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Presença

“…Depois, os três se assentaram no chão com ele, durante sete dias e sete noites. Ninguém lhe disse uma palavra, pois viam como era grande o seu sofrimento.” Jó 2:13 (Bíblia Sagrada)
Não! A fala não é o único meio de comunicar-se com os outros. Por meio de gestos, atitudes, escrita, imagens, sons e outros tantos signos podemos nos relacionar e interagir com as pessoas. Dizem que as imagens são mais explícitas, ao tempo que podem também ser dúbias. Os mais importantes em uma comunicação são a mensagem que de fato, transmitimos e a identificação que o interlocutor faz com ela. No trato com os homens do nosso tempo, geralmente, nos posicionamos indiferentes a quem quer que seja. Muito menos importa o que essas pessoas estão sentindo ou vivendo já que, o centro do universo é o nosso ego e o mundo real é aquele que conhecemos pelas experiências pessoais. Somado a isto, impõe-se à necessidade de convencer aqueles que nos cercam de que somos o modelo de perfeição e verdade. Sutilmente declaramos: Olhem, vejam como eu faço! Vejam como eu sou! … E, me sigam. Comunicação tem tudo haver com empatia e aí está o segredo das verdadeiras amizades. Os amigos em festa cantam e se divertem juntos; os amigos políticos negociam palanques e arquitetam posições; os moribundos simplesmente se abraçam esperando a morte chegar. Os amigos infantis brincam disputando brinquedos enquanto os levianos de fala altiva e opressiva caminham para a solidão. Sendo assim, concluímos que o silêncio exige sabedoria e nos momentos da dor alheia funciona como um banho matinal. O que nos conforta não é a fala dos amigos, mas a presença deles e a maneira como nos enxergam e entendem, já que nossa maior carência momentânea é por companhia. Uma parceria que nos conforte e nos dê coragem para resistir e não se acomodar, pois os parceiros que arregimentamos durante nossa trajetória vêm de forma veemente nos mover da zona de conforto. A simples presença deles é um bálsamo que nos recompõe de maneira sutil e eufórica mesmo quando não entendemos a direção que nos apontam.
Os amigos, geralmente, se familiarizam com a nossa condição mesmo que a natureza dê sinais da situação deriva em que nos encontramos, ao acharmos que os problemas são temporais e surgem de maneira espontânea e natural. Ouça-os!
FRANCIS BACON já dizia: “Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.”
Me deparando com esta citação, lembrei-me de um fato jornalístico que caracteriza alguns tipos de companheiros do ambiente de trabalho, embora tencionasse, apenas narrar um acidente trágico:
“No ano passado o Rio de Janeiro sofreu uma das piores enchentes por causa do volume de chuva. A imprensa mostrou, ao vivo, várias operações de resgate a pessoas ilhadas ou em dificuldades. Em uma destas, vimos um grupo de pessoas isoladas em cima de uma marquise de parada de ônibus, quase submersa, e a forte correnteza inibindo a possibilidade de fuga. Um bombeiro conseguira chegar com uma corda até a marquise, mas a atenção de todos estava voltada para um indivíduo, à cerca de trinta e cinco metros dali, agarrado em um poste, lutando para não ser arrastado pela água.
Numa atitude heroica o bombeiro prensou a corda entre os dentes e atirou-se na água, nadando contra a maré, em direção ao homem que sucumbia. Todos o admiraram naquela hora, e torceram para que ele chegasse até o poste e voltasse realizado. Podia-se ouvir gritos de incentivo e até aplausos enquanto nadava naquele momento de angústia, para que os dois resistissem. O aflito susteve-se até a chegada do bombeiro; o herói alcançou a vítima, porém, não tinha forças para retornar. O grupo, seguro sobre a estrutura de concreto, vibrou e torceu tanto pelos dois que esqueceram de segurar a outra ponta da corda. Conclusão trágica: As torrentes fizeram mais duas vítimas fatais à vista de todos. O que desejo que você entenda é que há amigos que estão em dificuldades, aguardando nossa entrega em socorrê-los. Há amigos que se importam mais com a nossa vida do que consigo mesmo. Há aqueles que torcem por nós, nos incentivam, nos animam. Há os que estão sempre junto a nós, mesmo quando o caos nos rodeia, e há outros que mesmo distantes querem nos ver vitoriosos. Entretanto, em algum momento da vida, vamos depender dos amigos que tem a sabedoria e prudência para nos trazer de volta à segurança, para que não morramos diante das adversidades.

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