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Palestrando E Multiplicando

Ministrar um treinamento ou palestrar é coisa fácil? É simples? Todo mundo pode?

O que é preciso ter ou desenvolver, para que seja possível falar em público, ainda que este público seja de poucas pessoas?

Para algumas pessoas, o simples fato de pensar na possibilidade, causa diversos sentimentos e sintomas, às vezes físicos, mas sobre tudo, o do medo causado pela timidez ou insegurança.

Longe de ser um guia prático ou manual de desenvolvimento, escrevi este texto para ajudar (e apenas ajudar), aqueles que precisam atuar como palestrantes ou multiplicadores em suas empresas – mas infelizmente não sabem bem por onde começar.

É importante esclarecer, que nem todo mundo nasceu para palestrar, mas, que todo mundo pode sim, se treinado, palestrar sobre alguns temas de forma confortável, desde que dominem o assunto a ser abordado. E acreditem, ter intimidade com a platéia ou público não é nem de longe uma vantagem.

A preparação para o evento (palestra) inclui tudo que envolva o mesmo, principalmente você.

Existem algumas dicas sobre aparência, tipos de público e sentimentos que podem ajudá-lo a melhorar o seu desempenho e performance.

Começando pela aparência, estar confortável é, e sempre será a melhor opção. Lembre-se que você ficará no mínimo 4 horas palestrando (ministrando), e o seu bem estar influenciará diretamente no seu resultado.

Por isto, não deixe por exemplo, para estrear “aquele” calçado novo, justamente no dia do evento. Ele pode ser desconfortável (apertado, folgado, alto demais…).

Evitar usar roupas que lhe tirem o movimento e dificulte a sua expressão corporal é imprescindível; Opte por roupas confortáveis sem perder o estilo (e não vale bermuda e chinelo, ok?).

Ternos para os homens e um pretinho básico para as mulheres?

Não necessariamente.

O preto apesar de dar um ar de formalidade à ocasião, com o passar das horas, cansará a sua plateia e fará com que você comece a não ser percebido.

Podemos sem problemas, mesclar as cores. Uma calça preta com uma camisa de cor simples (branca, vermelha, rosa, amarela…) fica muito bem alinhado. Para as mulheres vale o mesmo, e se aliado a um sapato de salto médio, melhor ainda. Podemos também, trocar a calça preta por uma saia da mesma cor. Não usar mini saias ou decotes, é fundamental.

Em algumas ocasiões, podemos usar um bom jeans com uma camisa ou blusa também de bom gosto. O evento indicará a possibilidade.

Cuidado com a maquiagem e acessórios. Queremos que nosso público preste atenção ao evento e às nossas palavras, não em nós.

Maquiagem pesada, com cores fortes não cabem em um evento corporativo, mesmo que este aconteça no período noturno. Prefira sempre cores claras e discretas, se for possível, “cor da pele” – o mais natural possível.

Cuidado com os perfumes. Se o evento for no período matutino (ou vespertino) e você se “encharcar” de perfume, o máximo que vai conseguir é uma dor de cabeça em seu público, mas independente do horário, não exagere no perfume. Você pode gostar dele, mas isto não quer dizer que os outros também irão gostar.

Para os homens, ter um cuidado especial com a barba, cabelos e unhas é imprescindível.

Acredite, se sua aparência não agradar ou der um ar de desleixo, seu conteúdo, sua oratória e seus conhecimentos também não agradarão.
No caso das mulheres, é essencial os cabelos e unhas estarem “feitos”. Cabelos presos ou soltos; não importa, desde que arrumados. Para as unhas, vale até um esmalte de cor forte, (observe se isto não “diminuirá o tamanho de suas mãos”), mas nunca erramos quando usamos uma cor clara e suave, que além de combinar com qualquer coisa, sugere sempre limpeza, cuidado e higiene.

Mas e o público? Como lidar com os diversos tipos de ouvintes?

Não é fácil. Trabalhar com pessoas requer tato e disciplina.

Reze para nunca pegar uma plateia que não questione e que não interrompa. Com o tempo, você vai perceber que estas manifestações em suas devidas proporções, são benéficas para o seu crescimento e envolvimento do público.

Lembre-se sempre que o bom cliente é aquele que reclama, porque faz sua empresa e seu produto crescerem. O que não reclama, trocará sua empresa por qualquer outra que ofereça 0,5% de “benefício”, portanto, agradeça sempre aos questionadores. Além de agradecer, trate-os com respeito e sempre que for pertinente a pergunta ou questionamento, responda. Se não for, deixe para respondê-lo após o evento. Informe que fará isto, e faça.

Mas, e os “engraçadinhos”, como proceder?

Simples, na primeira piada que ele fizer, dê um “sorrisinho de lado” e continue no tema, no raciocínio. Em uma eventual segunda piada (sem graça), o restante do público pedirá para que ele se cale.

Existe também o teimoso… Aquele que sabe tudo e pedirá sempre provas do que está dizendo.

Nunca, em momento algum, desmereça esta ou qualquer outra pessoa do grupo. Por varias razões, mas principalmente porque o feitiço pode virar contra o feiticeiro e o restante do grupo poderá se ressentir de sua “falta de educação”, e você, perderá seu crédito a partir deste momento.

Para o teimoso, o ideal é que prove suas palavras com exemplos e casos. Em qualquer situação, sua conduta ditará os caminhos para seu evento.

Trate-os sempre com respeito, assim poderá exigir também que o respeite.

Assim como existem treinandos com as suas diferenças, há também os palestrantes e as suas particularidades.

Falar em público para maioria das pessoas, não é uma tarefa muito fácil. Ficamos nervosos, com medo, tímidos, e podemos até gaguejar, porém, se somos donos de uma situação, este temor e estado alterado de nossa personalidade sumirá em 5 minutos, basta que tenhamos a certeza de que estamos no controle.

Tímidos somos todos um pouco, e não adianta dizer que “fulano” não é. Certamente ele também é, porém, encontrou uma forma de não deixar a timidez atrapalhar. Tem gente que fala muito por ser tímido, outros perdem a voz, alguns até ficam vermelhos – o que lhes causa maior timidez.

No fundo no fundo, nós, seres humanos, preferimos não nos expor, porque assim nos sentimos protegidos.

Não existe uma fórmula para perder a timidez, porém, podemos controlá-la.

Particularmente, uso o tom e volume da minha voz para me centralizar, outros vão buscar no fundo da sala um ponto perdido no espaço, mas o melhor a se fazer, é acreditar que você naquele momento detém o conhecimento do assunto que será abordado, e nenhuma pergunta ou situação poderá tirá-lo do controle – porque você sabe muito.

Podemos ainda, treinar em frente ao espelho (para algumas pessoas tímidas ao extremo, este exercício irá causar um certo desconforto, imagine, vergonha de você mesmo…), podemos ainda ler o conteúdo da apresentação por diversas vezes em voz alta e formular perguntas, como se já estivéssemos em sala de aula. Outros acabam com sua timidez segurando uma caneta – acredite, isto de fato traz uma “segurança”.

Mantenha o controle. Você se preparou para aquele momento, e errar até faz parte do processo, mas, não deixe de forma alguma o seu público perceber que está com medo. Assumir o controle, é assumir até os erros de um conteúdo, por exemplo, reconhecer que o que foi dito por um participante de fato está correto.

Existem também os afobados. Aqueles, que preferem passar o conteúdo de uma só vez, e atropelam o texto, erram o português, enfim, não existe na verdade nenhuma didática.
Estes nada mais são do que os ansiosos, e para eles a respiração é o melhor caminho; respire e se permita respirar. Relaxe com a respiração e dê ritmo ao seu evento.

Precisamos reconhecer nossas limitações, e trabalhar em cima delas. Talvez você saiba muito, mas não saiba passar seu conhecimento adiante; treine, acalme-se, e se ainda assim não houver condições de seguir adiante, habilite outra pessoa para fazer.

O bem do grupo é o que conta, e a mensagem da empresa precisa ser passada, e neste caso, não importa quem fará o gol, desde que seja feito.

Pense, pratique, reconheça…

Abraços!

Sandra Bhering Milate
Revisão de Texto: Volfrâmio Almeida

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