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Em tempos de pandemia, o papel do mentor requer novas habilidades e domínio na interação humana

papel do mentor

Há pouco menos de dois anos, as empresas viam a mentoria apenas como uma orientação de carreira e auxílio ao profissional em aspectos muito específicos e atrelados à metas de seu cargo, como performance e desenvolvimento. Mas, nesse caso, qual é o papel do mentor em tempos de pandemia?

Recentemente – sim, mais uma mudança decorrente da pandemia – a mentoria não aborda apenas a carreira, mas também aspectos da vida pessoal do mentorado envolvendo família, questões emocionais, financeiras, entre outras. A pandemia acelerou processos tecnológicos e os novos modelos de trabalho, mas também a necessidade de falar sobre questões pessoais no ambiente corporativo por estarem mais misturados do que nunca, já que muitos estão trabalhando em regime home office.

Nova call to action

Por isso, tópicos de sua vida privada aparecem de maneira natural, uma vez que têm influenciado diretamente no desempenho profissional.

Quando no papel de mentorada, poucas foram as oportunidades em que me senti à vontade para compartilhar alguma questão relacionada à minha vida fora da empresa. O foco sempre esteve nos resultados a serem alcançados.

Hoje, as próprias empresas perceberam a necessidade de uma mudança e têm encorajado os mentores a aprimorarem sua escuta ativa também no âmbito pessoal, para captar o que pode impactar na performance e no engajamento do colaborador, além de ajudá-los a equilibrar os variados aspectos de sua vida.

O trabalho com esse novo olhar pode ainda auxiliar as empresas a diagnosticar os principais desafios dos colaboradores e desenvolver ações de suporte, frente a um momento atípico.

Fui mentora pela primeira vez há mais de dez anos e, ao longo deste tempo, está nítido para mim que um bom mentor é aquele que está desenvolvendo novas habilidades interpessoais, acompanhando todas essas mudanças e que se mantém disponível mesmo após o final da mentoria, que costuma durar entre sete e nove meses.

Hoje estou com dois mentorados oficiais, mas tenho sido procurada por antigos para conversas informais onde eles também trazem desafios motivados pela pandemia.

Essa nova perspectiva que trago pode, e deve, ser colocada em prática pelos líderes. Com a constante mudança do mercado e das pessoas, a reinvenção é uma habilidade que se faz necessária para que os profissionais evoluam e atendam às novas demandas nas relações pessoais e de trabalho.

Apesar dos desafios profissionais trazidos pela pandemia, o trabalho remoto expandiu a atuação dessa prática, isso porque o mentor e mentorado não precisam mais estar na mesma sede da empresa – regra até então aplicada para garantir os encontros presenciais, considerados essenciais para tal.

As sessões virtuais, no entanto, permitem que colaboradores de áreas completamente distintas possam, agora, se beneficiar com uma gama maior de opções de mentores.

Um mentor que atua em Relações Corporativas no escritório de São Paulo, nunca teria a oportunidade de mentorar um colaborador da área de vendas, que trabalha diretamente com clientes no estado do Mato Grosso, por exemplo. E esse é justamente um dos meus casos hoje. Acredito que nós dois ganhamos com essa nova possibilidade.

Também é notável que muitos profissionais buscam ampliar suas habilidades em comunicação interpessoal, mas tinham poucas opções de mentores em áreas correlatas às suas necessidades nas regiões em que atuam. Agora isso é possível.

Com esse texto trago mais uma reflexão de como uma liderança com foco em resultados, mas também em uma gestão humanizada está alinhada às necessidades dos tempos atuais e fará a diferença para a sobrevivência e o sucesso das empresas num mundo onde a fragilidade, a ansiedade, a não-linearidade e a incompreensão – o conhecido mundo BANI – são os aspectos dominantes.

Gostou deste artigo sobre o papel do mentor? Quer saber ainda mais sobre liderança inspiradora? Confira nossas dicas para inovar na sua gestão.

Cristina Cassis é executiva de Comunicação Corporativa, com mais de 20 anos de experiência. Desde 2003, atua em cargos de gestão de equipes multimodais e integração das áreas de sustentabilidade, responsabilidade social e Gestão de Gente. Nos últimos anos, passou a estudar em profundidade sobre Liderança Humanizada e Segurança Psicológica.

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