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Os salários em tempos de crise

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Existem perguntas que as respostas valem um milhão de dólares. Se convertermos em reais, elas valem muito mais. Muitas vezes elas são fáceis de serem dadas e adotadas. Mas, quando se trata de crise e dos salários oferecidos, a resposta é complexa e a consequência para quem está envolvido pode ser difícil de ser absorvida. Vamos lá: o mundo está em crise e para empresas multinacionais, nas quais as decisões estratégicas não estão em nosso país, isto significa nenhuma subsidiária. Estando estas decisões certas ou erradas, o que se observa é que cada vez mais os processos decisórios e o poder são centralizados fora das filiais.

O que isto nos diz? Que as posições locais estão perdendo em peso e focando seus esforços na execução! Desta forma, obviamente elas perdem relevância e valor. Este é o primeiro ponto que não devemos perder de vista.

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O segundo, e não menos importante, é que com crise há mais executivos disponíveis no mercado. Além disto, quem possui uma colocação, tem receio de trocar de emprego, pois tem consciência do cenário atual. Logo, assim como na economia, quando a oferta é maior que a procura, os salários em tempo de crise tendem a ser menores.

É simples, não é? Porém, quando o envolvido é você, a situação fica complicada. A questão primordial que todos enfrentam é: como vou justificar isto depois da crise? De novo, nos deparamos com uma resposta simples e complexa ao mesmo tempo: quando a turbulência passar, o mercado será diferente. Entretanto, ela pode não passar, pois vivemos em um mundo cheio de vulnerabilidades e, queiramos ou não, vai continuar assim.

Logo, a solução é analisar o que está sendo oferecido e se você aprenderá algo diferente nesta nova posição. Afinal, sempre há algo novo a conhecer, nem que seja navegar numa nova cultura. Investigue o que estão oferecendo no mercado para posições semelhantes a sua e não se esqueça de que os mesmos conceitos e ferramentas que as empresas utilizam para colocar um produto no mercado têm que ser utilizadas por você. Você é o “produto”, exigindo que se conheça muito bem assim como o mercado no qual está ou quer estar. Lembre-se que as empresas muitas vezes fazem promoções para que o consumidor compre seu produto, goste dele e depois continue sendo cliente.

Caso este preço seja justo e a posição esteja dentro do seu mercado alvo, vá e comece a se preparar para uma posição mais elevada que sua, pois assim no futuro estará disponível para voos mais altos. Mãos a obra rumo ao futuro. Planeje-se, prepare-se e rume em direção a ele. Vai chegar a lugares nunca imaginados. Boa sorte!

Irene Azevedoh é diretora de Transição de Carreira e Gestão da Mudança da Consultoria Global da Lee Hecht Harrison.