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O Desenvolvimento Sustentável como Diferencial Competitivo das Empresas

Existem vários fatores motivadores para a adesão ao movimento do Desenvolvimento Sustentável nas empresas, uma nova maneira de enxergar o mundo e de conduzir negócio, também conhecida por Sustentabilidade ou Responsabilidade Social Empresarial (RSE).
Um dos motivadores é a legislação ou normas regulamentadoras. Acontece quando o legislativo ou outros organismos regulamentadores determinam, restringem ou impõem condições aos procedimentos, à ocupação de áreas, ao uso de insumos, etc. afetando o funcionamento das empresas.
Outro motivo tem a ver com a imagem da empresa e geralmente surge como uma campanha de marketing. Afinal, toda empresa quer ser reconhecida como uma “empresa verde” e com isso ter o reconhecimento do público, aumentar a aceitação de seus produtos ou serviços e, no melhor dos mundos, poderem aumentar sua rentabilidade através do aumento de preços, já que elas sabem que “produtos verdes” tem maior valor agregado.
Um terceiro motivo é a imposição do mercado. Inúmeras pesquisas, no Brasil e no exterior, mostram que os consumidores estão cada vez mais exigentes e não abrem mão de saber as condições em que são concebidos os produtos ou serviços que consomem. Tipo de insumos utilizados; consumo de energia, consumo de água e de outros recursos naturais; uso de mão obra adequada, condições disponíveis aos trabalhadores; impactos sociais e ambientais na área de influência da empresa, tanto no entorno da própria empresa ou nos locais de produção ou extração de matérias primas, ou ainda nas localidades fornecedoras de mão de obra, como no caso dos trabalhadores no corte da cana de açúcar no estado de São Paulo. Em alguns casos, a matéria prima ou a mão de obra vem de milhares de quilômetros de distância, aumentando significativamente a área de influência e, portanto, a responsabilidade das empresas.
Estes três motivadores para a adesão ao desenvolvimento sustentável não são os únicos e tampouco são indesejáveis, afinal eles inserem a empresa em um movimento que não tem mais volta, contudo, por serem reativos, tratam o desenvolvimento sustentável como um encargo para a empresa, uma vez que a adequação às leis e normas, as grandes campanhas publicitárias e o compromisso de mostrar ao consumidor aquilo que, eventualmente não é sistemático na empresa, expõem a riscos e a custos financeiros indesejados.
Não é possível permanecer fora desse movimento. Negar o desenvolvimento sustentável e seus benefícios para o planeta e para a sociedade equivale a decretar a falência da empresa pela falta de competitividade em custos e de reconhecimento do mercado.
A solução é inserir o componente Desenvolvimento Sustentável nos planos estratégicos da empresa, de maneira transversal e não mais relegando a um papel secundário como acontece na grande maioria das empresas brasileiras e, o que é melhor, ganhar muito dinheiro com isso!
Os benefícios são inúmeros. Quando a sustentabilidade é intrínseca ao negócio, o atendimento à legislação e às normas regulamentadoras acontece de maneira muito mais natural e influencia diretamente na redução dos riscos de multas, passivos trabalhistas, redução dos prêmios de seguro, além de reduzir o custo de controle, pois, serão práticas sistematizadas e disseminadas por toda a empresa.
Ampliando a visão sobre o aspecto trabalhista, o desenvolvimento sustentável nas empresas é muito útil ao possibilitar o desenvolvimento das práticas do bem estar social de dentro para fora, ou seja, ao trabalhar de forma crítica e técnica os níveis de absenteísmo, turnover, acidentes de trabalho, reclamações trabalhistas, entre outros. Os líderes terão como retorno imediato o aumento da produtividade pela redução do absenteísmo e dos acidentes de trabalho, a diminuição nos custos inerentes ao alto turnover, como os ligados à demissão, contratação e treinamento, melhores relações com sindicatos, além de uma grande evolução no clima organizacional e na motivação das pessoas. Esses fatores influenciam diretamente na produtividade e na percepção positiva do mercado.
Incluir o desenvolvimento sustentável na estratégia da empresa é uma atitude inteligente e sensata dos líderes empresariais, pois, além de uma significativa redução de custos que pode ser aferida imediatamente, possibilita benefícios de médio e longo prazo que passam pela criação e desenvolvimento de novos produtos através de tecnologias limpas. Favorece a integração e as negociações com os stakeholders nos processos e negócios por meio de práticas éticas e transparentes; alcança grande valorização da marca e da empresa como um todo pelo comprometimento com temas de relevância incontestável como aquecimento global, destruição de recursos naturais e pobreza, temas que alguns ainda acreditam ser de responsabilidade exclusiva do governo e seus órgãos específicos.
Gestão estratégica e liderança sustentável, com estes ingredientes se constroem hoje as empresas que o planeta e a sociedade precisam.

Luiz Eduardo Neves Loureiro e José Venâncio Monteiro, diretores da Monteiro Associados, soluções sustentáveis em liderança e gestão.

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