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O RH pode liderar o processo de inovação de uma empresa

Por Marco Ornellas, coach, membro da ICF (International Coaching Federation) e Mestre em Biologia-Cultural

As mudanças do mercado estão sendo cada vez mais percebidas e sentidas pelas empresas. Afinal, o mundo foi colocado de ponta cabeça e a maior parte dos executivos entenderam que a pressão por transformação bateu à porta. Não dá mais para ignorar.

Esse tsunami de mudanças afeta todos os setores de uma organização direta ou indiretamente. Ninguém passará por esse contexto sem uma revisão, alteração ou transformação — principalmente o RH. Essa atual parada no mundo diz mais respeito à pessoas do que ao vírus propriamente dito.

Nova call to action

É hora de pensar sistêmica e estrategicamente, pensar no aqui e agora e decidir imediatamente, sem perder a conexão com o ali e então, com o futuro.

Difícil? Digamos que é paradoxal agir agora pensando no futuro, centrar nas pessoas sem esquecer do negócio e mais ainda do planeta.
Um dos paradigmas que se alteraram com a pandemia foi o conceito de “Design da Experiência”. Antes relegado a um segundo plano, agora precisamos promover a reestruturação da experiência do colaborador em toda sua jornada, desapegar das estruturas e arquitetura tradicionais e remodelar processos e políticas. Uma tarefa profunda e bastante árdua.

Uma das formas, leve, ágil e de certo modo lúdica, de liderar esse momento de inovação é por meio do Design Thinking, uma abordagem multidisciplinar que coloca as pessoas e o que tem valor em foco. Essa é uma disciplina importante para o profissional de RH, bem como uma forma criativa de construir soluções relevantes e sustentáveis, implementáveis tecnicamente e viáveis financeiramente.

Como o próprio nome sugere, trata-se de repensar o design, ou seja, analisar por diferentes ângulos e perspectivas, ampliar a visão do problema e da questão e de forma colaborativa buscar novos pontos de vista e soluções, provavelmente, mais simples.

Sabemos que uma parte da inovação está pautada pela transformação digital. Mas cuidado, não podemos simplesmente digitalizar o velho processo, mas sim pensar de forma digital. Isso significa que as práticas de RH de hoje, predominantemente burocráticas, não são capazes de responder aos desafios atuais muito menos os do futuro.

É importante que a área entenda que essa transformação vai além da informatização e digitalização dos velhos processos. É preciso antes de mais nada repensar as bases pelo qual tais processo foram desenvolvidos. Essas premissas fazem sentido hoje? Tem valor nos dias de hoje? Continuará fazendo sentido em um futuro próximo? Sem essas respostas, não vá adiante. Não perca seu tempo.

Como estamos vendo, são muitas as respostas e mudanças necessárias e nem todas as áreas e profissionais de RH estão preparados para esse momento. É aqui que entra a importância do desapego de certezas, reinvenção dos processos e designer organizacional, design do novo.

Um designer organizacional é movimento certo na mudança da organização, pois com base em um olhar para o futuro e para o presente consegue construir novos caminhos, desenhar novas estruturas, processos, tecnologias e pessoas. É preciso revisitar políticas internas e garantir mais liberdade e autonomia. É preciso revisar arquiteturas e estruturas tornando nossas organizações mais leves e ágeis. É preciso revisitar processos. Enfim é preciso reinventar as nossas organizações. Tudo isso com foco no Design centrado nas pessoas.

É um caminho e jornada que se faz de dentro para fora, com muita colaboração, sinergia, transparência e alinhamento com propósitos. Leva um tempo, mas pode ter certeza os ganhos são inúmeros e efetivos ao longo do tempo.

Bem-vindo ao tempo da reinvenção das nossas organizações.

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