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Oscilações de nossa política econômica

Prezados ,estou compartilhando com os amigos, principalmente os “não economistas”, o artigo que escrevi e que ajuda a entender………..

AS OSCILAÇÕES DA NOSSA POLÍTICA ECONÔMICA

1-Um pouco de história
Na década de 50, após o término da 2° Guerra Mundial, com as economias enfraquecidas, os Governos de vários países, principalmente os EUA, começaram a adotar medidas de incentivo para fortalecer o consumo interno.
O incentivo ao consumo visava incrementar o crescimento econômico, pois era entendimento que um consumo interno forte levaria o país a ficar com sua economia saudável.

2-A crise no mercado imobiliário e financeiro nos EUA (2008)
Passados quase 60 anos, com a crise econômica mundial iniciada em 2008, que ainda se arrasta até nossos dias, assistimos à mesma estratégia sendo utilizada no Brasil.
Os problemas ocorridos nos mercados imobiliário e financeiro dos EUA fizeram com que o Governo americano despendesse enormes valores para evitar uma quebradeira no seu sistema financeiro.
Com isso, o Governo americano diminuiu o nível de investimento, a economia dos EUA desaqueceu, o que afetou e enfraqueceu o comércio mundial, pois o País passou a importar e exportar menos.
3-A economia brasileira e a crise de 2008
O Brasil sentiu os reflexos do desaquecimento do comércio internacional , pois viu reduzido o volume de exportação de seus principais produtos: minério de ferro, petróleo, matérias primas e produtos agrícolas.
Nosso Governo adotou, então, como estratégia, o incentivo ao consumo interno, com a finalidade de possibilitar que as indústrias e os produtores agrícolas tivessem como colocar, no mercado interno, parte da produção que seria exportada.
Dentre as medidas utilizadas pelo Governo para incentivar o consumo interno, destacamos:
• -O incremento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que reduziu o número de desempregados, permitindo a inclusão de milhões de brasileiros no mercado de trabalho;
• -A expansão do crédito, tanto para as pessoas jurídicas como para as pessoas físicas;
• -A política de aumento real, adotada para o reajuste do salário mínimo.
Assim, fruto de uma estabilidade econômica que já vinha sendo mantida e em razão das medidas adotadas, o Brasil vem passando pela crise com muito menos dificuldade do que outros países, de economia mais forte.
Sem isso, estaríamos com um desaquecimento muito sensível na produção nacional e, conseqüentemente, com forte desemprego.

4-O início da crise na zona do euro
Os Países europeus vinham apresentando problemas em suas economias desde 1997, principalmente a Grécia, Espanha , Portugal e Finlândia.
Principais ocorrências entre 1997 e 2008:
• a dívida das empresas não financeiras passou de 250% para 280% do PIB;
• o endividamento dos bancos aumentou de 190% para 250% do PIB;
• o endividamento das famílias aumentou em 50%.
A crise de 2008 nos EUA trouxe sérios reflexos para a economia dos Países europeus. O desaquecimento nas economias desses Países fez com que as populações passassem a consumir menos e poupar mais, gerando um aumento da poupança do setor privado.
Em contraposição, houve uma redução dos investimentos e da poupança do setor público, em função de medidas adotadas pelos Governos em socorro das economias (redução de impostos, concessão de incentivos financeiros).
Ocorreu, portanto o que se denominou de “socialização de parte das dívidas privadas”, ou seja, a transferência de dívidas do setor privado para o setor público.

5-A economia brasileira no início do Governo da Presidenta Dilma (2011)
A continuidade da crise na zona do euro fez com que o comércio internacional continuasse desaquecido.
Esse desaquecimento refletiu no nosso parque industrial, que apresentou níveis de produção bem abaixo do previsto.
Com o consumo interno ainda aquecido e os níveis de produção abaixo do esperado, o mercado começou a sentir os efeitos paralelos das medidas adotadas no Governo Lula – o risco de inflação – o que fez com que o Banco Central (COPOM) mantivesse elevada a taxa de juros (SELIC). Com isso, o Governo visava conter o aumento do consumo interno para evitar que a inflação ultrapassasse o teto da meta estabelecida.
Por outro lado, no intuito de evitar um aumento no déficit das contas públicas, o Governo reduziu investimentos e despesas de consumo e pessoal.
A crise externa, o desaquecimento industrial, a redução de investimentos do Governo, o alto crescimento em 2010, foram fatores que ocasionaram um crescimento do PIB em 2011 abaixo de 3%, frustrando as estimativas do próprio Governo de um crescimento na faixa de 5 a 6 %.

6-O recrudescimento da crise na zona do euro (2012)
O ano se inicia com um aprofundamento da crise na zona do euro.
Pacotes financeiros são propostos numa tentativa de salvar os Países em maior dificuldade, especialmente Espanha e Grécia.
Entretanto, França e Alemanha condicionam a aprovação de liberação de créditos pelo Banco Central Europeu (BCE) a um comprometimento de severo ajuste fiscal, incluindo controle de despesas e restrição de benefícios por parte dos Países endividados.
A Grécia, principalmente, vive atualmente um momento muito delicado pela dificuldade do Governo em adotar as medidas necessárias para conter o déficit público e evitar um calote geral, o que certamente contaminaria toda a Europa.
A despeito das dificuldades, há um consenso entre os Países de economia mais forte (EUA, Alemanha e França) de que todos os esforços devem ser feitos para que a Grécia se mantenha na zona do euro.

7-A economia brasileira – situação atual (2012)
O recrudescimento da crise na zona do euro, o relativo desaquecimento na economia dos Países em desenvolvimento, especialmente da China, vem causando uma apreensão no mercado internacional.
Com isso, as aplicações tendem a migrar para investimentos e mercados considerados mais seguros, causando uma valorização do dólar no mercado internacional.
Em relação ao real, a cotação do dólar em poucos meses saiu de R$1,70 (fev/2012) para mais de R$2,00 (maio/2012).
Essa desvalorização do real foi comemorada pelos exportadores, pois o real, considerado sobrevalorizado pelos analistas de mercado, prejudicava nossa exportação.
Entretanto, o BC começa a intervir para conter a alta do dólar, de forma a evitar que essa alta pressione o aumento de preços, gerando inflação.
O fraco desempenho da economia externa e da economia nacional faz o Governo reeditar a estratégia de facilitar a concessão de crédito para incentivar o consumo interno, o que deu bom resultado quando usado como antídoto da crise financeira dos EUA em 2008.
O Banco Central (COPOM) estabelece uma baixa gradativa da taxa SELIC, agora fixada em 9%.
Em 04/05/2012, o Governo altera a remuneração da caderneta de poupança, fixando-a em 70% da SELIC+TR, a partir do momento em que a taxa SELIC for igual ou menor do que 8,5%.
Essa alteração sinaliza novas baixas na taxa SELIC e evita que a rentabilidade da caderneta de poupança seja superior à rentabilidade dos títulos públicos, títulos com os quais o Governo financia a dívida pública.
Ato contínuo, o Governo anuncia que os Bancos Oficiais reduzirão as taxas de juros e pressiona os bancos privados a acompanharem tal redução.
Em 21/05/2012, o Governo anuncia novas medidas, desta feita favorecendo a indústria automobilística, que já havia sido anteriormente motivo de medida protecionista, quando foi fixado o percentual autorizado de itens importados na produção nacional.
Foi anunciada a redução de IPI, taxa de juros reduzida para aquisição de carros novos, redução no IOF, aumento no prazo dos financiamentos, vendas financiadas sem entrada, liberação de parte do depósito compulsório, medidas válidas até o final de agosto/2012, com a finalidade de expandir o crédito e aumentar o consumo, ao mesmo tempo que torna possível a redução dos estoques da indústria automobilística..
Alguns analistas já questionam se essas medidas terão o mesmo sucesso anterior, uma vez que as facilidades de crédito, se por um lado propiciaram o aumento do consumo e a revitalização da economia, por outro fazem com que o mercado conviva, hoje, com um risco de inadimplência significativo, embora as autoridades financeiras afirmem não ser isso um motivo de preocupação.
No dia 22/05/2012, a despeito das afirmações acima, a Presidenta Dilma anuncia a possibilidade de adoção de novas medidas favorecendo a expansão de crédito e a negociação com bancos e instituições financeiras visando a redução da inadimplência.
Estarão as pessoas ainda em condição de encararem novos financiamentos de forma consciente? É a pergunta que se faz.
O certo é que o Governo, preocupado com a inércia no desenvolvimento econômico, resolve priorizar o crescimento, ainda que correndo o risco de ter que, futuramente, socorrer o sistema financeiro em caso de aumento da inadimplência e adotar medidas severas para controlar um eventual processo inflacionário.

LUIZ PAULO GUIMARÃES
PALESTRANTE – EDUCAÇÃO FINANCEIRA
lamgcris@gmail.com

Por: Luiz Paulo

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