Artigos

Oficinas & Altares

OFICINAS & ALTARES

Em cada casa uma oficina e um altar, eis a fala de Padre Cícero que ainda ecoa em nosso meio. Mas não é somente o eco que está presente, pois nas entrelinhas há de se ‘ouvir’ significados que todos, pessoas e grupos, organizações e colaboradores, políticos e eleitores deveriam apreender.
Oficina, que vem de ‘officium’ e com ligação com ‘opifex’ (aquele que faz a obra), nos traz o significado do ‘local de trabalho do ‘opifex’. Então nestes tempos chamados da modernidade, todos somos ‘opifex’ em potencial. Nas Oficinas é que se exercem ofícios e fazem consertos.
Já o termo ‘altar’ tem certa similaridade com o conteúdo anterior, sendo neste caso o lugar de trabalhos vinculados ás crenças e aos rituais místicos. Hoje em dia temos ampliação de ‘altares’ dos mais diversos, desde os inseridos nas igrejas, nas concentrações festivas, nos encontros políticos e até num simples curso ou evento profissional encontra-se o espaço destacado para que os ‘fazedores de artes’ se apresentem.
Tens que ter “uma oficina e um altar em cada casa” eis a fala de Padim. A casa, aqui, pode-se entender como o local de residência, ou da organização de um trabalho específico, ou mesmo onde se faz outras artes (escolas, faculdades, centros profissionalizantes) e como também já acontecia nas antigas aldeias primitivas. Neste momento em meu cantinho, diante do micro, ao som da rádio cearense Calypso 106,7, fico como que encantado ‘fazendo’ esta obra em minha oficina para levar a altares invisíveis idéias e fantasias. Quanta ousadia!
Mas é assim mesmo, ousados e fantasiados das mais diversas imagens e de diferentes personagens que todos podemos construir ‘oficinas e altares’ a partir da proposta ciceriana: trabalho e oração, mesmo que seja para muitos mera ficção ou ilusão, mas que seja sim uma produção que encante, que contamine positiva e construtivamente o outro.
Sob o paradigma ciceriano “oficina & altar” creio que toda a inteligência humana tem muito a usufruir e reciclar permanentemente. Seja nos altares das salas de aulas, como as teatralizadas pelo Prof. Marcos Eliano, nos cenários da Economia da URCA; ou na oficina-altar de Danúbio frente ao sistema de informática do Cariri Shopping, ambos constroem obras em benefício do outro.
O mesmo pode-se referir ao taxista Sr. Joaquim que com sua oficina ambulante faz de sua obra algo digno e respeitável, independente dos roteiros que circulam pela sua vida. Este profissional transforma seu local de trabalho em altar com incontáveis histórias marcadas pelo apoio, resolução, auxílio e prestação de serviços com excelência.
Não precisamos ver ‘oficinas e altares’ somente nos planos rotineiramente conhecidos, ou restritos aos limites impostos pelos costumes, mas podemos sim ir além das aparências, mais fundo, como no caso daquele servidor público e/ou político que independente do cargo ou título, continua a sua sina do atender o outro com humildade, transparência e ética.
‘Oficina e altares’ cabe como simbolismo em qualquer lugar, crença, cenário, meta, sonho e missão. Ao ouvir Gonzaguinha cantando “É a vida, é bonita E é bonita…” encanta como uma oração vindo de um altar indescritível. Já em outro cenário, quando os atletas do Icasa entram em campo para defenderem o clube, ai temos um altar muito maior que causa sensações diversas, emocionantes, marcantes. E em nosso país estas oficinas-altares têm seus deuses e demônios também, retratando a vida com outras cores e suores.
E então assim cada um tem a todo instante dentro de si um misto de oficina e altar, subjetivos é claro, mas onde outras artes mágicas e até milagrosas acontecem. Aqueles que não são enquadrados neste perfil, devido às mediocridades comportamentais, lamento excluir propositalmente, pois todos temos oportunidades de escolhas quanto orações (orar+ações), canções, ilusões, paixões e missões.
Ainda encantado pela canção, ouso subir num altar inventado agora e com o trabalho de minha voz grito bem alto para todos ouvirem: “Viver, É não ter a vergonha de ser feliz, Cantar e cantar e cantar, A beleza de ser um eterno aprendiz…”.
Finalizando sugiro que tal canto, possa ser também encanto em suas oficinas e altares, dando continuidade assim ao proposto desde o mais nobre altar de Padim, pois esta é a receita que cabe a você e a mim.

Tito, psicólogo organizacional
fhoo@uol.com.br

Por:

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of