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Os desafios da liderança

Os desafios da liderança

”A liderança não é apenas habilidade pessoal, mas um processo interpessoal dentro de um contexto complexo, no qual outros elementos estão presentes”, é o que afirma Antonio Cesar Amaru Maximiano (2008). O pensamento do professor Maximiano encontra eco na realidade já que as organizações são atingidas diariamente por uma turbulência de acontecimentos que precisam ser administrados com competência pelos seus líderes.
Ser líder com alto nível de eficiência e eficácia nos tempos atuais é um desafio e tanto. Numa sociedade onde a informação se propaga em alta velocidade não cabe mais a figura do líder tirano. Mas acreditam que os líderes que oprimem através do abuso de poder desapareceram? Ao contrário, eles estão espalhados por todos os cantos, em indústrias, comércios, propriedades rurais, departamentos públicos, entidades e até nas residências, oprimindo os empregados domésticos. Muitas vezes este tipo de líder não se vê como um tirano, ele simplesmente acredita friamente que a única lei que rege o mundo é a do poder, responsável por separar os mais fortes dos mais fracos. Assim, cabe aos subordinados apenas a obediência cega e inquestionável. Na sociedade livre, muitos líderes tiranos só percebem os efeitos da sua equivocada conduta nos bancos dos fóruns, em audiências trabalhistas, onde correm riscos de desembolsos milionários.
Há ainda o autocrático, que se comporta como um verdadeiro chefe, que acredita que toda decisão tem que passar por ele. Infelizmente, este tipo de líder centralizador, que muitas vezes sustenta seu comando com a implantação do medo no ambiente de trabalho, não percebe que comete dois pecados imperdoáveis na administração moderna: sufoca talentos e limita o crescimento da empresa/entidade no nível de sua própria capacidade de realização.
Democracia é boa para o ambiente empresarial. É preciso saber como, quando e com quem realizar o empowerment (delegar poder). Ser um líder democrata não significa esconder-se das responsabilidades que lhe cabem, pois isso representa uma gerência fraca, sem sustentação, com fortes tendências à desorganização e, portanto, para ausência de resultados. Sem resultados não há necessidade de líder.
Ser demagogo (buscar popularidade com liderados) pode trazer resultados rápidos, pois transmite uma falsa sensação de segurança na figura do líder. Isso acontece quando parece emanar do líder somente palavras boas e aceitação de tudo. É claro que o final da história onde existiu (ou ainda existe) este tipo de líder já se conhece: resultados rápidos num primeiro momento, declínio no prazo médio, colapso total no longo prazo. Demagogia, definitivamente, não tem espaço nas organizações contemporâneas.
Que tipo de líder é preciso ser? Nos tempos atuais, um líder admirado por liderados e organização é uma mistura de líder espiritual com super-herói, ou seja, é aquele que gera resultados à organização pela sua grande capacidade de realização, sustentada por um alto nível de qualificação profissional, forte influência sobre seus subordinados e alta dedicação à causa da organização. Ser um líder assim exige, antes de tudo, conhecer o ambiente onde está inserido e saber quem são as pessoas com quem pode contar e como. Conhecer o trabalho e querer, sinceramente, que tudo dê certo. Ser flexível e verdadeiro sem se distanciar do propósito do negócio. Tomar decisão com firmeza, assumindo riscos calculados e desta forma, ser ousado sem ser inconseqüente. Por outro lado, respeitar a diversidade de pensamentos, de talentos e até mesmo de defeitos dos integrantes da equipe. Corrigir seus subordinados com sinceridade e pontualidade e os apoiar e compreender ao máximo, porém, quando preciso, desligar subordinado com a tranquilidade de quem sabe que a culpa do insucesso está registrada no histórico do próprio profissional. Este líder moderno respeita e aprende com seus superiores e, ao mesmo tempo, está ao lado da equipe, valorizando, desenvolvendo e motivando seus liderados para a superação de desafios.
Não há duvidas que a liderança de alto nível está baseada muito mais nas relações humanas do que no nível hierárquico. É fato que os liderados só fazem bem o trabalho quando estão comprometidos com os resultados que se busca, cujo compromisso repousa sobre uma sólida confiança em seu líder. Podemos concluir que um bom líder é, acima de tudo, uma pessoa admirável.

Prof. Adolfo Pereira é especialista em Gestão de Pessoas pela PUC, Diretor da APCE – Adolfo Pereira Consultoria Empresarial, Palestrante Motivacional, Consultor e Professor Universitário (contato@adolfopereira.com.br / www.incorporativa.com.br).

Referência Bibliográfica
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração. São Paulo: Atlas, 2008.

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