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O QUE O FUTURO RESERVA PARA O COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL? – Parte II

O QUE O FUTURO RESERVA
PARA O COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL? – Parte II

No
artigo anterior, fizemos uma previsão de que cerca de 50 milhões de
pessoas estarão conectadas à Internet no Brasil até o final desta década,
o que é uma excelente perspectiva na medida que teríamos um grande e
qualificado mercado a ser trabalhado. Mas será que a existência do
Internauta significa necessariamente a existência do consumidor on-line?  Essa
é uma questão pertinente, principalmente se olharmos com mais
profundidade os números da Internet hoje. Dos 13 milhões de Internautas, 
cerca de metade, 6,5 milhões, são os chamados usuários ativos, aqueles que
acessam a Web pelo menos uma vez por mês. Destes, menos de um terço,
cerca de 2 milhões, são compradores efetivos, ou seja, atingimos hoje 15% do
mercado potencial, sendo que os itens comprados são majoritariamente produtos
de baixo valor unitário como livros e cds.
O foco de nossa análise,
deixa de estar, portanto, na relação internauta/população e passa a estar na
relação consumidor/internauta e sob esse prisma, as variáveis centrais
no nosso entender, são as seguintes: 

O
hábito de compra.
 O ato de
comprar, é um ato comportamental. A compra on-line é um comportamento
novo, um hábito que não está consolidado, ainda, para a maior parte dos usuários
da Web, sendo a aquisição desse hábito, um processo dinâmico que
leva algum tempo até ocorrer.  Basta analisar nosso próprio
comportamento: a partir do momento que pessoas próximas a nós, as mais
“ousadas”, começaram a realizar compras pela Internet, tivemos
um estímulo positivo para fazer o mesmo e um belo dia, lá estávamos nós
arriscando a compra de um livrinho ou cd pela Web. A partir da primeira
compra, sentindo a facilidade e a comodidade de comprar pela Internet, fomos aos
poucos criando o hábito da compra on-line e nos transformamos em consumidores,
aumentando a freqüência de compras e o valor dos bens adquiridos. Evidentemente
a velocidade desse processo é peculiar a cada indivíduo e provavelmente
tenhamos pessoas que nunca comprarão pela Internet, mas tudo indica que o hábito
de compra se espalha à medida que mais pessoas se sentem seguras no ambiente
virtual, passam a repetir o comportamento da compra e, ao mesmo tempo, as
empresas ponto-com ampliam a oferta e a qualidade dos produtos disponibilizados
on-line e melhoram o processo de comunicação e comercialização de seus
produtos e serviços.  

Novas
gerações de consumidores
. Outro
aspecto a ser considerado, é que a nossa geração é uma geração de transição.
Nós presenciamos o nascimento desse mundo virtual chamado Internet e fomos
obrigados a nos adaptar a essa nova realidade, num processo nem sempre
tranqüilo. Para as novas gerações que estão surgindo em um mundo já
conectado, a realização de transações on-line, como divertir-se,
comunicar-se, pesquisar, aprender e comprar serão realizadas com a mesma
familiaridade com que hoje nós utilizamos o telefone ou ligamos a televisão.
Quem já viu um garoto de sete anos brincando no computador sabe do que estou
falando. O fato é que o processo de integração a essa nova realidade que
para nós pode ser assustador, será para as novas gerações uma grande e
divertida brincadeira, de tal forma, que a compra on-line ocorrerá de
forma extremamente natural.  

Tendências
globais
.  É verdade que esse
processo de transformação de internautas em consumidores on-line ocorre a
um ritmo distinto em cada país dependendo de variáveis diversas como nível
educacional da população, renda, grau de segurança disponibilizado,
desenvolvimento das empresas, entre outras. Mas o fato concreto indicado
pelos dados históricos e pelas pesquisas é que o percentual dos compradores em
relação aos usuários aumenta ao longo do tempo em praticamente todos os países. Basta
olharmos para os Estados Unidos, nosso indefectível paradigma da Internet, 
onde mais da metade dos Internautas compra on-line. Há cerca de dois anos
atrás, uma ampla pesquisa realizada pela empresa Ernst Young em 12 países,
(ver resumo da pesquisa na seção estatísticas da Web do meu site) inclusive
o Brasil, já apontava, entre outras, três grandes tendências:  

  • Cada
    vez mais internautas estão comprando on-line.

  • Os
    consumidores estão aumentando a freqüência de compras.

  • Os
    consumidores estão aumentando a média de gastos.

Associando-se
a isso a tendência apontada no artigo anterior, de aumento no número de
pessoas conectadas a Internet, chegamos a um cenário muito promissor no qual
visualizamos para o Brasil uma grande quantidade de pessoas conectadas a
Internet, das quais uma expressiva parcela realizando compras on-line.  
Façam suas apostas. 

abril/2002

Dailton Felipini,
Mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Consultor e Professor
de Planejamento e Gestão de  Empresas Ponto-com na Universidade
Ibirapuera. 
Editor do site: www.e-commerce.org.br 

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