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Por Que Tudo Isso?

Cada vez mais esses temas estão presentes na vida dos profissionais de RH. 

Desenvolvi minha carreira nos últimos 30 anos, em um cenário de constantes mudanças e desafios: fusões, aquisições, vendas, reengenharia, redução de efetivos, redesenho de perfil, redesenho de estruturas, desregulamentação de mercados, etc.etc. 

No entanto, somente durante os primeiros 5 anos desse período tive convicções e certezas sobre meu trabalho. Nos outros 25 anos me deparei com as mudanças em todos os sentidos; os métodos e instrumentos adotados e aprimorados na gestão das pessoas dentro das organizações deixavam de ter sentido de um dia para outro. A busca por novas alternativas e soluções em todas as áreas foi frenética e criativa. Resultados chegaram, mas junto vieram outros males! 

Há anos me angustio com a infelicidade da maioria das pessoas dentro das organizações. Lembro-me da frase de um executivo, dita com muita amargura – “ganho muito dinheiro, mas sou infeliz no trabalho”. Infelicidade esta, que se traveste de diferentes formas: rotatividade falta de compromisso com seu trabalho, falta de ética, baixa qualidade, erros, postura de aproveitamento em relação aos empregadores e colegas, doenças psicossomáticas, insônia, obesidade, conflitos familiares e muitos outros fatores. 

Achei durante muito tempo que mudando os aspectos da gestão de RH beneficiaria os profissionais. Não consegui! 

Depois, passei a achar que essa realidade era própria de algumas organizações, talvez aquelas por onde passei talvez fruto de um modelo específico de gestão. Enganei-me! 

Nos últimos 3 anos, tenho tido oportunidade de conviver com diferentes organizações e profissionais, contudo continuo me deparando com a infelicidade e a insatisfação. Por quê? 

Busco entender a questão, as respostas e as soluções possíveis. Não as tenho, mas tenho alguns sentimentos e opiniões que compartilho através deste artigo, apenas para instigar a reflexão. 

O homem dentro do processo de globalização adoeceu! 

Passado o impacto e as adaptações, para se inserir em um novo cenário restam as questões: como está o ser humano? Quem está cuidando dele? 

As organizações tornaram-se, com certeza, melhores, foram mais desafiadas, buscaram soluções, diminuíram custos, melhoraram preços, tornaram-se mais competitivas, investiram em. 
Tecnologia, principalmente quando se constatam resultados quantitativos melhores. 

O fato é que os líderes, incitados e apoiados por suas estratégias empresariais, embrenharam-se nesta tarefa imperativa de “modernização/globalização” sem poder avaliar e cuidar bem das conseqüências para o ser humano. O instinto de sobrevivência primário falou mais alto e fez com que não se enxergassem aspectos importantes do contexto, com efeitos avassaladores no homem. Se alguns líderes, por características próprias de sua sensibilidade, visualizaram essas necessidades, tiveram que adiar a compreensão e os cuidados para com elas. 

O processo de globalização é um fato que não se pode reverter. Tudo na evolução da espécie na terra tende a ter continuidade. Porém, hoje já se pode olhar para o lado e enxergar o homem resultante de todo este processo. 

Poderia arriscar dizer que ele é hoje incrédulo diante das armas que foi capaz de usar, angustiado frente a muitas de suas atitudes e, temente, não a Deus na sua maioria das vezes, mas temente ao próprio homem. 

O desabafo hoje em qualquer nível sócio-econômico e organizacional tem na sua essência, uma série de sentimentos desconfortáveis, para muitos, nunca antes experimentados, sem, contudo ser expressão do desabafo de velhos decadentes ou em fim de carreira. Falta esperança, autoconfiança, exige-se que se prove a todo o momento sua capacidade como resultante da concorrência. 

Como imprimir sua marca de personalidade, seu estilo? Como deixar sua contribuição para a história? As relações perderam seus referenciais. 

É inegável a falta de saúde psíquica do homem, os sintomas físicos, a busca de terapias alternativas, a relação familiar desgastada, a relação com o trabalho conflituosa, as relações pessoais descompromissadas e toda uma série de compulsões que se utiliza para extravasar e encontrar soluções prontas e eficazes, mas que o escraviza em seu contexto e em sua alienação. 

Como cuidar desse homem? Que respostas os profissionais de saúde têm para essa dinâmica louca que se tornou a vida profissional e pessoal das pessoas? 

As empresas usam atualmente os jargões como “qualidade de vida”, “resgate do humano”, “satisfação no trabalho”, “aconselhamento” e outros, fazendo menção à tratativa que concedem aos aspectos humanos na organização. 

Assim, parece-me que hoje, os profissionais de RH devem estar também preocupados em como lidar com as incertezas, inseguranças e infelicidades, em localizar e incentivar alternativas e metodologias para cuidar desses aspectos, e proporcionar e orientar a procura de profissionais com tais programas. 

Não devemos mais responder somente pelas políticas, métodos e procedimentos para a gestão das pessoas dentro das organizações, mas devemos estar preocupados com a felicidade e a saúde delas. Como? Não temos respostas-padrão prontas, o que nos faz entender tantas metodologias que estão surgindo na busca desesperada de resgatar a felicidade e tranqüilidade no ambiente de trabalho. 

É possível o contexto organizacional existir com seres humanos felizes e saudáveis. 
Esperança no homem! Deve ser o sentimento e a orientação de todos os movimentos dos profissionais de RH. 

Carmen Maria Natali Nigro Doro é Psicóloga pela PUC, Psicodramatista pelo Instituto “Sedes Sapientiae”, pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV. Atua em Recursos Humanos há 34 anos com carreira em grandes empresas, entre elas Vidraria Santa Marina, Cerâmica São Caetano, Banco de Crédito Nacional, H.Stern Joalheiros, Banco Excel Econômico, Banco Bilbao Viscaya, BCN e Grupo Brasanitas, sempre ocupando funções estratégicas em nível de gerência e ou diretoria. Consultora independente desde 1999, desenvolve projetos voltados à estratégia e política de RH, análise profissional e de competências e programas de aconselhamento profissional a executivos. Conselheira da ABRH-SP – Associação Brasileira de Recursos Humano-SP e membro efetivo do Grupo Diógenes.

Autor Desconhecido

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