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Oportunidade e valor nos negócios

Todo o processo de empreender se caracteriza como a busca por algo que represente um sonho, um objetivo uma meta. Este processo pode ser observado pela construção de quatro etapas fundamentais, a saber:

  • identificação e avaliação das oportunidades;
  • desenvolvimento de um plano de negócios;
  • estimar e planejar a captação dos recursos necessários;
  • e praticar o gerenciamento da empresa estabelecida.

As etapas enumeradas, cada uma em sua esfera de ação, tem a sua importância; porém se tivermos que eleger aquela que representa a de maior dificuldade para o empreendedor, acharemos todos os indicativos para apontar a percepção das oportunidades como tal.

É esta atividade que se insere na essência do empreendedorismo e é a partir de sua percepção que se desenvolve toda a cognição da empresa e do seu estabelecimento.

Nova call to action

Importante observarmos que a ideia de negócio não representa uma oportunidade de negócio. Enquanto que a primeira se caracteriza por sua natureza abstrata e generalizada; as oportunidades revelam uma face mais amadurecida e avaliada , de natureza concreta e factível e cujo objetivo volta-se para sua realização na prática.

A geração das ideias naturalmente se conecta com a criação e descoberta das oportunidades, porém oportunidades projetam-se nas ações, nas atividades do empreendedor, preenchendo lacunas do mercado observadas, trazendo inovação e diferenciação aos itens existentes, atendendo a necessidades que estavam ocultas ao mercado e, por isso mesmo, agregando valor ao seu consumidor.

Necessidades e oportunidades

Um aspecto importante e recorrente nas oportunidades, é a sua correlação às necessidades humanas (e por extensão ao mercado); dentro de um gradiente completo que abrange desde as necessidades mais elementares e básicas, até aquelas mais sofisticadas e de praticidade relativa.

Segundo o pensamento de Maslow, as necessidades humanas podem ser estratificadas em 05 níveis específicos, dispostos hierarquicamente em forma piramidal, cuja base agregam aquelas a que todos os seres humanos têm prioritariamente exigências; até o seu pináculo, que congregam um número menor de indivíduos e representam as necessidades de natureza mais estéticas e hedonistas.

As oportunidades também vão se configurar neste modelo de prioridades, ou seja, desde aquelas que atendem as demandas mais vitais e evidentes da vida humana e lhe dão suporte, até aquelas de natureza mais psicológica e intimista cujo viés estético e espiritual tem preponderância.

Identificando as oportunidades

Por ser um processo intuitivo e personalíssimo; a detecção de oportunidades e a sua elaboração, tem o condão de atender a mais de uma necessidade do consumidor, seja ela de essência mais primária, social ou até mesmo de realização pessoal; bastando que o empresário atente para a sua potencialidade ante o público-alvo.

Não apenas da atividade intelectual de seu formulador temos a origem das oportunidades e a possibilidade de sua elaboração na forma de um empreendimento. Outra maneira de percebê-las e antecipando-se no tempo a sua exploração pela concorrência, consiste no estudo e análise das tendências pelo empresário.

Os modernos recursos de pesquisa, monitoramento de dados e comportamentos, entrevistas e levantamento de hábitos de consumidores; aliados com recursos da área de TI como data mining, sistemas de análise estatística e propaganda viral; permite-nos a elaboração de cenários contextuais e a tabulação das principais tendências da população e do mercado.

Este olhar para o futuro, cria na mente empreendedorista um quadro lógico, onde os elementos integrantes fazem sentido entre si e podem antecipar as oportunidades a serem exploradas e as necessidades ainda ocultas de ambientes setoriais e em geral mesmo.

Alguns exemplos dessas tendências que devem ser observadas por quem busca novas oportunidades:

  • envelhecimento da população;
  • cuidados com a forma física;
  • educação permanente;
  • casais trabalhando fora;
  • globalização;
  • aumento de famílias monoparentais, solteiros;
  • isolamento social;
  • expansão do setor de eventos;
  • produtos à moda antiga;
  • aumento de produtividade (enxugamento das empresas).

Estes itens de tendências podem ser observados em visitas a feiras e exposições, participação em mostras e congressos, workshops; mas também podemos detectá-los em visitas a lojas e no contato com as pessoas e consumidores.

Análise de oportunidades

As oportunidades carecem entretanto, de uma fase de análise e avaliação bem estruturada, antes de serem colocadas em prática e carrearem os recursos e esforços dos que acreditam nela e tentam empreender nos seus moldes.

A maneira mais abrangente de se analisar qualquer oportunidade é considerar 04 (quatro) aspectos que lhe são intrínsecos e a partir das conclusões obtidas decidir pela sua implementação, melhoria/modificação ou pelo simples abandono da intenção de viabilizá-la. São estes os aspectos a serem revistos:

Forças

Representada pelo conjunto de potencialidades que você e a oportunidade tenham, em relação a concorrência, ao ambiente externo e a possíveis adversidades.

Fraquezas

Constitui-se em uma visão clara e lúcida dos seus limites e pontos fracos, bem como das restrições e impedimentos que a oportunidade traz consigo mesma.

Oportunidades

Relaciona-se com o momento propício do empreendimento, verificar se a conjuntura, os cenários que se apresentam favorecem a prática da oportunidade de negócio e a sua exploração.

Ameaças

Referem-se aos perigos e dificuldades que podem advir no curso da implementação e do exercício do negócio e que tenham o potencial de prejudicá-lo essencialmente ou mesmo inviabilizá-lo. Exige do empresário um pensamento claro e lúcido sobre os aspectos exteriores ao seu universo de trabalho e o conhecimento do mercado e da concorrência.

Conhecida como Análise SWOT, esta metodologia permite a quem deseje colocar em prática a exploração de uma oportunidade, uma visão plena das condições favoráveis ou adversas a decisão de empreender.

Observar que os elementos Forças e Fraquezas, são inerentes ao cerne interno da oportunidade, falam das capacidades, expertises e potencialidades do empreendedor e do negócio; bem como das suas dificuldades e lacunas. Permitem um plano corretivo, um escalonamento de capacitação de forma planejada e o uso de toda a potencialidade presente.

Os elementos das Oportunidades e Ameaças, dizem respeito ao ambiente exógeno e portanto não oferecem uma segurança de controle de variáveis, obrigando o condutor da implementação da oportunidade a se precaver e estudar possíveis contingenciamentos ou mitigação de riscos.

Adequação às oportunidades

Feitas tais considerações, o importante é que aquele que, identificando uma oportunidade de negócio, não seja iludido por algumas situações bastante enganosas e que a princípio parecem caracterizar “negócios da china”: a sedução por elementos da moda e o impulso de colocar a ideia de lucratividade antes do conceito de vocação.

Os negócios calcados puramente em conceitos de moda, são efêmeros por natureza e a sua durabilidade é tão diáfana como o gosto por determinados elementos. São negócios de lucratividade rápida e passageira e requerem altos investimentos e exigem um conhecimento bastante apurado para a sua exploração.

As oportunidades para as quais o empreendedor não demonstra pendor ou competência para o seu desenvolvimento, são péssimas opções de construção de negócios, pois se de um lado a atividade exige alguém que lhe faça a devida administração crítica e firme, de outro lado teremos uma pessoa desmotivada e/ou despreparada para tais desafios e exigências, levando todo o conjunto (oportunidade e empresário) para o insucesso e fracasso.

Devemos entender então, que as oportunidades de negócios estão presentes no cotidiano de todos, mas para que ela seja produtiva, exige-se que a empresa atenda não apenas ao mercado mas também aos anseios de empreendedor, com lógica e paixão.

Conceito de Valor

Classicamente a definição de valor vem atrelada a formatação matemática de que o Valor é o saldo resultante na diferença entre o benefício obtido e o custo empregado para se obter esse benefício. Naturalmente esta visão é muito simplista e vazia para algo tão expressivo para os seres humanos.

Seria como reduzir a um nível puramente monetário tudo o que envolve a motivação para uma pessoa obter determinado bem ou serviço (tangível ou intangível) em função da necessidade ou desejo que ela tenha dos mesmos; desconsiderando-se outros fatores incidentes sobre essa decisão.

A percepção de Valor para o homem vai mais além do que os aspectos materiais e financeiros de uma transação; e passam por complexo processo de avaliação pessoal, de percepção de utilidades e satisfação de necessidades próprias, de contentamento e realização de desejos únicos.

Agregando valor

Muitos empreendedores acreditam que agregar valor a qualquer empreendimento se prende apenas e exclusivamente as Receitas obtidas nessa atividade. Ledo engano, pois as vendas não criam valor para a empresa, mas uma série de outros fatores, distantes, muitas vezes dos resultados contábeis/financeiros do caixa.

Tomando emprestado as palavras de Chiavenato (2010) :

“Valor é um conceito relativamente recente na administração. Significa algo que enriquece a organização ou contribui fortemente para o seu sucesso. Criar valor é um dos objetivos da administração moderna”

A realidade do mercado, seja pela postura do público consumidor, seja pela concorrência predatória que com o advento da globalização dos mercados, se interpõe em níveis planetários; obriga as empresas a buscarem não apenas agregar valor aos seus produtos/serviços, mas estender esse conceito a sua Cadeia de Valor.

Para um melhor entendimento do que seja a Cadeia de Valor, citamos os ensinamentos de Chiavenatto (2010), quando dá sua definição sobre o tema:

“Cadeia de valor é um conjunto integrado de atividades criadoras de valor que começam com as matérias-primas básicas provindas de fornecedores e vão se movimentando em séries de atividades agregadoras de valor”

Esta propositura nos coloca defronte a uma constatação basilar para o exercício da atividade empreendedora moderna: Não basta que objetive agregar valor ao produto/serviço final de maneira individual. É mister envolver toda a cadeia produtiva, passando desde os fornecedores primários, os colaboradores internos e externos, os distribuidores, os canais de logística e distribuição e o pós-venda; para que todos participem da geração desse valor agregado que será repassado para o cliente/usuário final.

Esta estratégia permite a empresa criar além do valor agregado cumulativamente a todos os integrantes e ao consumidor; estabelecer uma diferenciação estratégica de produto e valor perante o seu concorrente, evidenciando de forma clara a vantagem competitiva obtida e um melhor posicionamento estratégico perante o mercado.

Agindo com o público alvo

O comportamento do público consumidor está muito modificado atualmente, face ao acesso que se tem as informações de qualquer tipo em tempo real (internet, redes sociais, smartfones, sites especializados, etc); e para que o empresário consiga a satisfação plena do seu target ele necessariamente deve integrá-lo ao processo de criação/produção; fazendo com que o seu consumidor se sinta corresponsável no processo de satisfação, entendendo e acatando suas sugestões e expectativas quanto ao que vai adquirir e o deixando livre para interagir com a empresa de maneira flexível e transparente.

São atitudes como essa que criam valor para o público consumidor, que reconhece na marca, na empresa, no produto mais do que uma utilidade comum da sua rotina de vida; mas algo que o recompense e cative de maneira absoluta – que crie encantamento.

Elementos de valor na empresa

A empresa para atingir um nível de excelência na produção de valor aos seus clientes, deverá criar alguns ativos internos e próprios que garantam a qualidade desses procedimentos anteriormente preconizados.

São a partir destes “ativos” que as bases para as atitudes e procedimentos tomados pela corporação poderão ser acreditados e formarem o caldo de cultura necessário a criação e manutenção dos valores apreciados por seus clientes:

Estrutura societária simples

A racionalização das estruturas organizacionais e a sua simplificação, a aproximação dos níveis decisórios com os planos produtivos, a clara delimitação das ações das diversas áreas; permitem uma flexibilidade maior no gerenciamento estratégico e a atração de investidores;

Transparência administrativa

É uma política que agrega grande valor a empresa, pois permite que os colaboradores, investidores e demais stakeholders confiem nos resultados e planos estabelecidos pela administração, colaborando e dando suporte nas decisões.

Aquisições oportunistas

São práticas de difícil consecução mas que se dirigidas com clareza e objetividade são capazes de agregar não apenas valoração patrimonial a empresa adquirente, mas também a capacidade de absorver o branding e valores intrínsecos da corporação adquirida. Estrategicamente podem favorecer a posição no mercado e o aumento no portfólio comercial e financeiro.

Contratos recorrentes e de longo prazo

São elementos que reforçam a credibilidade da instituição frente ao mercado, em relação aos seus concorrentes diretos. Deve-se observar que tais contratos tenham uma condição de durabilidade e proteção para a empresa em caso de cancelamento dos mesmos. Contratos que se renovam com constância e regularidade informam sobre a estabilidade dos negócios realizados.

Produtos com tecnologia de ponta

Para empresas que lidam com as áreas tecnológicas do mercado, tais quesitos são mais do que necessários, são vitais! Agregam muito valor, tanto perante o consumidor/cliente; quanto aos demais integrantes da cadeia de valor, o fato dos produtos e serviços oferecidos serem de alta qualidade tecnológica, com qualidade e desempenho.

Saúde financeira

Talvez um dos primeiros itens observados por quem busque pesquisar sobre os fundamentos da empresa. Para os clientes e o mercado em geral, a saúde financeira consolidada abre portas e remove obstáculos às mais diversas negociações e projetos. Para os investidores é uma garantia, que lhes confere credibilidade a opção pelo investimento realizado.

Considerações Finais

O processo de empreender é dinâmico e busca incessantemente os caminhos que levem a um melhor desenvolvimento de negócios, a satisfação de necessidades e desejos das pessoas e empresas e a evolução da organização ante seus concorrentes, seu segmento de mercado e perante ante ela mesma.

A busca por oportunidades é um caminho de incremento de potencialidades e conhecimentos para os que se arriscam a empreendê-las; mas tal processo não deve ser levado de forma leviana e aventureira. Deve o empreendedor analisar todos os aspectos que cercam a oportunidade que se apresenta, avaliar todos os seus riscos e vantagens advindos da decisão de se aproveitar o momento e também ter a coragem e a serenidade de abandonar o projeto se as condições analisadas apontarem para uma condição que lhe coloque em perigo sua posição até então conquistada ou o seu futuro como empresário.

Paralelo a esta temática, deve aquele que atua no mercado e possui sua empresa, estar consciente de que a perenidade e a saúde empresarial dela dependerá principalmente do valor que seus produtos e serviços vierem a acrescentar ao seu público-alvo, ao mercado, a sociedade e ao próprio empreendedor. Valor, por ser um conceito muito particularizado e abstrato deve ser observado com toda a crítica possível e inserir-se de maneira natural ao planejamento do negócio, como meta a ser alcançada e finalidade do aproveitamento das oportunidades.

Referências Bibliográficas:

Churchill, Gilbert A.; Peter, J.Paul;(2012); Marketing Criando Valor para os Clientes; São Paulo/SP; SARAIVA.

Ehmke, Klaus(2014).Você está criando valor ou matando sua empresa. Artigo publicado em 30/04/2014, no site Administradores. Disponível em: acessado em 27/09/2014.

Franca, Alexandre(2011).Podemos criar valor para os clientes?. Artigo publicado em 02/05/2011, no site Administradores. Disponível em: acessado em 25/09/2014.

Filion, Louis Jacques; Dolabella, Fernando; (2000); Boa ideia! E Agora; São Paulo/SP; CULTURA.

Hebling, Imara(2011).Valor, Cadeia de Valor e Cadeia de Valor Estendida. Artigo publicado em 13/04/2011, no site Administradores. Disponível em: acessado em 30/09/2014.

Santos, Antonione dos(2011).O processo Empreendedor. Artigo publicado em 10/04/2011, no site Administradores. Disponível em: acessado em 26/09/2014.

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Por: Einar Scatolin

Uma pessoa estudiosa de diversos assuntos que abrangem o comportamento humano, a gestão de empresas e negócios, atualidades, religião, turismo e uma série de vários temas que me agradam. Gosto de escrever, para repassar conhecimentos; aprecio a oportunidade de compartilhar aquilo que vivi; não para que outras pessoas concordem comigo, mas por apreciar a discussão das ideias humanas.

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Diogenes de Souza
Diogenes de Souza
4 meses atrás

Boa tarde Einar, excelente matéria, contribuiu valorosamente ao agregar bons conceitos e informação de qualidade e como apoio na gestão dos meus negócios , parabéns e meu muito obrigado.