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O Equilíbrio Emocional Do Líder


O equilíbrio psico-emocional está diretamente
ligado ao sucesso profissional, especialmente dos profissionais que ocupam
cargos de liderança. Isso ficou bem mais evidente após a introdução do termo
“Inteligência Emocional”, que seria uma síntese da Inteligência
Interpessoal (habilidade de entender outras pessoas, o que as motiva, como
trabalham e como atuar cooperativamente com elas) e da Inteligência Intrapsíquica
(entendimento do próprio eu com elevado grau de autopercepção e
autoconhecimento). Nesse artigo, quero abordar o fato é que o controle das emoções
não é fator essencial apenas para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo:
é também essencial para alcançar a excelência em termos de comportamento
gerencial.

Um líder emocionalmente equilibrado não reprime suas emoções. Ele aprende a
administrá-las de modo a liberá-las na hora certa, com a pessoa certa e da
forma mais adequada possível. Consegue se acalmar quando está nervoso, se
automotiva e têm uma razoável percepção de si e dos outros. Pode-se dizer
que se trata de um profissional protegido pelo otimismo e pela esperança, com
positivas expectativas de que as coisas darão certo, apesar dos reveses e das
dificuldades. São atitudes como essas que o impede de se tornar apático,
desesperançoso ou deprimido, sendo facilmente reconhecido no perfil dos
melhores profissionais da sociedade contemporânea.

Alguns gerentes são muito inteligentes e bem equilibrados emocionalmente.
Outros não conseguem manter esse equilíbrio, valendo-se de suas capacidades
intelectuais na gestão de suas equipes, via de regra acarretando constantes
entraves nos relacionamentos entre os membros dessas equipes, com desgastes no
clima organizacional e perdas na produtividade. O grande desafio, portanto, é
entender como se complementam o equilíbrio emocional e a capacidade intelectual
dos gerentes. A inteligência não é garantia de bom desempenho se a pessoa não
for preparado para manter o seu equilíbrio psico-emocional. A competência
global denota um redirecionamento da agressividade para a ação produtiva,
aproveitando oportunidades e desafios, e dando, também, aos que o cercam,
oportunidades de crescer e desenvolver as próprias habilidades. O raciocínio
pode fazer com que gerentes sejam admitidos, mas é o seu equilíbrio emocional
o responsável por suas promoções e encarreiramento.

Pesquisas indicam que os gerentes com alto quociente de inteligência, mas com
baixo ou modesto equilíbrio emocional, tendem a ser altamente efetivos em domínios
racionais, mas correm o risco de tratar suas equipes de modo inadequado, sendo
insensíveis, arrogantes e inaptos em seus relacionamentos. Os gerentes
superequilibrados e de capacidade intelectual mediana, tendem a ser leais e
confiáveis, com integridade e empatia, persistentes, conscientes e queridos
pelas seus subordinados (o melhor, entretanto, seria ter altos níveis desses
atributos). As pesquisas indicam, também, que o homem de alto nível de inteligência
é ambicioso e produtivo, previsível, inibido e com grandes possibilidades de
ser emocionalmente frio. Em contraste, os homens que mantém o controle
emocional são socialmente equilibrados, comunicativos e animados, não
alimentam receios ou preocupações; eles têm uma notável capacidade de
assumir responsabilidades e terem uma visão ética, revelando-se solidários e
atenciosos em seus relacionamentos. Por sua vez, as mulheres muito inteligentes
são fluentes na expressão de suas idéias, valorizam o intelecto e o senso estético,
mas tendem a ser introspectivas, inclinadas à ansiedade e à culpa, raramente
tendo explosões de raiva: são comedidas nesse aspecto. As mulheres bem
equilibradas emocionalmente, ao contrário, sentem-se positivas em relação a
si mesmas; como os homens, são comunicativas e gregárias e adaptam-se bem à
tensão; sentem-se suficientemente à vontade consigo mesmas para serem espontâneas
e raramente sentem ansiedade ou culpa.

Com isso, quero dizer que o equilíbrio emocional não é algo fácil de ser
obtido nem é uma questão genética: é algo que se aprende e que pode ser
melhorado por meio de treino, esforço e persistência. Para tanto, o líder têm
de identificar exatamente o que quer alcançar, e tornar-se diligente a ponto de
identificar as situações nas quais costuma cair em velhos hábitos e associá-las
a uma reação produtiva. Ao realizar esse tipo de exercício analítico
firmemente por algumas semanas ou meses, a pessoa poderá substituir os hábitos
que deseja eliminar por outros que acabam se tornando automáticos. Um bom
processo terapêutico pode acelerar o autodesenvolvimento, assim como relações
afetivas estáveis e gratificantes, programas de desenvolvimento gerencial,
viagens, exposições internacionais, multiplicidade de interesses, teatro,
cinema, lazer, etc. Ou seja, uma vida rica, estimulante e diversificada faz com
que as pessoas se mantenham intelectual e emocionalmente ativas, felizes e saudáveis.

Se você pretende desenvolver um esforço pessoal para tornar-se um líder
emocionalmente equilibrado, procure desenvolver as seguintes competências:

Autoconsciência: observar-se e reconhecer os próprios sentimentos;
formar um vocabulário para os sentimentos; saber a relação entre pensamentos,
sentimentos e reações.
Tomada de decisão pessoal: examinar suas ações e conhecer as conseqüências
delas; saber se uma decisão está sendo governada por pensamento ou sentimento.
Lidar com sentimentos: monitorar a “conversa consigo mesmo”
para surpreender mensagens negativas como repreensões internas; compreender o
que está por trás de um sentimento; encontrar meios de lidar com medos e
ansiedades, ira e tristeza.
Lidar com tensão: aprender o valor de exercícios e métodos de
relaxamento.
Empatia: compreender os sentimentos e preocupações dos outros e adotar
a perspectiva deles; reconhecer as diferenças no modo como as pessoas se sentem
em relação a fatos e comportamentos.
Comunicações: falar efetivamente de sentimentos; tornar-se um bom
ouvinte e perguntador; distinguir entre o que alguém faz ou diz e suas próprias
reações ou julgamento a respeito; enviar mensagens do “Eu” em vez de
culpar.
Auto-revelação: valorizar a franqueza e construir confiança num
relacionamento; saber quando é seguro arriscar-se a falar de seus sentimentos.
Intuição: identificar padrões em sua vida e reações emocionais; reconhecer
padrões semelhantes nos outros.
Auto-aceitação: sentir orgulho e ver-se numa luz positiva; reconhecer
suas forças e fraquezas; ser capaz de rir de si mesmo.
Responsabilidade pessoal: assumir responsabilidade; reconhecer as conseqüências
de suas decisões e ações; aceitar seus sentimentos e estados de espírito; ir
até o fim nos compromissos.
Assertividade: declarar suas preocupações e sentimentos sem ira nem
passividade.
Dinâmica de grupo: cooperação; saber quando e como conduzir e ser
conduzido.
Solução de conflitos: saber lutar limpo com outras pessoas; adotar o
modelo vencer/vencer para negociar acordos.

* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo, consultor de empresas,
“coach” e “headhunter”, conceituado entre os melhores
apresentadores por sua reconhecida experiência em treinamentos voltados ao
comportamento gerencial e ao desenvolvimento de líderes, equipes e outros
diversos temas. Diretor da CONSENSOrh.

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