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Liderança remota: entenda os maiores desafios

Saiba o que fazer garantir sucesso neste tipo de gestão de equipes!

A liderança remota é um assunto que vem sendo cada vez mais discutido. Afinal, os modelos de trabalho estão mudando nos últimos tempos e o tema segue em alta.  

Boa parte do meu trabalho de desenvolvedor de conteúdos sobre as mudanças, gestão e pessoas se dá através de pesquisas que servem para confirmar, ou mesmo confrontar, as percepções existentes sobre temas contemporâneos.

Um dos assuntos que têm desafiado as empresas e profissionais na atualidade é o trabalho remoto e como os líderes estão conseguindo comandar suas equipes à distância.

Em tempos do crescimento acentuado do home office, essa prática pegou de surpresa muitos gestores que não estavam preparados.

O que é liderança remota?

A liderança remota envolve o exercício de habilidades de liderança para gerenciar equipes de trabalho à distância. Isso inclui a coordenação, motivação e orientação de membros da equipe que podem estar localizados em diferentes locais geográficos, utilizando meios virtuais de comunicação e colaboração.

Como fazer liderança remota?

Sem dúvida, a liderança remota requer comunicação clara, estabelecimento de expectativas, confiança mútua e uso eficiente de tecnologias colaborativas. Priorizar o apoio à equipe, promover a autonomia e manter uma comunicação aberta são fundamentais para o sucesso na liderança remota.

Como anda o trabalho remoto?

O trabalho remoto refere-se à prática de realizar as atividades profissionais fora do ambiente tradicional do escritório, usando tecnologia para se comunicar e realizar tarefas a distância.

Aliás, ele não é novidade. Muitas empresas já possuíam esse modelo de liderança remota antes mesmo da pandemia, mas, sem dúvida, o número aumentou expressivamente em 2020.

Uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA), realizada em abril de 2020 com 139 empresas brasileiras, demonstrou que 46% dos funcionários trabalhavam em cargos passíveis de home office e, por conta da pandemia, 41% passou a trabalhar de casa.

Para entender mais sobre a liderança remota, eu fiz pesquisas de campo e bibliográficas e levantei algumas informações relevantes, como você verá na sequência!

Pesquisa sobre a liderança remota

Em agosto e setembro de 2020 conduzi uma pesquisa pela Universidade da Mudança sobre liderança remota que contou com a resposta de 85 líderes e profissionais de RH e, além de algumas questões abertas, também usou afirmativas com respostas em escala de concordância (tipo escala de Likert com 4 classificações, 2 positivas e 2 negativas, sem ponto neutro).

Percebemos, resumidamente, que alguns temas ainda são desafiadores para liderança remota, enquanto outros assuntos têm sido mais facilmente abordados nas empresas. Na nossa pesquisa ficou claro que os dois maiores problemas da liderança remota estão relacionados à comunicação e à orientação para resultados.

A afirmação “o líder tem conseguido se comunicar de maneira adequada e eficaz” ficou em segundo lugar entre os maiores problemas da liderança remota e “o líder tem sido mais orientando às entregas de resultados do que o foco em tarefas e o cumprimento rígido de horário de trabalho” apareceu como o ponto com maior oportunidade de melhoria.

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Resultados da liderança remota

resultados liderança remota

Nas questões abertas, que evidenciam os acertos e os erros dos líderes, os pontos acima foram confirmados, sendo possível perceber claramente que o distanciamento social, os mecanismos utilizados e o excesso de demandas de ambas as partes (líderes e liderados) têm dificultado a comunicação.

Por outro lado, é perceptível que as lideranças têm bons resultados nas ações que requerem confiança nas equipes, empatia e flexibilidade.

A comunicação sempre foi um problema antes mesmo da utilização ampliada do trabalho à distância. A falta de feedback e de clareza nas expectativas dos resultados esperados já era algo comumente reclamado por liderados. A liderança remota ampliou.

Da mesma forma a empatia, flexibilidade e confiança nas pessoas já são traços naturais dos líderes tupiniquins e foram expandidos nesse momento.

Estudo sobre gestão remota

Outras pesquisas conduzidas brilhantemente por institutos de pesquisas e consultorias também revelam dados relevantes sobre a liderança remota.

Um recente estudo da consultoria brasileira AL+ People & Performance Solutions, publicado pela Infomoney, apresentou a informação de que 33,9% dos executivos entrevistados disseram que o maior obstáculo para a gestão remota de pessoas foi manter uma cultura organizacional e 25,4% afirmaram que uma das dificuldades é manter o engajamento à distância.

A pesquisa, realizada em agosto de 2020, contou com 177 executivos entrevistados entre CEOs, acionistas e empresários.

Esta pesquisa sobre gestão à distância também trouxe algumas constatações positivas, pois, 31% dos entrevistados afirmam que um dos maiores aprendizados foi perceber que o home office, que demanda a liderança remota, era viável.

Mais informações

No início da pandemia várias organizações não acreditavam que o trabalho remoto pudesse gerar resultados ou que os funcionários conseguissem ser produtivos. Cerca de 68% dos líderes pesquisados afirmaram que essa metodologia de trabalho em casa está funcionando perfeitamente durante a pandemia. Mostrou-se então que a liderança remota se tornou eficiente nesse modelo.

A pesquisa da FIA que citamos no início desse texto informa que cerca de 94% das empresas brasileiras afirmam que atingiram ou superaram suas expectativas de resultados com o home office.

Não é à toa que muitas empresas têm divulgado que adotaram o home office permanentemente, seja na totalidade ou com modelos híbridos de trabalho. Petrobras, XP Inc. e Twitter são algumas das que informaram que parte da equipe administrativa poderá optar pelo trabalho remoto, após a pandemia.

A ideia ganha força entre os funcionários. Uma pesquisa conduzida pelo professor André Fischer da FIA, apontou que 70% das pessoas gostariam de permanecer em regime de home office integral ou parcial, mantendo a liderança remota, segundo uma notícia publicada no UOL.

O que a liderança pode fazer para apoiar seu trabalho remoto?

sucesso na liderança remota

Algo chama a atenção nesse novo contexto. Com a ampliação das possibilidades à distância muitos líderes precisarão reinventar suas condutas de liderança remota.

Para o sucesso na liderança remota, um dos pontos essenciais deve ser a comunicação de mão dupla. A comunicação é a ferramenta maior de um líder e, nesse momento de comunicação remota, a chefia precisa ser cuidadosa e dedicada a esse ponto de atenção.

Gosto de explicar essa comunicação da liderança através de dois “grupos” de ações pois se tratam de dois conjuntos de ações que os líderes devem focar para exercerem uma boa liderança remota.

O primeiro conjunto são os ACORDOS que devem existir entre o líder e o liderado. Com essas ações é possível empoderar a equipe com maior foco nos resultados do que nas tarefas. O outro conjunto apresenta as AÇÕES COTIDIANAS para manter a moral da equipe e a comunicação aberta.

Nos itens previamente acordados entre os líderes e liderados estão:

Resultados

É necessário ao líder clarificar quais resultados são desejados com determinado projeto ou ação. No trabalho o controle das tarefas por meio da liderança remota se torna menos relevantes que a os objetivos a serem alcançados.

Recursos

É preciso definir quais recursos estarão disponíveis para que os resultados sejam alcançados e as condições para obtê-los. Cabe ao líder também ouvir os liderados para saber quais ferramentas ou informações estariam faltando e, por isso, limitando a ação.

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Limites

Pense em quais as regras e limites que devem ser respeitados e seguidos por todos? Desse modo, é possível ter um caminho mais assertivo para seguir.

Preferência

Remotamente a dinâmica do trabalho é diferente, principalmente quando o liderado trabalha em casa junto com a família. A dinâmica do cotidiano impacta diretamente, por isso as partes devem combinar as preferências de horários para reuniões, comunicações, intervalos, entre outras, sempre quando for possível.

Priorização

Algo muito importante para o colaborador remoto é ter um foco claro. Isso aumenta a produtividade e eficiência da gestão do tempo. Cabe ao líder ajudar o liderado a priorizar as atividades.

Ações importante na comunicação

Entre as ações cotidianas de follow-up e comunicação, três pontos se destacam:

Acompanhamento no trabalho remoto

O líder não pode se distanciar das equipes, mesmo que virtualmente. Para isso deve manter uma conduta recorrente de acompanhamento das pessoas, de maneira individualizada e coletiva. Claro que isso não significa ficar colado no funcionário controlando suas atividades e tarefas, mas sim, acompanhar os resultados, o andamento dos projetos e ajudar a destravar as dificuldades.
Apoio

liderança remota

O líder remoto deve ser um orientador e norteador de caminhos. Além disso deve se mostrar disponível para apoiar nas questões que garantem os bons resultados e, entre eles, até mesmo algumas questões pessoais como insegurança, ansiedade e cuidados com a saúde e qualidade de vida.

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Feedback

Esse é um dos pontos em que a liderança brasileira mais precisava desenvolver antes mesmo dos modelos de teletrabalho. Agora virou algo urgente. O líder deve ter uma rotina de feedbacks constantes, programados e eventuais, que ajudam os liderados a perceberem o quanto estão acertando e em quais pontos precisam se desenvolver.

Conclusão sobre liderança remota

Como vemos, a liderança precisa continuamente aprender e de desenvolver e, em um mundo de mudanças tão aceleradas, isso passa a ser uma obrigação para o sucesso nos novos tempos. 

De fato, na liderança remota, a comunicação é fundamental. Portanto, utilize plataformas virtuais para reuniões regulares, promovendo transparência sobre objetivos e expectativas.

Estabeleça metas claras e métricas mensuráveis para manter a equipe focada. Cultive a confiança através do empoderamento, dando autonomia aos membros da equipe. Incentive a colaboração por meio de ferramentas online e promova um ambiente inclusivo, reconhecendo o esforço individual.

Esteja disponível para apoio, compreendendo as necessidades individuais. A adaptação flexível e a empatia são essenciais para liderar de forma eficaz em um ambiente remoto, promovendo um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal.

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Marcelo de Elias é professor da FGV e Fundação Dom Cabral. Mestre em Inovação e Design Thinking. Formação internacional na Universidade de Tampa na Flórida/EUA. MBAs em Gestão Estratégica na USP e Gestão de Pessoas na FGV. Pós em neurociências e psicologia positiva pela PUC/Paraná. Formações executivas pela FDC. Experiência como Executivo de Recursos Humanos onde implantou metodologias em gestão de mudanças, gestão estratégica e gestão de pessoas. Conselheiro consultivo de instituições e empresas. Fundador da “Universidade da Mudança“, um dos maiores portais brasileiros de conteúdo sobre mudanças.
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