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O Mundo Em Transformação – O Paradigma Da Ameaça Versus A Oportunidade


“O que é, exatamente por ser tal como é, não vai ficar tal como está”

Inicio este artigo com a frase de Bertold Brecht, por acreditar que há situações na vida humana que são incontestáveis. Um exemplo é a mudança. Quase todas as pessoas sabem que o processo de mudança que o mundo vem passando é inevitável, mas muitos ainda lutam contra ela. É incrível como tem gente que faz de tudo para fugir da mudança. A maior delas ocorre na nossa própria vida. As pessoas nascem, crescem, passam pela adolescência, maturidade, velhice e morrem. Eduardo Soto diz que viver é ter a opção de aproveitar as circunstâncias do ambiente ou não aproveitá-las. Viver é escolher. Escolher entre mudar ou seguir como antes. E ainda assim há pessoas que preferem a acomodação.

A razão das mudanças nos seres humanos é a perfeição, a pessoa muda para ficar melhor em diferentes aspectos da vida.

Se fizermos um breve retorno na história da humanidade veremos que mudar sempre foi a tônica da civilização. Em busca de alimento, abrigo, segurança e adaptação climática os primeiros habitantes mudavam seu habitat ou de local.

A construção das cidades, da sociedade e do mundo como conhecemos hoje é fruto de muitas experiências bem e mal sucedidas. Para tudo isso o homem precisou rever sua forma de agir e interagir como meio. Necessitou mudar seu comportamento, suas atitudes, seus pensamentos, suas crenças e suas idéias.

No mundo corporativo não é diferente. Atinge o sucesso àquele que diante das mudanças atua como agente de transformação. Cria, pensa soluções inovadoras para os mais variados problemas organizacionais. Mas também faz.

Viver é estar diante do paradigma ameaças versus oportunidades. Toda mudança vai trazer a ameaça do novo, do medo, do desconhecido, do ridículo, do falível. Trará também a oportunidade da experimentação, da inovação, da glória, do sucesso, da curiosidade, da espontaneidade e originalidade.

O que faz a diferença é a escolha que fazemos: ameaça ou oportunidade?
Para ser um verdadeiro agente das mudanças e buscar as oportunidades são imprescindíveis alguns atributos pessoais como: coragem, visão e senso de realização.

A coragem serve para promover a mudança e mais ainda para rever os rumos do processo. É o impulso necessário para que algo seja feito, mesmo que isso contrarie tudo e a todos. Isso me faz lembrar a história de Bill Gates que teve coragem de popularizar o uso do computador. Em uma época tomada por grandes corporações ele arriscou mudar o cenário até então previsto por muitos consultores e deu certo. Coragem que nunca lhe faltou, mesmo depois de reconhecido internacionalmente mantém sempre esta atitude em alta para inovar sempre.

Outro ponto importante é a visão. Ela tem papel fundamental para que o processo de mudança não se perca pelas críticas e diversas possibilidades que surgem em meio ao processo. Mudar sem saber para onde é o mesmo que não sair do lugar. Diz um ditado grego que aquele que não sabe para onde quer ir qualquer caminho serve. É necessário que toda mudança tenha um objetivo claro: crescimento pessoal, lucratividade, erradicação de falhas na produção, desburocratização, qualidade total, melhoria nas relações internas, etc.

Este aspecto me faz lembrar de uma história sobre um cientista e seu filho. Ele era uma pessoa preocupada com o destino do mundo e ocupava-se pensando e estudando formas sobre como mudar ou melhorar a situação atual.

Seu filho de seis anos – como toda criança nesta tenra idade – era extremamente curioso e inquieto e estava decidido a ajudar o pai. O pai tentava se concentrar em seus estudos, mas o menino tomava-lhe muito tempo com perguntas e interrupções constantes. O homem então pensou em uma maneira infalível para ter um pouco de sossego e concluir seus estudos. Procurou algo que pudesse distrair o menino e encontrou o mapa do mundo, justamente o que procurava. Recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:
– Filho, você gosta de quebra-cabeça? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo em pedaços, quebrado. Veja se consegue consertá-lo certinho! E faça tudo sozinho. 

Com isso, avaliou que a criança levaria dias para terminar o quebra-cabeça. Entretanto, passado pouco tempo depois, ouviu a voz do filho que o chamava novamente:

– Pai, pai, já fiz tudo! Consegui terminar tudo sozinho! 

O homem ficou perplexo! Seria impossível na sua idade conseguir refazer um mapa que jamais havia visto. O cientista exclamou:

– Deixei um quebra-cabeça que eu mesmo levaria dias para terminar e como você terminou tão rápido? Você nem sabia como era o mundo.

– Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Tentei juntar os pedaços do mapa, mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem: virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo…

Por fim e não menos importante está o senso de realização. Sem ele é como se tivéssemos uma grande vontade de fazer, sabermos o que e como fazer, mas não fazemos. Conheço pessoas que vivem sonhando com um emprego melhor, um salário maior, mais qualidade de vida, um grande romance e não o encontram. O que falta a elas é continuidade em suas ações. Muitas vezes tomam o primeiro passo e não seguem adiante, deixam escapar uma oportunidade e desistem.

O senso de realização difere da coragem justamente no ponto em que a coragem nos impulsiona a agir. Agora, para que haja resultado, é necessário persistir, manter um ritmo, ou melhor, ter um forte senso de realização. Este é o verdadeiro motor da mudança: atitude!

Para concluir deixo uma frase de Lewis Platt: “A boa notícia é que a mudança sempre traz oportunidades. Sempre há muitas oportunidades para compensar as ameaças”.

Rogério Martins
rogerio.martins@personaconsultoria.com.br 
Graduado em Psicologia e possui Pós-Graduação em Recursos Humanos e Psicodrama

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