diretamente na ambiência organizacional.

Esta realidade do assédio moral no mundo do trabalho, nos oferece possibilidades para revisão de muitas práticas organizacionais, dentre elas a gestão de pessoas. Verificamos que o processo de gestão de pessoas na organização vem passando por uma ampla evolução nas últimas décadas, no entanto em muitos contextos da atualidade ainda há uma indicação de práticas reducionistas e utilitárias, em que o ser humano deve servir à organização e este é o pano de fundo que suscita o assédio moral.

É preciso que as organizações, através dos seus gestores, aprendam a promover condições saudáveis em torno de equipes e processos de trabalho, pois, estas ações constituem-se no grande alicerce para o alcance dos resultados organizacionais e da promoção de uma ambiência saudável.

Sabemos que o problema do assédio moral é cada vez mais crescente nas organizações em todo o mundo, o que leva a ambiência organizacional se tornar nociva, acarretando uma série de conseqüências negativas nas relações de trabalho.

É notória a necessidade de novas ações para a resolução deste problema, pois o maior prejudicado na situação é o ser humano. E como se trata de um problema humano, deve ser tratado considerando-se os aspectos comportamentais que compõem tal situação.

É premente a conscientização de que a coerção, penalidade e punição não resolverão o problema. Necessário se faz perceber que diante das novas demandas no universo organizacional, evidencia-se cada vez mais a importância da disseminação de práticas de gestão de pessoas mais humanizadas, onde seja possível compatibilizar a orientação para processos e também para as pessoas.

Pode parecer uma solução simplista, mas acreditamos que se os princípios de humanização na gestão forem levados em consideração, haverá a evidência de ambientes de trabalho mais saudáveis.

Jacqueline Cerqueira
Consultora Organizacional
www.holos.pro.br

Por: Holos

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