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Pensar Cientificamente

Pensar cientificamente

Quando falamos do conhecimento científico, o nosso pensamento muitas vezes, remete-nos a história dos homens de ciências, cientistas de laboratório, àqueles detentores de um conhecimento apurado, racional, em que tudo tem que ser provado, medido, dentro dos parâmetros da racionalidade, da experimentação, da sistematização.
A ciência faz parte da atividade do homem, reflete o progresso da humanidade, pois a mesma comunga do crescimento histórico e geográfico dos diversos povos em sua diversidade cultural, repercute na ética social, nas suas diversas culturas, que perpassaram, repercutiram e repercutem até hoje no continuísmo da evolução da sociedade, no crescimento e no modernismo aplicado pela tecnologia das grandes indústrias, das grandes cidades. Se nós pararmos para analisar através de uma “ visão simplória” , sem nos atermos a nenhum conhecimento técnico ou mesmo sobre uma visão de cientista propriamente dita, veremos que a ciência e sua aplicação prática faz parte do nosso cotidiano, das coisas simples praticamente em tudo que vivenciamos no dia a dia, da nossa vida diária, das coisas que consumimos.
Na realidade a ciência está presente em quase tudo que envolve o mundo do homem moderno, diante das suas necessidades básicas, praticamente temos a presença marcante da ciência em quase tudo que fazemos. Por exemplo, quando compro um produto industrializado, um creme especial para o cabelo, tenho neste produto a sua composição, a sua marca, a sua textura, volume, durabilidade, os cuidados especiais que devo ter sobre este produto para uma melhor conservação,informações estas que a mim, enquanto consumidor, me são de extrema importância, muitas vezes o seu registro, o engenheiro químico responsável, enfim, tenho a “presença da ciência” sobre este produto, pois para que o mesmo possa vir a ser consumido, exposto, teve de ser cuidadosamente manipulado por pessoas capacitadas para isto, um profissional qualificado, especializado, em especial, um (EQR) “ Engenheiro Químico Responsável” , pois é ele o detentor direto da composição deste produto, tem a sua fórmula que somente este profissional que estudou, se graduou, tem a competência real para o seu devido fim, estamos diante de pessoas que dentro de seu laboratória criaram uma determinada fórmula, que, desta fórmula foi gerado um produto que finaliza em algo a ser consumido, estamos diante de profissionais que se utilizam do conhecimento científico, da química, pelo exemplo do produto citado para um só objetivo, que é a criação de algo que possa ser benéfico para os cabelos, para um fim que se propõe determinada criação.

Os cientistas se utilizam do conhecimento científico em diversas outras áreas especiais como a física, a farmacologia (na manipulação de medicamentos) , na medicina e suas novas descobertas para a cura, através da tecnologia de aparelhos cirúrgicos cada vez mais sofisticados, na modernização das informações que são cada vez mais rápidas pelo uso do computador, da internet, no estudo das células troncos, etc. A ciência também está presente na teclogia da indústria automobilística, com o potencial dos motores cada vez mais arrojados. Através do conhecimento científico, o homem consegue cada vez mais tornar prática a vida do cidadão, principalmente quando ele utiliza-se da informática, dos computadores cada vez mais sofisticados e práticos.
O conhecimento científico, muitas vezes, está envolto diante de um cenário polêmico, pois muitos de seus conceitos, às vezes, vão de encontro às explicações dos fenômenos da natureza, como também se insere dentro das discussões religiosas, jurídicas, em temas que, às vezes, parece vir a ferir crenças e costumes calcados pela sociedade moderna. O Dicionário Aurélio, descreve o termo “ Ciência [Do lat. scientia.] S.f. 1.Conhecimento (3).2. Saber que se adquire pela leitura e meditação; instrução, erudição, sabedoria. 3. Conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente os obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio(…) ”. O dicionário de filosofia, Nicola Abbagnano descreve: “ Conhecimento que inclua, em qualquer forma ou medida, uma garantia da própria validade. (…) 2º A concepção descritiva da C.começou a formar-se com Bacon, Newton e os filósofos iluministas.
A palavra ciência vem de etimologia latina scientia, que significa conhecimento. A ciência faz parte do princípio epistemológico( teoria do saber cientifico),como vimos nesta prévia do conceito do que vem a ser ciência, em sua etimologia, faz-se necessário nortearmos dentro deste ínterim aprofundando um pouco como conceituação básica o chamado “conhecimento espontâneo e o conhecimento científico” – segundo Maria Lúcia e Helena Martins (Filosofando) – “ O chamado conhecimento espontâneo ou vulgar é ametódico e assistemático e nasce diante da tentativa do homem de resolver os problemas da sua vida diária . Assim um homem do campo sabe plantar e colher e colher segundo normas que aprendeu com seus pais(…) Esse tipo de conhecimento é chamado empírico, porque se baseia na experiência cotidiana e comum das pessoas e se distingue da experiência científica por ser uma experiência feita sem planejamento rigoroso . É também um conhecimento ingênuo por não ser crítico, não se colocar como problema, não se questionar enquanto saber”.
Quanto ao conhecimento científico temos uma outra fundamentação em relação ao senso comum “ é uma conquista recente da humanidade : tem apenas trezentos anos e surgiu no século XVII. Isso não significa que antes dessa data não houvesse nenhum saber rigoroso(…) Desde a Grécia de antes de Cristo, os homens aspiram a um conhecimento que se distingue do mito e do saber comum(…) a ciência grega encontra-se ainda vinculada à filosofia e dela só se separa quando procura o seu próprio caminho, ou seja, o seu método, o que vai ocorrer apenas na Idade Média. A ciência moderna nasce, portanto, com a determinação de um objeto específico de investigação e com o método pelo qual se fará o controle desse conhecimento”.

A Ciência está relacionada a uma organização sistemática do conhecimento, a uma fundamentação teórica,a um princípio metodológico sobre a experiência e a especificidade do que se pretende alcançar. Vejamos a aplicação dos seus métodos científicos em que os mesmos se aplicam a quatro fundamentos básicos para a sistematização da ciência. Ao seu “modelo”, a sua “hipótese”, a sua “lei” e a sua “teoria” .
No que diz respeito ao seu “modelo” o cientista faz a experimentação, a investigação, a observação, para se chegar a um resultado positivo daquilo que se propõe. As chamadas “hipóteses” são traduzidas em suposições , demonstrações de algo que se pretende alcançar, são idéias. As “leis” traduzem-se no princípio da universalidade do conhecimento, por fim temos a “teoria” “conjunto de concepções , sistematicamente organizadas ; síntese geral que se propõe explicar um conjunto de fatos cujos subconjuntos foram explicados pelas leis( Severino,1992: 126) – Um Outro Olhar –Filosofia – Souza, Sonia Maria de”.
Bom, um outro ponto importante a questionarmos é que muitas vezes mitificamos a postura do cientista na visão do senso comum, como um homem introspectivo, reservado em suas pesquisas, nas suas investigações, em busca da criação de algo novo em que anos e anos debruçado sobre livros e pesquisas acreditamos que este venha a fazer algo diferente para a humanidade. Fátima Caropreso ao fazer uma abordagem sobre Karl Popper (Eliminando Erros) nos diz que “A Ciência é atualmente considerada uma das mais importantes áreas de conhecimento, senão a mais importante. Parece haver crença de que há algo especial em torno dela e de seus métodos. Por isso, se atribui o termo “científico” a certos dados para assegurar sua confiabilidade. A alta estima que goza a ciência está presente tanto no mundo acadêmico quanto na vida cotidiana. (….)Mas o que é a Ciência afinal? Há garantia de verdade no conhecimento obtido “ cientificamente” ? A primeira dessas questões, como vem mostrando a Filosofia da Ciência, não pode ser definitivamente respondida, uma vez que há não apenas uma, mas inúmeras concepções de Ciência. (…) O conhecimento científico é um conhecimento muito superior àquele do senso comum; é um conhecimento que nos fornece um grau de segurança maior, mas não é e nunca virá a ser um conhecimento absolutamente verdadeiro, porque verdades absolutas não são possíveis” (1). O cientista faz renúncias de sua vida comum para uma dedicação maior, por dias e dias, em busca de uma descoberta, de uma fórmula, em que o seu cenário laboratorial torna-se como um verdadeiro oceano de desbravadores diante do mundo, comparados a navegadores com sua bússola de uma mente para o oceano, para o desbravar dos mares, por suas explorações e conquistas.
(1) Discutindo FILOSOFIA ,Ano 1 nº 4- Escala Educacional – São Paulo – 2007

Prof, Júlio di Paula
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