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Os desafios da co-liderança

A liderança é um assunto muito recorrente e debatido sob diversos olhares, além de ser algo muito desafiador, pois o ato de liderar pessoas requer, sobretudo, muita coragem e empatia, pois estamos lidando com pessoas e estas são naturalmente diferentes uma das outras. E quando essa liderança é dividida entre duas ou mais pessoas? Ai o desafio certamente é muito maior.

É importante não confundir co-liderança com liderança compartilhada, a primeira acontece quando mais de um gestor ocupa o mesmo cargo de autoridade dentro de uma equipe, ou seja, dois líderes ou mais a frente da mesma equipe, já a segunda é basicamente quando o gestor costuma compartilhar a tomada de decisões com a equipe. Como citei anteriormente, as pessoas são naturalmente diferentes, então quando existem dois líderes dividindo a mesma responsabilidade, é necessária a famosa inteligência emocional, aliado a ética profissional para evitar os problemas decorrentes da vaidade, tão comum em posições de gestão. A empresa ao propor esse modelo, deve está muito atenta ao perfil dos líderes, obviamente devem ser diferentes, mais de maneira a se complementarem e não criar um clima de competição, isso certamente impactará diretamente nos resultados.

A minha experiência com a co-liderança é muito positiva, éramos dois coordenadores de um time de atendimento ao cliente de 40 pessoas de uma instituição de ensino. Ambos ocupavam a posição há pouco tempo, ela com 9 meses de empresa e eu recém-chegado para ocupar a outra vaga. Eu era 15 anos mais novo, tinha 8 anos de experiência na área de educação e ela com mais de 20 anos de experiência na área fiscal e contábil, e por que eu apresentei esses números? Para deixar clara a diferença de perfis e que todos esses contrastes poderiam ser a fórmula perfeita para conflitos, mas a conexão foi quase que instantânea, decidimos pelo respeito, parceria, diálogo, empatia e não pelo egocentrismo.

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E quanto à equipe? A quem se reportavam primeiro? Obviamente que ela estava à frente dos liderados há mais tempo que eu, logo, ela já tinha se tornado um referencial, mas não haveria disputa quanto a isso, nossa decisão foi dividir os processos, logo a equipe se reportaria ao coordenador responsável de acordo com o processo, mas ambos deveriam conhecer tudo, pois na ausência de um o outro poderia suportar todos os processos. Outro ponto fundamental era o diálogo, todas as estratégias, passos, decisões eram compartilhadas, nada era decidido isoladamente, sempre buscando respeitar o conhecimento de cada um em suas respectivas áreas. E não havia conflito? Claro que sim, o conflito faz parte do cotidiano de qualquer equipe, mas como eu disse, havia diálogo, respeito e compreensão, isso era decisivo para não criar tensões desnecessárias e evitar um clima desfavorável.

O que eu aprendi? Que as diferenças são necessárias para uma equipe saudável, quando aprendemos a convergir essa diferença podemos alcançar resultados incríveis, que a humildade e respeito ao próximo são decisivos para um clima de harmonia, que a empatia pelas limitações do outro nos torna pessoas muito melhores, tanto no campo profissional, quanto pessoal. Foram quase um ano e meio atuando juntos e eu posso afirmar com toda a certeza que aprendemos muito um com o outro, o sentimento de gratidão é enorme por tudo que vivemos, construímos um lindo legado de muita parceria, resultados e respeito com a nossa equipe, e o melhor disso tudo certamente foi à amizade que cultivamos e que manteremos.

Por: Erivan Chaves dos Santos

Profissional especialista nas áreas de Gestão de Pessoas, Pedagogia, Legislação e Gestão Educacional. Atuando há mais de 8 anos na área de Educação, com experiência em liderança de equipes pedagógicas, docentes e de atendimento e retenção de alunos, coordenação e planejamento de cursos de educação profissional e ensino superior nas modalidades presencial e a distância, modernização e gestão de processos acadêmicos, organização e cerimonial de eventos, instrutoria em cursos e palestras nas áreas de gestão e educação.

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