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O Papel E O Lugar Do Coach Numa Relação De Ajuda

O papel e o lugar do coach numa relação de ajuda com o seu coachee é uma das questões mais significativas que devem nortear o processo do coaching e deve instigar a todos aqueles que se propõem a estar num lugar onde impere um vinculo de confiança e transformação mútuas.

Sim, digo transformação mútuas, pois tornar-se coach implica um processo profundo de autodesenvolvimento a fim de poder sustentar também o crescimento do outro. Isso significa dizer da necessidade do coach estar atento ao seu processo de autoconhecimento, para que suas dificuldades e desafios pessoais não tornem-se elementos de estagnação que venham a paralisar a jornada de desenvolvimento do seu coachee.

Nessa perspectiva vale a máxima socrática: “Conhece-te a ti mesmo”. Conheça teus melhores talentos e também seus pontos de paralisia, para que de posse da consciência desse pontos fracos, eles possam tornar-se oportunidades de melhoria. Não podemos transformar aquilo que não trazemos a luz para consciência. E aqui, cabe-nos, também a nos, coaches, exercitarmos as ferramentas que colocamos a serviço nos nossos processos, utilizando também conosco o método socrático e perguntas poderosas: Como posso avançar no aspecto X? O quanto tal elemento que diz respeito a mim, pode estar impactando com o meu coachee?

Faço uma metáfora de que aquele que busca um processo de coaching é muito corajoso e está disposto a percorrer a jornada do herói, que se aventura por terras desconhecidas na certeza de que ainda que seja nas profundezas das montanhas, encontrará o bom e o belo em si mesmo. Nessa jornada, pode-se encontrar dragões, medos, resistências, nas batalhas a serem travadas, portanto, para que o nosso guerreiro-herói possa melhor fazer sua travessia, faz-se necessário, que também já tenhamos feito algumas das nossas. Isso inspirara a confiança necessária para que possamos ser o guia que está pronto e ao lado, para viajar não so por terrenos brandos, mas também, muitas vezes, áridos.

Pois é! Então é nesse lugar que se coloca o coach: ao lado. E estando ao lado, o coach começa também a sua jornada. Uma bela jornada, a jornada do encontro ao sagrado, porque sagrado é a alma do outro, que busca estar em contato com seu propósito, sua missão, sua vocação e coloca o ego de lado, se despe de suas fraquezas, para, que corajosamente, busque a sua superação e de os passos necessários em busca do seu sonho, objetivo, meta. Penso que nessa relação se corporifica o encontro a que Martin Bubber se referiu quando falou do Eu e o Outro, ambos sujeitos, nunca sujeito e objeto.

Mas, o que é SER SUJEITO nessa relação de encontro com o outro que está em busca de empreender sua jornada?

Ser Sujeito é, especialmente, naquele momento, estar na sua inteireza e totalidade para lidar com ou outro que está na busca de sua própria inteireza. É respeitar o ritmo de cada um, respeitar o limite e as possibilidades do outro, o seu movimento de progressão e regressão, sua necessidade de acolhimento. Permitir ao outro abrir sua janela, o seu buraco, olhar para dentro com a segurança de que encontra apoio e suporte nesse olhar.

Ajudar no processo de fortalecimento do outro para que ele possa desvendar os seus véus e possa ser na plenitude do seu talento e vocação, em consonância com seu Eu Superior e o seu Self.

Conseguindo acompanhar os passos do herói nessa jornada e ajudando-o a sustentar o lugar onde se propôs chegar, podemos dizer, orgulhosamente e sem nenhuma vaidade, que honramos o papel e o lugar de ser um coach ou um líder-coach.

Ana Cristina Botelho, Psicóloga e Coach,email: anabotelho@coachingserhintegral.com.br

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