Artigos

O Indivíduo-pessoa E A Pessoa-profissional

O comportamento do ser humano na situação
trabalho é a expressão manifesta das percepções que faça da realidade como
indivíduo. Identificar a dinâmica dos valores, crenças, opções éticas,
necessidades, aspirações, expectativas, conhecimentos e interesses que
delineiam essas percepções é condição necessária – se bem que não
suficiente – para que o líder se torne capaz de imprimir maior objetividade
à sua ação gerencial.

O mundo das percepções condiciona preponderantemente o comportamento. Assim,
se o líder pretende tornar o seu desempenho mais efetivo, agregador e
colaborativo, integrador e facilitador do trabalho em equipe, ele precisa
identificar, compreender e administrar, antes de tudo, as teorias e conceitos
– conscientes ou não – que o embasam, desenvolvidos paulatinamente através
de vivências e experiências pessoais que o tornaram um ser humano singular,
exclusivo. O conceito pessoal que o líder tem da vida e da natureza do homem,
as expectativas que desenvolve pela convivência com os outros e sua auto-percepção
definem as fontes e os limites da forma como se comporta na vida social e no
trabalho, na família e no conjunto da sociedade, exercendo os mais variados papéis.

As questões suscitadas pelo eu-oculto referem-se à pessoa enquanto tal,
dissociadas da representação de seu papel social. A capacitação do indivíduo
no desempenho de seu papel requer preliminarmente uma crescente percepção
objetiva da pessoa a respeito de si própria. Para ser competente como líder o
gerente precisa ser também competente como pessoa.

A explosão do conhecimento e a complexidade avassaladora das organizações são
imperativos da profissionalização da gestão. As organizações inteligentes não
podem fazer qualquer concessão ao amadorismo. Alguém já disse: “o único
que pode ser Amador é o Aguiar, do Bradesco”.

A profissionalização do líder significa a implementação de uma estratégia
educacional planejada e sistemática de desenvolvimento de conhecimentos,
habilidades e atitudes que levem a pessoa ao domínio da expertise profissional
enquanto gerente.

Se é verdade que a competência gerencial depende muito do indivíduo
competente enquanto pessoa, é também irretorquível que indivíduo
despreparado alcançará muito pouco por melhor que seja como pessoa humana. A
liderança precisa ser ensinada e aprendida.

É um equívoco comum julgar que somente investimentos em desenvolvimento
individual ou em desenvolvimento gerencial garantem, de per se, resultados ao
desenvolvimento das organizações.

Wagner Siqueira – Presidente do CRA/RJ

Por:

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of