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Os Desafios Da Liderança Feminina

Cinco executivas que conseguiram romper a barreira de gênero e alcançar cargos de chefia ensinam o segredo de ser líder no mercado de trabalho. Aliar o pragmatismo masculino à diplomacia feminina ainda faz parte da receita Daniela Lima e Edma Cristina de Góis
Da equipe do Correio Braziliense
Alguns dados pintam um cenário promissor. Elas ocupam 61,6% dos cargos administrativos em empresas privadas e são maioria na condução das salas de aula de faculdades: 58,9%. No entanto, quando o universo é o das altas chefias, a representatividade feminina despenca: apenas 15,77% das cadeiras de presidente e gerente-geral são ocupadas por mulheres. Os baixos índices se repetem quando o levantamento trata das diretorias e das gerências, 13,13% e 23,51%, respectivamente. Os números são da pesquisa promovida pela Catho, A contratação, a demissão e a carreira dos executivos brasileiros, e fazem contraste com outros levantamentos que mostram que elas, hoje, têm mais facilidade para ingressar no ensino profissionalizante, assim como em cursos superiores e de pós-graduação.

Para a pesquisadora Amanda Fellows, doutoranda no Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), a explicação para tal fenômeno reside em uma questão sexista: de posse das mesmas possibilidades que os homens, as mulheres ainda são alvo de preconceito de gênero. Fellows chegou a essa conclusão ao estudar as condições de acesso a cargos de alta chefia na Câmara dos Deputados. “Elas entram por meio de concurso, mas internamente têm dificuldades de ascender profissionalmente”, afirma. A pesquisadora concentrou o olhar na massa de funcionários concursados da Casa para balizar o acesso inicial às vagas. A diferença de gênero aparece nos cargos de alta chefia, que são ocupados por processos internos, nos quais a mulher leva desvantagem.

Segundo dados do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão utilizados na pesquisa, em 2005, apenas 16,4% dos cargos de DAS-6, um dos de maior responsabilidade e remuneração, são ocupados por mulheres. Já o percentual de mulheres com DAS-1, de menor peso, chega a 45,2%. Em toda a Câmara, apenas 25% das vagas de liderança são ocupadas por mulheres. Outro resultado da pesquisa é que a sensualidade não é usada como ferramenta para angariar conquistas profissionais.

Para desvendar um pouco esse universo, a Revista entrevistou executivas do Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro que exercem cargos estratégicos em grandes empresas. Elas, por meio de visões completamente diferentes, contam as aventuras de comandar homens e falam sobre a tarefa de chefiar outras mulheres.

61,6%
dos cargos administrativos em empresas privadas são ocupados por mulheres

15,77%
chegam aos cargos de presidente e gerente-geral

52%
das mulheres ultrapassaram os homens no que diz respeito a empreendimentos iniciais, com menos de três anos e meio

80%
dos recrutamentos levam em conta o grau de disponibilidade
do candidato, em especial para viagens — nesse caso, a mulher casada e com filhos ainda leva desvantagem

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Um modelo histórico
Edilson Rodrigues/CB/D.A Press

A caminhada até o topo é árdua. Segundo os números, para elas, ainda mais. Se os cargos de chefia são, em maioria, ocupados por homens, seria natural que, ao chegar lá, as mulheres incorporassem algumas características masculinas? Para alguns especialistas, sim. “Como elas ainda são minoria, não existem muitos modelos femininos de sucesso. Por isso, o entendimento de que uma forma de alcançar bons resultados nesse universo é adotar alguns posicionamentos tipicamente masculinos”, detalha o psicólogo Rommel Nogueira, do Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa), especialista em recursos humanos.

A teoria é corroborada por algumas líderes. “O homem consegue analisar as coisas de forma mais prática. Ele faz a análise da estrutura de uma empresa, fazendo desenhos de quadradinhos em um papel em branco. A mulher dá o tempero nisso tudo. É ela quem pensa nas relações, em como esses elementos vão se comunicar. São perfis complementares”, analisa a diretora de recursos humanos da Unilever, Vera Durant.

Ainda assim, há quem prefira seguir outro caminho. A supervisora de recursos humanos da empresa inglesa Rexam, maior fabricante de latas para bebidas do mundo, Carla Barros S. Padilha, 33 anos, acredita que um dos erros das mulheres é repetir o padrão masculino. “Às vezes, elas tentam imitar os homens e terminam se masculinizando”, pondera. Ela aponta, porém, uma diferença positiva: “As mulheres conseguem fazer várias atividades ao mesmo tempo”. Casada e ainda sem filhos, Carla é uma das 15 mulheres na indústria no DF. A Rexam tem 100 homens no quadro de funcionários.

Outra questão levantada pelas pesquisas que é objeto de reflexão por parte de especialistas é a competitividade entre pessoas do mesmo gênero. Das executivas consultadas pela Revista, duas admitem abertamente que se sentem mais à vontade para lidar com homens. “Como o número de mulheres em cargos altos ainda é pequeno, o sucesso de uma delas é a representação de uma oportunidade muito rara. É a prova de que daquele pequeno funil, uma se destacou. E isso talvez ocorra menos entre os homens porque, para eles, claramente as oportunidades são maiores”, opina Rommel Nogueira.

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Para Carla Padilha, 33 anos, um dos erros das mulheres é assumir uma postura masculina

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O perfil ideal

O chefe ideal, para começo de história, não é chamado de chefe. O nome ganhou tom pejorativo e lembra mais o editor neurótico da personagem Zelda Scott (Andréia Beltrão) em Armação ilimitada, que a metia em toda e qualquer enrascada, do que um coordenador com visão global e entrosamento com sua equipe. “O líder de hoje é aquele que cobra resultados sem ser chefe, que alcança o desejado, trabalhando em sinergia”, explica o consultor de recursos humanos da Catho, Mário Woortmann.

Segundo ele, não há regras para a contratação de um executivo homem ou mulher, mas, no geral, são realizadas pesquisas de clima organizacional para mapear o perfil do profissional a ser contratado. Essa análise vale tanto para ouvir a direção da empresa quanto os funcionários da ponta da produção. Woortmann esclarece ainda que a seleção considera as diferenças de gênero, porque os recrutamentos observam o nível de disponibilidade do empregado para a empresa. “Em 80% dos recrutamentos, há orientação da empresa sobre isso”, revela.

O diretor de recrutamento da consultoria Robert Half, de São Paulo, Fernando Mantonavi, endossa a avaliação, explicando que o momento da vida de cada um soma pontos durante a seleção, sobretudo para cargos de alto escalão. “Os homens têm mais tempo, enquanto as mulheres são consultadas em relação à maternidade e ao casamento. É bem mais fácil deslocar um homem de um estado para outro, mesmo ele sendo casado, do que uma mulher”, justifica. As diretrizes de seleção não são os únicos responsáveis pelo maior número de homens em determinadas atividades. “Temos dificuldades para encontrar mulheres para a construção civil. Na indústria, o público feminino aumentou, mas ainda assim elas executam atividades financeiras e de recursos humanos”, acrescenta Mantovani.

Os consultores também confirmam que a objetividade e a racionalidade masculinas estão sempre presentes nos quesitos exigidos. O perfil do líder ideal alia o pragmatismo masculino com a diplomacia feminina. O segredo dos grandes líderes é a junção de competência técnica, visão global e confiança nos subordinados, garantem os especialistas.

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Arquivo Pessoal

LOUCA POR ESCRITÓRIO

Para Ana Maria Nubié, 41 anos, ser chefe e feliz exige:

•Aceitar a condição de mulher, sabendo que os homens também têm fragilidades

•Conquistar a confiança de seus subordinados

•Ter disciplina para não abrir mão da vida social e pessoal

Na infância, ela brincava de executiva com a irmã. Ela, a chefe; e a irmã, a secretária. A influência talvez venha da figura paterna, que tinha uma pequena gráfica. “Adorava ir ao escritório do papai. Gostava da maleta dele, de arrumar os livros na estante. Parece coisa de doido, mas eu sempre gostei de escritório”, conta Ana Maria Nubié, 41 anos, a vice-presidente de uma das maiores agências de publicidade interativa do país, a AgênciaClick. A executiva não esmorece quando alguém diz que ela trabalha demais desde os 20 anos. Além de vice-presidente, ela é sócia da agência com escritórios em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Para Ana Maria, aceitar a condição de ser mulher é uma prerrogativa fundamental na selva competitiva do mercado de trabalho. “Não é questão de sexismo e faz a gente se preparar melhor. Mulher chora, tem TPM, fica grávida. Não se pode negar isso”, explica. Apesar dos aspectos biológicos que podem minar ou fazer crescer a carreira de uma mulher, os homens também carregam suas fragilidades. “Com o pragmatismo alardeado, os homens terminam sendo frios, sem calor humano. Tudo o que você leva é a confiança das pessoas”, avalia.

A executiva acredita que o pragmatismo e o cuidado com as pessoas exaltam o que há de melhor nos executivos, mas a repartição das funções não tem necessariamente a ver com gênero. Ela, por exemplo, é responsável por toda a negociação comercial da empresa. E está à frente dos contratos da agência. “Às vezes, eu fico brava, mas no geral me esforço para ser serena”, acrescenta.

O currículo de Ana Maria acumula atividades mais voltadas para homens. Foi executiva da americana Cummins, maior fabricante de motores a diesel, respondendo pela coordenação do escritório da Ásia, e em um banco europeu. Cercada por homens, Ana Maria lembra que sempre a perguntam pela vida privada, como se seu bom desempenho como executiva fosse resultado de uma vida dedicada apenas ao trabalho. “Já me senti desautorizada por estar sozinha e não ter filhos. Sou muito disciplinada, por isso consigo ter vida social, apesar do trabalho. Caso contrário não valeria a pena tanto esforço”, revela.

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Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press

EXECUTIVA DESDE CRIANCINHA

Para Martha Letícia, 34 anos, ser chefe exige…

•Pragmatismo e maleabilidade

•Assumir riscos

•Comunicação interpessoal, tão importante quanto a competência técnica

•Percepção das pessoas

O cliente, constrangido desde o início da reunião, pergunta: “Será que na sua empresa não tem um homem com quem eu possa negociar?”. A mulher responde firme e sem pestanejar: “Até tem, mas eu mando em todos eles”. O diálogo aconteceu há algum tempo. Martha Letícia Ferreira, paraense de 34 anos, cinco deles vivendo em Brasília, é a única mulher no grupo de cinco diretores da agência de marketing promocional Casa Nova. Mas nem por isso dá desconto na hora de alguma piadinha sexista. “Normalmente, os outros diretores pedem para eu secretariar as reuniões, porque isso é papel de mulher. Eu xingo, reclamo, mas sei que é cultural”, explica.

Depois de morar no Canadá e ter a experiência de dirigir sua própria agência de publicidade, ela topou o desafio de integrar a direção da Casa Nova, que faz eventos para contas como a Caixa Econômica Federal, o Serviço Social da Indústria (Sesi) e a Brasil Telecom. Martha reconhece que para ser uma boa chefe é necessária uma dose de pragmatismo e ressalta que as mulheres se adaptam melhor às demandas do que os homens. “Eles são mais práticos, mas as mulheres são mais maleáveis”, define.

Martha sabe que tem um componente importante para o líder: topar o risco no mundo dos negócios. Ela foi chefe pela primeira vez aos 18 anos, tendo subordinados até 30 anos mais experientes do que ela. “Eu acho que tem a ver com o perfil. Eu sempre soube que seria executiva”, afirma, aos risos. Apesar disso, ela avalia que na época não tinha condições de assumir tamanha responsabilidade.

O tempo e a experiência a fizeram perceber que a comunicação interpessoal é uma das almas do negócio. Tão importante quanto competência técnica. Colocar-se no lugar do outro é um exercício que ela faz com recorrência, já que ocupa um cargo de liderança. “O grande desafio é perceber as pessoas”, diz. Na Casa Nova, ela tem oportunidade de pôr esse pensamento em prática. Quando algum dos 80 funcionários precisa conversar com alguém da direção, é Martha quem termina sendo procurada. “Às vezes, acho que poderia ser um pouco mais emotiva. O cargo pode masculinizar um pouco”, acrescenta.

O excesso de trabalho já fez Martha Letícia reavaliar relacionamentos, compromissos perdidos e pequenas atividades cotidianas, impossíveis para ela, como ir ao salão de beleza e fazer academia de ginástica. E quem diria: o namorado da executiva é personal trainner. “Ele tem uma vida diferente, me ajudou a montar uma academia em casa. Mesmo assim, não consigo fazer os exercícios. Mas não temos problemas, porque ele já me conheceu assim. Na semana, ele me ignora solenemente, mas no fim de semana conseguimos nos ver”, brinca.

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Ser líder é uma conquista
Steferson Faria/Agência Petrobras

Cristina Pinho tem 180 subordinados, a maioria homens. maior desafio, para ela, é ser chefiada por uma mulher

A convivência com homens em ambientes profissionais começou cedo e, talvez por conta disso, algumas faces do preconceito se apresentaram ainda durante a juventude. “Você não acha que ficaria melhor atrás de um fogão?” foi o questionamento feito por um professor universitário a Cristina Pinho, 49 anos, hoje gerente de instalação, manutenção e inspeção de engenharia de produção da Petrobras.

Já na faculdade ficou evidente que, para conquistar uma cadeira importante na carreira, ela precisaria saber lidar com o sexo oposto: dos 90 alunos que cursavam engenharia mecânica, apenas seis eram mulheres. Ainda assim, o comentário no mínimo infeliz do ex-mestre foi o único episódio marcante de discriminação, e não surtiu efeito. “Chefiei muitos homens e nunca tive problemas com isso. Ao longo da minha caminhada, apenas dois funcionários demonstraram problemas em receber ordens de uma mulher, assim que comecei a gerenciar plataformas de extração. Quando identifiquei o problema, troquei os dois de lugar. É preciso entender que, algumas coisas, por mais que você se esforce, não vão mudar”, avalia.

Casada, mãe de três filhos, ela também teve que administrar a cobrança das crianças em casa. O marido, colega de profissão, sempre demonstrou apoio. Os filhos, no entanto, ressentiram-se em alguns momentos devido à ausência da mãe. “Fui cobrada durante a infância e ainda hoje escuto algumas reclamações. Mas ao mesmo tempo, sei que eles têm orgulho do que conquistei”, sustenta. Mesmo ciente das obrigações profissionais, abrir mão de algumas coisas, ela confessa, foram realmente difíceis. “As minhas crianças foram criadas em creches. Sentia medo de deixá-las, principalmente o meu primeiro filho. Embora sempre achasse que era uma opção melhor do que entregá-los aos cuidados da empregada”, lembra.

Sob a tutela da gerência de Cristina estão 180 profissionais, entre consultores, técnicos e engenheiros. E, algumas vezes, quando telefona para algum colega em paridade hierárquica, é surpreendida por uma atendente que, ao falar com ela, acredita que está lidando com uma secretária e não com a gerente do setor.

Hoje ela se orgulha da maior presença feminina na área, ainda que em cálculos proporcionais, a parcela masculina seja absolutamente superior. “Nunca tive problemas em lidar com subordinadas mulheres, que eram muito raras. Mas trabalho em uma empresa cuja atividade é, em maioria, masculina e talvez por isso tenha uma tendência a afirmar que lido melhor com os homens.” Atualmente, pela primeira vez na carreira, Cristina é chefiada por uma mulher. “Está sendo uma experiência interessante, desafiadora”, confessa.

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Nos negócios, caminho menos árduo

A trajetória feminina no mercado de trabalho também emoldura os números do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), estudo que mede as taxas do empreendedorismo mundial, promovido no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBCQ), patrocinado pelo Sebrae. Os últimos resultados, referentes a 2007, mostram que, pela primeira vez desde o início da análise desses dados, as mulheres ultrapassaram os homens no que diz respeito a empreendimentos iniciais, com menos de três anos e meio, alcançando o índice de 52%.

No primeiro ano da pesquisa, 2001, os homens empreendedores representavam 71% contra 29% das mulheres. “Hoje temos mais mulheres iniciando negócios. Esse dado revela um outro aspecto: enquanto entre eles a maior motivação para o empreendedorismo é a oportunidade, o que as leva a iniciar negócios é a necessidade”, detalha Paulo Bastos Júnior, pesquisador do IBQP.

Na avaliação do presidente nacional do Sebrae, Paulo Okamoto, ainda que elas estejam ingressando no mundo dos negócios para complementar a renda familiar, outros fatores apontam um horizonte promissor para as mulheres. “As empreendedoras têm um nível de escolaridade maior do que os homens. Isso aumenta a possibilidade de sucesso.”

Cruzando os dados, observa-se a formação de um paradigma: mesmo com maior escolaridade, elas ainda recebem os menores salários, segundo o levantamento da Catho, em média, 19% menos — e são minoria nos cargos de liderança.

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Barry Wetcher/AP – 21/6/06

Jim Cooper/AP – 5/6/06

Luis Martinez/AP – 17/10/05

NA FICÇÃO

Elas quase sempre são duronas e difíceis de se lidar. Conheça algumas líderes retratadas nas telas do cinema e da televisão:

O diabo veste Prada
Miranda Priestly (Meryl Streep) é a editora-chefe de uma das maiores revistas da América. Seca, sarcástica e muitas vezes cruel, ela centraliza o controle da Runway sempre dando broncas públicas em funcionários que ela sequer se dá ao trabalho de lembrar o nome. O filme é baseado em livro homônimo, escrito pela jornalista
Lauren Weisberger, que durante um ano foi assistente pessoal da editora-chefe da revista Vogue, Anna Wintour, cuja fama no meio revela uma personalidade semelhante à de Miranda.

Uma secretária de futuro
Katharine Parker (Sigourney Weaver) é uma executiva de sucesso em empresa que lida com o mercado de ações. Ela acaba por contratar Tess McGill (Melanie Griffith) como sua secretária, mesmo sabendo que a moça é de origem humilde e que, não raro, peca por não saber se vestir no ambiente de trabalho. Ainda assim, Tess, sem medir esforços, passa a apresentar boas idéias para a chefe que as vende como se fossem dela.

Do que as mulheres gostam
Nick Marshall (Mel Gibson) é um publicitário machão, metido a conquistador que, após um acidente, passa a ler os pensamentos das mulheres. De posse da nova habilidade, ele se empenha em invadir a cabeça de sua nova chefe, Darcy McGuire (Helen Hunt), para roubar suas idéias. O problema é que, conhecendo a moça, acaba se apaixonando por ela.

Dirt
Na série de televisão, exibida no Brasil pelo canal pago People & Arts, Courtney Cox, que ganhou fama com o seriado Friends, vive Lucy Spiller, a editora-chefe de um tablóide especializado em divulgar os fatos mais sórdidos da vida das celebridades. Na trama que mistura crônica e crítica, a atriz aparece como uma líder que segue os moldes de Miranda Priestly, de O diabo veste Prada.

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Apaixonada pela carreira

Aos 54 anos, quase 30 de carreira, ela garante que a sabedoria para liderar cresce com o tempo. Diretora de recursos humanos na Unilever, uma das gigantes multinacionais que atuam no Brasil, Vera Durant tem fala macia, mas postura direta. Com uma sinceridade quase inquietante, ela não se embaraça ao dizer que prefere lidar com homens e que precisa se policiar para trabalhar com mulheres. “Existe sim uma certa competição, que não se trava apenas sobre o prisma da competência. Hoje sei, por exemplo, que é mais fácil lidar com funcionárias mais jovens do que com as mais velhas. Algumas vezes, esses problemas decorrem das coisas mais bobas. Negar um pedido de almoço por conta de uma reunião e sair 30 minutos depois para almoçar com outra funcionária é motivo de bico”, descreve.

Já durante o curso de administração de empresas, ela se apaixonou pela arte de gerenciar pessoas. Fez isso, aliás, ao longo de toda a carreira. “Ao descobrir uma nova área, novas possibilidades, eu me apaixonava novamente”, brinca. O caminho até a diretoria da Unilever começou ainda durante a juventude, quando ela foi aprovada no programa de trainees. De lá para cá, ela se afastou apenas uma vez da empresa, assim que se casou. “Sempre tive chefes homens e, inclusive, me casei com um deles. Na época, não senti represália na empresa, mas também não tive apoio. Sair daqui foi uma decisão difícil, mas necessária. Não tinha lugar para mim e para ele”, conta.

Pelo casamento — o marido era funcionário de carreira extensa na empresa —, ela pediu demissão. Anos depois, Vera voltou para a multinacional, trabalhando em área diferente da do parceiro, hoje aposentado. “Naquela época, a política de recursos humanos era muito diferente da atual”, justifica. Os percalços e a experiência trouxeram lições preciosas. “O bom líder precisa saber ouvir, identificar necessidades, mesmo as expressas em gestos e atitudes, e ter coragem para gerenciar situações delicadas dentro de um grupo. Além disso, é preciso identificar o que se gosta de fazer e buscar isso incessantemente. É preciso estar feliz na cadeira em que se está sentada”, conclui.

A receita de ser líder, por Vera Durant, diretora na Unilever:

•Saber ouvir

•Saber identificar necessidades

•Ter coragem para gerenciar situações delicadas

•Buscar incessantemente de que gosta

•Estar feliz com o cargo que ocupa

http://www.forumplp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=352:os-desafios-da-lideranca-feminina-&catid=72:dia&Itemid=168

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