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OS 50+: DE INVISÍVEIS A PROTAGONISTAS

50+

Eu era criança, me tornei jovem, depois moço e agora sou chamado de… senhor! Tenho 52 anos e ainda não me acostumei quando me chamam desta forma. Estou muito longe de me sentir idoso, sênior ou ancião; para mim estes termos já estão totalmente envelhecidos. Se, em 1940, a expectativa de vida dos brasileiros era de 45 anos; em 2050 vai dobrar. Nesta mesma época, os 50+ serão quase metade da nossa população. Em termos globais, este grupo etário também assumirá o protagonismo demográfico já que, pela primeira vez na história da humanidade, será superior à quantidade de crianças até 14 anos.

A inclusão etária é muito mais do que uma simples causa, um tema midiático ou uma ação institucional, mas sim uma necessidade premente. Questões relacionadas à longevidade devem ser encaradas como uma prioridade diária, seja no que tange a uma equilibrada base familiar, seja no âmbito de uma sociedade plural e inclusiva.

Nova call to action

No livro “The 100-Year Life – Living and Working in an Age of Longevity”, as autoras Lynda Gratton e Andrew Scott questionam a simplificação da vida profissional pelo tripé educação, emprego, aposentadoria. “Esta trilha está começando a desmoronar: a expectativa de vida está aumentando, as aposentadorias do salário final estão desaparecendo e um número crescente de pessoas está fazendo malabarismos com várias carreiras. Se você tem 18, 45 ou 60 anos, precisará fazer as coisas de forma muito diferente das gerações anteriores”.

Sobre este mesmo tema, a colunista Camilla Cavendish, do “Financial Times”, escreveu o livro “Extra Time”. Ela defende que a idade não deve ser medida pelos anos que já vivemos, mas por aqueles que ainda nos restam. Nos EUA, por exemplo, onde a Economia da Longevidade é equivalente a 40% do PIB, há 60 milhões de 50+ que não atuam profissionalmente, um potencial econômico de US$ 2 trilhões. Novos fluxos de trabalho digitais e alternativas de negócios estão sendo desenvolvidos no sentido de aproveitar este valioso e qualificado contingente.

No Brasil, metade da força de trabalho no Brasil será 50+ até 2040. É o chamado “protagonismo sênior”. Como dizia Millôr Fernandes, “é preciso muito talento para envelhecer”.

Características que antes eram seletivas, hoje são indispensáveis. Estar sempre atualizado, demonstrar resiliência para alcançar as metas, ter uma elevada dose de humildade para reconhecer as próprias deficiências e estabelecer estratégias de relacionamento que envolvam tanto participativas ações presenciais como uma enriquecedora presença virtual, se tornaram exigências para a recomendação profissional, e não mais diferenciais competitivos.

Se a alternativa for a empregabilidade, estes profissionais precisam se reinventar a todo instante. O mercado de hoje é totalmente diferente do século passado e não valoriza apenas o conhecimento técnico, mas também as “soft skills”, competências, habilidades e comportamentos, que se transformam velozmente. As notícias animadoras são que as vagas de emprego estão intrinsecamente vinculadas à qualidade do networking.

Se a opção for o empreendedorismo, o sonho de 77% dos profissionais, há atrativos inegáveis, como o horário flexível, ser seu próprio chefe e a possibilidade de ampliar a remuneração. Por outro lado, os desafios são diários, como a insegurança financeira e a instabilidade, seja ela econômica ou do próprio segmento. Ter um negócio próprio não é gerenciar uma “ilha da fantasia” e nem participar das “aventuras da Pollyanna”. O projeto terá mais possibilidade de êxito à medida em que houver planejamento adequado e um grupo formado por profissionais que se complementam na diversidade, na formação e na experiência, ao mesmo tempo em que estejam alinhados nos objetivos e na dedicação.

Se há receio em arriscar, um dos projetos mais interessantes lançados recentemente foi o da Mag Seguros, o chamado “50+ Ativo”. Ao longo de 12 meses, profissionais sem experiência na área ganham ajuda de custo, têm aulas teóricas e se qualificam para obter o certificado da Superintendência de Seguros Privados (Susep), por meio do qual poderão passar a atuar como corretores parceiros da companhia.

Há uma sopa de letrinhas para definir as gerações: Baby Boomer, X, Y, W, Z ou Alfa…. a cada momento surge uma nova. Não importa a qual grupo você pertence, ou se possui características de vários deles, o importante é que encontre a felicidade diária através do equilíbrio sustentável entre a atuação profissional, a qualidade de vida e uma postura positiva diante dos desafios. Certamente este é o segredo para que você seja um 100+ ativo e saudável.

Finalizo com uma frase de Aristóteles Onassis: “Talvez eu venha a envelhecer rápido demais. Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena”.

*Por Mauro Wainstock

Contato: mauro.wainstock@gmail.com

Mauro Wainstock possui 30 anos de experiência em Comunicação e é sócio-fundador do HUB 40+, consultoria empresarial focada no público acima dos 40 anos. Foi nomeado Linkedin TOP VOICE, é colunista da revista EXAME, professor da ESPM e atua como mentor de executivos sobre marca profissional.

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