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Os Sete Líderes Anões

 

É inteiramente agradável pensar que nossas vivências do cotidiano poderão algum dia ser contadas e até reverenciadas pelas gerações vindouras. Pelo menos, é deste modo que temos construído nossos paradigmas ou modelos politicamente aceitos. Embora as experiências exigirem certo grau de sensação para se mostrar como verdade a um grupo específico, em contextos específicos, podemos fantasiar de vez em quando na busca por inibir o empedramento do coração e a cauterização da mente. Isto posto, proponho neste artigo relembrar uma das histórias contada pelos irmãos Grimm: “Branca de Neve e os Sete Anões“. Bem, não exatamente a história infantil que todos conhecemos em uma de suas muitas versões. Na verdade, quero refletir sobre os coadjuvantes desta história buscando comparar seus traços de identidade com o que percebo nas atividades de muitos líderes de hoje, em nosso segmento.

Só para nos situar temos no conto a figura de uma bela criança que nasce de um desejo de sua mãe, mas, que passa por uma situação extraordinária de desamparo em sua juventude. Assim como muitas empresas que conhecemos. Pessoas ideológicas e extremamente apaixonadas ousaram sua origem e desenvolvimento. Muitos festejos e sentimentos de conquista preenchiam sua entrada no mercado, atraindo admiradores de toda espécie. Porém, na flor deste desenvolvimento – por sua notável beleza aos dezessete anos de vida- advém sentimento invejoso e precatório daqueles que deveriam assumir a responsabilidade de cuidá-la, a ponto de arquitetarem sua morte e vexame. E, a história segue seu curso mencionando um crescente sentimento ruim, fala sobre ludibriação e infidelidade e desobediência, ilustra parceria e complacência, descreve acerca do acolhimento, da amizade, das rotinas do trabalho e culmina com um “felizes para sempre”.

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Entretanto, infelizmente, nem todas as histórias de empresas terminam assim pois a interferência dos anões da liderança talvez não seja igualmente benéfica. Lembre-se que Branca de Neve fugiu pela floresta, até encontrar uma casinha e, ao entrar, descobriu que lá moravam sete anões que a acolheram. Alguns líderes de hoje desejam ser acolhidos e servidos pela empresa, a despeito de sua condição desfavorável ou debilitada pelas investidas do mercado. Pensam em primeiro tirar vantagem antes de prover qualquer contribuição.

Mas vejamos algumas características mais particulares dos anões:

Líder Mestre

Era o líder do grupo porque passava a ideia de autoridade. Líderes autocratas como ele costumam prevalecer por certo tempo e até alcançam resultado satisfatório. Porém, sua ruína virá com o tempo, já que tem grande dificuldade de repensar seus métodos não permitindo que sua equipe exercite a criatividade ou tenha liberdade para agir. Orgulha-se de cumprir protocolos e é extremamente reativo a qualquer sinal de ameaça. Ocupa esta posição mais por conta da idade e familiaridade com a cultura organizacional e sua excessiva autoconfiança faz com que confunda o significado de algumas palavras e verbetes.

Líder Atchim

Com seu espirro alérgico é facilmente identificado hoje. Ele inadvertidamente chama a atenção dos outros para si, não conseguindo passar despercebido deixando um rastro da mucosa em todo lugar que mete o nariz. Aqueles que se aproximam do líder Atchim ficam com o temor de serem contagiados pela sua inconveniente secreção nasal, já que está expelindo-a incontrolavelmente. O fungar contínuo que ele realiza é confundido com choro e lamento desnorteando sua equipe, deixando-a estagnada e inerte. É meio centralizador e precisa dos cuidados ininterruptos daqueles que o cerca.

Líder Feliz

Não é exatamente um contraponto perfeito para líder Zangado. Ele pode ser caracterizado por aquele que mostra-se satisfeito e complacente com qualquer situação. O mundo desmorona ao seu redor e ele está contente; o resultado não foi bom e ele contente; há intriga entre a equipe e ele contente… Tudo é belo e normal, apesar das notícias exigirem uma ação enérgica. O líder Feliz é demasiadamente liberal não atribuindo esferas de responsabilidade a sua equipe, quaisquer que sejam os resultados.

Líder Zangado

É aquele que possui uma crítica depreciativa a tudo que lhe apresenta, que não consegue enxergar proveito de situações traumáticas ou a reversão de momentos desequilibrados. Nada consegue agradá-lo ou satisfazê-lo já que não reconhece o potencial da sua equipe, nem oferece possibilidades de escolhas mais relevantes. Governa pela aristocracia e impõe o terror àqueles que se devotam a ele, cultivando o medo e a imagem de mau humorado.

Líder Soneca

É percebido em ambiente inertes. Quase sempre sua equipe vai realizar as tarefas de forma automática tendo em vista sua presença não impor qualquer tipo de ação extraordinária ou formidável. O líder Soneca é tenazmente ignorado pelo seu colegiado, pois todos estão acomodados a sua sonolência que lhes permitem agir passiva e lentamente. Em certas circunstâncias ele está preguiçosamente acordado para deliberar democraticamente, porém isso ocorre fora de tempo e sua decisão já não traz resultados assertivos. Ele tem dificuldade de perceber a realidade que o cerca.

Líder Dengoso

Geralmente dão margem a inúmeras possibilidades de ideias simpáticas e engraçadas. Assim como gostamos de cativar os bajuladores presentes em nossa equipe, o líder Dengoso deseja que seus caprichos sejam observados indiscriminadamente. Ele se ofende com facilidade, alimenta um sentimento penoso de si mesmo e rotula-se como vítima de conspiração. Justifica sua incompetência no domínio da equipe reconhecendo sua fragilidade e abandono. Pensa sempre ser o mais sofredor, o sobrecarregado, o menos assistido pela direção da empresa e por sua equipe.

Líder Dunga

É concebido como uma espécie de trapalhão, mas, que foi se transformando num anãozinho ingênuo e simplório. Sua impossibilidade de falar o torna limitado e o menos reconhecido líder de todos, apesar de seu entusiasmo e extroversão. Ele é o menor de todos os anões e possui uma aparência depreciativa. Foi condecorado por uma questão genética e por afinidade, não se espera dele nenhum resultado plausível.

Não há como negar que depositamos em cada um dos líderes anões uma personalidade com um significado especial e muito maior. Mas, depois de algum tempo no segmento de transporte coletivo, esta interpretação parece razoável. Mesmo que a Branca de Neve seja a personagem principal do conto, foram os anões que busquei evidenciar nestes comparativos. Este conto, criado originalmente para crianças, apresenta sete padrões de líderes e diferentes modos de ver a vida profissional e administrá-la, assim, cabe a cada um de nós familiarizar-nos com estes tipos e trabalhar nossas dificuldades.

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