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Os 5 tipos de palestras que estamos cansados de ouvir

Todos gostam de ouvir uma boa palestra. Quer dizer… Nem todos, mas se a palestra é boa mesmo, dificilmente alguém não gostaria de ouvi-la. Basta acompanhar o sucesso do TED (www.ted.com), cujo slogan é Ideas Worth Spreading. Faz um sucesso enorme! Mas, como o próprio slogan diz, são palestras com ideias que valem a pena ser divulgadas.

Esta é a principal atração de qualquer tipo de palestra: uma boa ideia, com uma boa história, que merece ser contada. É isso. Se a palestra tiver esse elemento, dificilmente ela não será apreciada.

Só que com a “profissionalização” dos palestrantes, com o mercado de palestras muito aquecido, muito atraente, a grande ideia acabou ficando em segundo plano em grande parte das vezes. Vamos conhecer alguns desse casos.

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1. A palestra motivacional: Este é o tipo mais comum de palestra. Basta fazer uma busca no Google com estas palavras para ver a quantidade de resultados. São dezenas, talvez centenas de opções de palestras motivacionais.

Pensar em palestras motivacionais no cenário corporativo é algo que sempre me surpreende. Porque se alguém que tem um emprego, com o qual pode viver, sustentar sua família, adquirir bens e, quem sabe, até ter algum lazer de qualidade, e ainda precisa de motivação artificial, essa pessoa tem um problema bem maior do que a falta de motivação.

Claro que a palestra motivacional tem seu papel e seu lugar. No vestiário, por exemplo, antes de uma partida decisiva, onde o técnico faz uma palestra que deixa todos os atletas “com sangue nos olhos”, “com a faca nos dentes”, “pilhados”, extremamente motivados para entrar em campo e dar o melhor de si para vencer a partida. Muitos técnicos são conhecidos por serem bons técnicos de vestiário, sendo que uma de suas principais qualidades é justamente sua capacidade de motivar com palavras. Os americanos chama este tipo de palestra de pep talk.

Só que uma grande palestra motivacional só cumpre seu propósito por aquela partida. Ela não dura a temporada. É por isso que ela precisa ser ministrada antes de cada partida, sempre de novo, porque ela não gera transformação, apenas empolgação. Então, a não ser que você esteja disposto a contratar uma palestra motivacional toda semana, pense bem antes de buscar uma palestra motivacional. A não ser que sua empresa esteja prestes a disputar a final do campeonato.

2. A palestra inspiracional: Inspiração é algo que todos buscamos, não é? Independentemente da nossa área de atuação, às vezes nos sentimos inspirados e realizamos coisas fantásticas e às vezes nos encontramos sem inspiração e não conseguimos fazer nada que nos agrade.

O problema é que não se encontra inspiração em cada esquina. E não há nada que seja garantido que vá nos inspirar. Se não fosse assim, nunca precisaríamos ficar sem inspiração. Bastaria descobrir o que nos inspira e toda vez que fosse necessário, faríamos uso desse artifício para voltar a ficar inspirados. Mas não é assim que funciona, é?

Então a ideia de que um palestrante, que não conhece ninguém na plateia, formada por um monte de gente diferente, que funciona diferente e é inspirada de jeitos diferentes, possa, por meio de sua fala, inspirar aqueles que ouvem, é, no mínimo, absurda.

É claro que existem histórias que nos tocam, nos inspiram – por que não? – e reverberam em nossa mente por algum tempo. Histórias assim podem nos inspirar na vida, a superar obstáculos, a mudar nosso comportamento e a pensar em como podemos ser melhores, mas o mesmo não se aplica ao nosso desempenho profissional. Podemos sair de uma palestra como essa com o peito estufado, dando grandes suspiros, mas no momento em voltamos aos nossos afazeres, deixamos isso de lado e voltamos a trabalhar. Com ou sem inspiração.

3. A palestra gratuita: Uma palestra gratuita, provavelmente, valerá tanto quanto o valor que foi pago por ela. Nada.

Evidentemente, pode haver exceções. Pode ser uma palestra doada pelo palestrante para uma causa, em uma organização sem fins lucrativos. Também pode ser um palestrante em início de carreira, que precisa de treinamento. E pode haver outros casos, em que a palestra pode ser excelente.

Mas se estivermos falando de treinamento e desenvolvimento de equipes, uma palestra gratuita é apenas uma má ideia. Nada mais do que isso. Uma boa ideia, que vale a pena ser ouvida, vale muito. E quem a apresenta, de maneira apropriada, se preparou para isso. E merece ser recompensado pelo seu trabalho.

4. A palestra humorística (ou com mágica ou qualquer coisa parecida): Uma palestra humorística pelo menos é honesta. Basicamente, o palestrante reconhece que seu conteúdo não é suficiente para atrair a plateia, então ele precisa de alguma coisa para distrair sua atenção do conteúdo, que fica em segundo plano e, provavelmente, é muito fraco.

Se você quiser assistir a um show de humor ou de magia, existem lugares específicos para isso, com shows muito bons, que não vão te incomodar com conteúdo enfiado no meio. Se é show, é show. Daí você vai ao teatro, à casa de shows, preparado para o que está indo ver, com a predisposição correta e a certeza de que vai sair de lá sem ter feito nenhuma nova conexão em seu cérebro, e com uma forte dor nos maxilares de tanta risada que terá dado.

Então se a ideia for entreter a sua equipe, proporcionar uma distração ou um momento de lazer, o melhor a fazer é contratar um show de humor, de mágica ou musical, que seja dedicado a isso: divertir.

Mas se a ideia é contratar uma palestra para, de alguma forma, treinar ou capacitar sua equipe, talvez namorada show não seja a melhor opção. Evidentemente, não estou dizendo que uma palestra não possa ser divertida e que ela tenha que ser “séria”, no sentido de chata. Mas apenas que é melhor não misturar as coisas.

5. A palestra do super orador: Já reparou que tem gente que podes estar lendo a bula de um remédio e que, apenas pela sua técnica de oratória, faz a leitura parecer interessante? É, tem gente que tem esta capacidade. Ou por uma aptidão natural ou por meio de muito treinamento, eles simplesmente dominam a plateia com sua técnica perfeita de oratória. Não importa o que estejam dizendo, pela entonação de sua voz você sabe o que ele está querendo dizer.

A maioria dos pastores é assim. Você está lá zapeando pelos seus 450 canais de TV quando, de repente, cai num canal evangélico. E você nem precisa ouvir o que está sendo dito pra saber que tipo de canal é. Apenas pela entonação de voz do pastor você já sabe do que se trata.

E tem muito palestrante que é assim também. Um excelente orador, contador de histórias, que envolve sua plateia com a dinâmica de sua fala, mas que falar mesmo, fala muito pouco. Poderia muito bem estar lendo a bula de um remédio. E quem sai perdendo nessa equação é o conteúdo, já que qualquer conteúdo serve para impressionar a audiência. Normalmente, um conteúdo cheio de chavões e de frases feitas, que apenas servem de suporte à oratória.

O poder das ideias

É verdade é que nada bate o poder de uma grande ideia. Quer seja uma grande ideia que nunca havia sido elaborada antes ou uma grande ideia sendo apresentada com clareza, o público sempre ganha em uma palestra assim.

Uma grande palestra é aquela que tem o potencial de gerar mudança, seja de pensamento, de atitude ou de comportamento. É aquela palestra que tem a capacidade de transformar a realidade de quem é ouve, tornando sua vida melhor e mais interessante, de forma duradoura ou até mesmo definitiva.

O segredo? Bom conteúdo, uma boa história é um palestrante autêntico. É uma grande ideia.

Marcos Mayer
marcos@marcosmayer.com.br

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