Artigos

O Rico Mercado dos Pobres

O Rico
Mercado dos Pobres 

C.
K. Prahalad, professor de Estratégia Corporativa na Escola de Negócios da
Universidade de Michigan, vem trabalhando, nos últimos anos, numa tese de que o
mercado dos pobres deve ser explorado para o bem da humanidade. O seu mais novo
livro, “The Fortune in the Bottom of the Pyramid: Eradicating Poverty
through Profits”, indica que não somente as empresas podem fazer dinheiro
vendendo aos pobres, “mas devem sentir-se obrigadas a empreender tal esforço
para diminuir a distância entre países ricos e pobres.”  Prahalad vê
nos pobres um mercado potencial de 4 bilhões de pessoas que poderão ser 6 bilhões
nos próximos 40 anos.

Sua
tese se baseia na realidade de que, tomados em seu conjunto, nações em
desenvolvimento, como China, Índia, Brasil, México, Rússia, Indonésia,
Turquia, África do Sul e Tailândia, têm mais PIB, em Paridade de Poder de
Compra, (Purchasing Power Parity) que o Japão, a Alemanha, a França, o Reino
Unido e a Itália. A base da pirâmide para Prahalad é a maior oportunidade de
mercado na história do comércio mundial.

Um
ponto central do livro é que o esforço para ajudar os mais pobres pode
revelar-se um sucesso em diferentes países e em diferentes setores da economia.
Constituem uma exceção os países cujo sistema jurídico seja muito precário
como Somália e o Congo, por exemplo, e os que têm apenas e tão somente indústrias
mais básicas, como as de extração.

O
lucro, diz o autor não é o único objetivo para as empresas atuarem mais
firmemente nos mercados pobres. A criação de empregos, a luta contra a exclusão
social, a atuação para melhorar o caos político, o terrorismo e a degradação
ambiental, são motivos suficientes para uma empresa agir nessas regiões. Essas
condições geram instabilidade e violência que afetam os países de primeiro
mundo e os próprios ricos.

A
estratégia para trabalhar nesses mercados, ressalta o Prof. Prahalad, não é
simples. Talvez esta seja uma das maiores razões pelas quais as grandes
empresas não tentaram colocar seus produtos para as grandes massas das pessoas
pobres. Quem é pobre geralmente vive em zonas rurais e faz parte de uma
economia informal, o que exige uma estratégia e uma abordagem de mercado
totalmente diferente da utilizada em mercados convencionais urbanos.

No
livro ele dá alguns exemplos: Em Bangladesh, algumas empresas fazem um bom negócio
alugando telefones celulares por minuto. Em Kerala, Índia, imagens de satélite
dos cardumes são descarregadas em PCs nas cidades, lidas e interpretadas por
mulheres que indicam seguidamente aos seus cônjuges onde pescar. Por seu lado,
os homens, após um dia de pesca, utilizam os seus telefones celulares para
rever os preços de vários portos da costa e obter a melhor oferta pela sua
mercadoria.

Para Prahalad, estes
exemplos são provas que há soluções de mercado para o problema da pobreza. A
tarefa para as grandes empresas, diz ele, é romper com a lógica dominante que
vê os pobres do mundo como uma distorção que deve ser corrigida por governos
e apoiada por organizações sem fins lucrativos.

O resultado do esforço
em atender esse “novo mercado”, não somente será rentável para grandes
empresas e consumidores, mas poderia também ser uma grande solução para os sérios
problemas políticos e ambientais dos países em desenvolvimento e do mundo
moderno.

Há alguns exemplos
de empresas que têm um enorme sucesso no mercado de pessoas de baixa renda.
Administradoras de cartões de crédito que tiram do pobre a angústia e o
constrangimento de ter que fazer cadastro em todas as lojas. Bancos que fazem
pequenos empréstimos que resolvem problemas pontuais simples para uma família
de baixa renda. Lojas  e centros comerciais voltados exclusivamente a
produtos populares que atendem a uma demanda concreta por produtos com características
mais simples e com boa qualidade. Agências de viagem especializadas em turismo
para pessoas de baixa renda. São inúmeros os exemplos de empresários que
descobriram formas de empresariar levando em consideração as necessidades
concretas do mercado dos pobres. Muitos chamarão esses empresários de
exploradores de pobres. Mas a verdade é que se eles não existissem os pobres
continuariam relegados à marginalidade do mercado. 

E todas as pesquisas
provam que o pobre paga suas contas em dia. Quem não paga é a classe média e
alta. O pobre dá um extremo valor ao seu crédito e ao seu nome, um dos ou senão
o seu maior e único patrimônio.

Pense nisso. Sucesso!

Luiz Marins
www.anthropos.com.br

Por:

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of