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O ser humano e o meio ambiente

Começo este estudo conceituando as palavras: ecologia, meio ambiente, evolução sociocultural, natural, social e natureza. Segundo o site Wikipédia temos os seguintes resultados: a Ecologia é a ciência que estuda os ecossistemas, ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre seres vivos e/ou com o meio ambiente. A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos”, que significa casa, e “logos”, estudo. Logo, por extensão seria o estudo da casa, ou de forma mais genérica, do lugar onde se vive.

O meio ambiente comumente chamado apenas de ambiente, envolve todas as coisas vivas e não vivas ocorrendo na Terra, ou em alguma região dela, que afetam os ecossistemas e a vida dos humanos e na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente celebrada em Estocolmo, em 1972, definiu-se o meio ambiente da seguinte forma: “O meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.”

Evolução sociocultural é um termo-valise para teorias de evolução cultural e evolução social, descrevendo como culturas e sociedades se desenvolveram através do tempo. A maioria das abordagens do século XIX e algumas do século XX objetivavam fornecer modelos para a evolução da humanidade como um todo, argumentando que sociedades diferentes estão em etapas diferentes do desenvolvimento social.

Nova call to action

Já no dicionário Aurélio têm os seguintes conceitos sobre

NATURAL: que pertence ou que se refere à natureza, produzido pela natureza, ou de acordo com suas leis.
NATUREZA: conjunto das leis que presidem à existência das coisas e à sucessão dos seres. Força ativa que estabeleceu e conserva a ordem natural de quanto existe.

Como se percebe apenas com estas definições não se pode colocar o meio ambiente como uma simples preocupação com a ecologia ou mesmo uma preocupação com a natureza, pois o homem é a natureza e a natureza é o homem, ou seja, o meio ambiente envolve todas as coisas vivas e não vivas que habitam o planeta e nesta visão estão inseridos no ser humano e a natureza.

PANORAMA AMBIENTAL ATUAL

Passamos por anormalidade ambiental jamais presenciada pela humanidade acarretada pelo processo de poder adquirido pela raça humana. Porque todos os atos que fazemos tem uma deliberação posterior em nossas práticas, práticas estas que já não se encaixam na ética herdada de nossos antepassados, ou seja, parece que não temos noção, diante do poder que adquirimos, das reais consequências de nossos atos, em suma, parece que estamos perdidos, sem um norte.

Neste contexto é de suma importância o papel da educação ambiental como fonte de aprendizado e mudança de valores possibilitando assim ao “homem” uma visão de respeito à diversidade das raças, das culturas e porque não, da diversidade biológica, almejando uma reestruturação da sociedade no sentido de fortalecer as relações sociais (do homem com o homem) e do meio ambiente.

MUDANÇA DE POSSE

No livro “Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”, o autor dá uma demonstração do que deve ser mudado em nosso modo de “poder sobre as coisas”, quando diz: “Eu não apenas possuo algo ou partilho alguma coisa com outras pessoas. Eu sou e nós somos todas e todos responsáveis por aquilo que possuímos. Por tudo aquilo que partilhamos, que compartimos, que temos e vivemos individualmente ou em comum. Sou responsável pela minha vida. Isto é, pela Vida que vive em mim. E por isso me cuido com cuidado, cuidando dela? a Vida? em mim.”

Neste texto fica claro que o poder de posse percebido hoje pelo ser humano tem que mudar de foco, o que é meu pode ser apenas emprestado por uma parcela de tempo (por exemplo, enquanto eu viver) para continuar sendo de outros quando eu não estiver mais usando/utilizando, é o caso do espaço que ocupo no mundo para poder viver (é o ar, a terra, o céu, a água, as árvores, os animais), tudo isto é apenas um empréstimo das gerações futuras e as mesmas querem a devolução em bom estado de uso para que possam continuar usando.

MUDANÇA DE PARADIGMA

No modelo de sociedade que temos hoje se valoriza muito o ter? Conforto, poder, status. E neste contexto o ser humano já não tem muita importância, o caráter, o humilde, o simples. E nesta guerra não se pensa que os bens são naturais e como já vimos natural é o que pertence ou que se refere à natureza, produzido pela natureza, ou de acordo com suas leis, e na natureza os bens são finitos, são restringidos.

E deste modo é imperativo um novo paradigma aprimorado em transformações nas condutas moldadas às atuais condições da humanidade com o mundo e, principalmente, as que se referem a uma nova educação, tanto para prevenir, como para termos condições de modificar a maneira como vemos o planeta e as bases que regem a vida na sociedade econômica, que originaram e estão enraizando as condições que estamos presenciando hoje no mundo.

Neste ponto de vista cito Mészaros que afirma que o desenvolvimento sustentável somente será alcançado com uma efetiva “cultura da igualdade substantiva ou material” (justiça social), remetendo o debate para as causas estruturais da degradação socioambiental, ou seja, para o modo de produção capitalista (MÉSZÁROS, 2001).

Ou como diz CZAPSKI (2008) que afirma não ser somente uma questão de reduzir os impactos, de suavizar ou diminuir os estragos, de reduzir a produção do lixo, de cobrar pelo uso ou poluição da água, mas de propor uma mudança na forma de ver o mundo, a sociedade e os valores que realmente contribuem para a sobrevivência humana com qualidade de vida.

Pensar com responsabilidade pelo presente e pelo futuro, não só no curto prazo, mas numa perspectiva que supere a lógica de acumulação insustentável e para que isso aconteça precisamos partir dos conhecimentos que temos e do debate democrático para construir novos caminhos.

SOLUÇÃO NO BANCO ESCOLAR

Aqui faço uso de um trecho do livro do escritor José Carlos Libâneo “Didática: velhos e novos temas” que fala da grande chance que a escola tem nas mãos quando se defronta com características culturais dos alunos, que afetam sua participação nas aprendizagens. Também os professores são portadores de características culturais – seus saberes, seus valores, e seus quadros de referência, as formas com que lidam com a profissão, que marcam fortemente as práticas docentes. Há, na escola, um intercruzamento de culturas.

E continua dizendo que no mínimo, põe-se a necessária articulação entre o cognitivo, o social e o afetivo. O aspecto cognitivo diz respeito ao processo de aprendizagem de conhecimentos, procedimentos, valores. Mas os alunos são, também, sujeitos concretos, condicionados por culturas particulares e origem social, portadores de saberes de experiências. Na sala de aula os alunos vão constituindo sua subjetividade. O ensino envolve sentimentos, emoções.

O professor precisa conhecer e compreender motivações, interesses, necessidades de alunos diferentes entre si, ajudá-los na capacidade de comunicação com o mundo do outro, ter sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico, social e cultural do aluno.

E no meu ponto de vista, aproveitando este ensinamento que LIBANEO, sabiamente na fala, é que entra a Educação Ambiental juntamente com uma escola aberta aos anseios do aluno, democrática, participativa e acolhedora, respeitando o alunado e seu entorno, para que estes novos valores sejam introduzidos de maneira a produzir mudança de comportamento no trato com as questões do meio ambiente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como já ficou claro nas exposições feitas no decorrer do texto, compartilho com a ideia de que as preocupações com o meio ambiente não devem ser niveladas apenas às questões ecológicas e/ou à natureza, é preciso estender esta preocupação a todos os seres vivos e entender o planeta terra como um organismo vivo, onde todos os atores estão interligados uns aos outros e suas ações desencadeiam reações positivas ou negativas dependendo das decisões tomadas e essas reações tanto podem ser no presente, no amanhã ou daqui a 40 (ou tantos) anos.

Ou seja, nossa estada aqui (no planeta terra) é passageira e “… este é bem o momento em que podemos lembrar juntos um dizer muito bonito e que dá muito que pensar. Ele parece ter sido falado por um chefe de uma tribo indígena aqui das Américas. Ele é assim: Nós não herdamos nossa terra dos nossos antepassados.

Nós apenas a tomamos emprestada aos nossos filhos. E se nós quisermos pensar com uma coragem e uma ousadia semelhantes à do velho índio, poderemos dizer algo assim: Tudo o que é meu neste mundo faz fronteira e continua no que é seu, no que é de vocês. E assim, tudo o que é meu e é seu de alguma maneira é nosso também. É de todos nós!” (BRANDÃO, 2005)

por Nelma Lina de Almeida Castro

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECK, Ulrich; GIDDENS, Anthony; LASH, Scott. Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo: Editora UNESP, 1997.

BRANDÃO, C. R. Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos: escritos para conhecer, pensar e praticar o município educador sustentável. Brasília: MMA, Programa Nacional de Educação Ambiental, 2005.

CASTRO Krishna N. V. Comitê para integração da bacia hidrográfica do rio paraíba do sul ? ceivap: um campo sócio político ambiental em disputa. Tese de Mestrado em Ciências, no PPG de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. UFRRJ/ICHS, 2008. Disponível em:
. Acessado em 18/01/11.

CZAPSKI, Silvia. Reflexões, Desafios e Atividades: mudanças ambientais globais: pensar + agir na escola e na comunidade. Brasília: MMA, Ministério da Educação, 2008. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/24015968/MEC-reflexao-desafio. Acessado em 18/01/11.

LIBANEO, J.C. Didática: novos e velhos temas. Disponível em:
. Acessado em 18/01/11.

MÉSZÁROS, István O desafio do desenvolvimento sustentável e a cultura da igualdade substantiva. Cúpula dos Parlamentos Latino-americanos, Caracas, 2001. Disponível em: . Acessado em 18/01/11.

Minidicionário Brasileiro? Aurélio, 2000.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:P%C3%A1gina_principal. Acessado em 18/01/11.

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