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Sumário

Pressão no Trabalho: causas, consequências e a importância da atuação do RH

Pressão no trabalho é tudo o que excede a normalidade, causando tensão e estresse aos funcionários. Exemplos incluem cobranças exageradas dos chefes, prazos de entrega muito curtos e metas inatingíveis.

pressão no trabalho sempre existiu, e é normal que ocorra em todas as empresas independente do seu porte. E tudo que excede a normalidade dentro de uma instituição, como situações que causam tensões e pressões aos colaboradores, é pressão no ambiente de trabalho.

A pressão no trabalho é uma realidade intrínseca a diversos setores e pode ter impacto significativo no bem-estar e na qualidade de vida dos colaboradores.

Enquanto uma dose moderada de pressão pode ser motivadora e desafiadora, a pressão excessiva ou mal gerenciada tem o potencial de causar uma gama de consequências negativas, tanto para os indivíduos quanto para as organizações. 

Este artigo busca analisar as causas da pressão no trabalho, suas implicações e como a área de Recursos Humanos (RH) pode desempenhar um papel crucial na mitigação desses efeitos.

O que é pressão no trabalho?

Qualquer situação que exceda os níveis normais de demandas e exigências, causando tensão excessiva aos colaboradores, é considerado uma pressão no trabalho. Exemplos comuns incluem cobranças exageradas dos superiores, prazos irreais para a conclusão de tarefas,  metas inatingíveis, entre outras atividades.

Relações tóxicas no ambiente de trabalho também contribuem significativamente para o estresse dos colaboradores. As causas para tais níveis de pressão são variadas, mas o aumento da competitividade, exigências na qualidade da entrega e as rápidas transformações digitais são alguns dos principais fatores.

De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, somente no ano de 2022, foram notificados 2.424 casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho. Minas Gerais liderou o ranking de notificações, seguido por São Paulo e Bahia. O ano de 2022 também se destacou como o período com o maior número de casos registrados nos últimos 15 anos.

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Causas comuns de pressão no trabalho

Em um artigo publicado no site da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, a pressão no ambiente de trabalho muitas vezes está relacionada a três tipos/fatores principais:

  1. Pressão de tempo, principalmente relacionada a equipe insuficiente para atender a demanda e, como consequência, acúmulo de funções;
  2. Autoexigência;
  3. Pressão por resultados, comum em startups e empresas com metas urgentes.

Porém, também podemos verificar outros fatores que contribuem para o aumento da pressão nas empresas e equipes como:

  1. Cargas de trabalho elevadas: expectativas irrealistas, prazos apertados e demandas excessivas podem sobrecarregar o time, levando a um aumento significativo do estresse;
  2. Mudanças organizacionais frequentes: reestruturações recorrentes e mudanças de diretrizes sem comunicação adequada podem gerar incerteza e ansiedade entre os colaboradores;
  3. Falta de recursos: trabalhar com recursos insuficientes ou equipamentos obsoletos pode dificultar a realização de tarefas de forma eficiente, adicionando uma camada extra de pressão;
  4. Relacionamentos interpessoais: conflitos com colegas ou gestores podem contribuir diretamente para um ambiente de trabalho estressante.

Cobrança é diferente de pressão

Embora pareçam semelhantes, cobrança e pressão são conceitos distintos que se relacionam com o desempenho dos colaboradores. A cobrança refere-se à exigência de que as equipes cumpram suas responsabilidades e obrigações de acordo com as expectativas da organização, gestão de metas, estratégias coletivas e pessoais.

Trata-se de uma forma saudável de incentivar os colaboradores a melhorar seu desempenho. Já a pressão é um nível mais elevado de exigência que pode levar a danos emocionais e psicológicos. Ela pode ser gerada por prazos irrealistas, metas inatingíveis e sobrecarga de trabalho excessiva.  

É importante que as empresas e a liderança saibam diferenciar a cobrança saudável da pressão nociva. A pressão no trabalho não é necessariamente sinônimo de assédio moral, mas pode facilmente se tornar um comportamento abusivo e prejudicial à saúde mental das equipes. 

Quando excessiva, a pressão tem o potencial de transformar o ambiente de trabalho em um espaço tóxico. Em situações extremas, essa pressão pode evoluir para o assédio moral, caracterizado por comportamentos violentos e repetitivos que causam constrangimento e humilhação aos funcionários, resultando em danos emocionais e psicológicos. 

Diferente disso, a pressão pode ser uma forma de cobrança saudável e até motivadora. Em muitos contextos, funciona como um incentivo para que os colaboradores alcancem seus objetivos profissionais.

No entanto, quando ultrapassa limites e gera um clima de medo e humilhação, transforma-se em assédio moral, prejudicando a todos os envolvidos.

Autocobrança e pressão no trabalho

A autocobrança excessiva e a pressão no trabalho se configuram como desafios crescentes no mundo corporativo atual, afetando negativamente a saúde mental, a produtividade e o bem-estar dos colaboradores. Para compreendermos a magnitude dessa questão, vamos analisar dados e pesquisas relevantes sobre o tema:

1. Dados preocupantes

  • Estudo da ISMA-BR: 85% dos brasileiros se sentem pressionados no trabalho, sendo que 43% sofrem de ansiedade e 32% de depressão.
  • Pesquisa da ADP Research Institute: 72% dos trabalhadores brasileiros relatam sentir estresse no trabalho, com 30% sofrendo de burnout.
  • Relatório da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH): A autocobrança é apontada como um dos principais fatores que contribuem para o estresse no trabalho, afetando 70% dos colaboradores.

2. Fatores que contribuem para a autocobrança e pressão no trabalho

  • Excesso de Carga de Trabalho: volume excessivo de tarefas, prazos apertados e falta de recursos para realizar o trabalho.
  • Falta de Reconhecimento: ausência de feedback positivo, valorização inadequada e recompensas insuficientes.
  • Perfeccionismo: busca incessante pela perfeição, medo de errar e inabilidade de aceitar críticas.

Consequências da pressão no trabalho

Entenda se você sabe trabalhar sob pressão!

As sequelas da pressão excessiva no ambiente de trabalho são diversificadas, afetando tanto a saúde dos colaboradores quanto a produtividade e resultados organizacional:

  1. Saúde física e mental comprometida: o estresse crônico pode resultar em problemas como ansiedade, depressão e hipertensão, entre outros problemas de saúde;
  2. Baixa produtividade: funcionários constantemente pressionados tendem a ver seu desempenho afetado, o que, de maneira irônica, pode elevar ainda mais a pressão sobre eles;
  3. Aumento do absenteísmo e rotatividade: indivíduos que se sentem constantemente pressionados são mais propensos a faltar ao trabalho e eventualmente buscar novas oportunidades de emprego;
  4. Impactos na inovação e iniciativa: um ambiente de trabalho extremamente pressionante pode sufocar a criatividade e a iniciativa de todo o time. A constante sensação de urgência e a necessidade de cumprir metas irreais podem desincentivar a busca por novas ideias e soluções inovadoras, prejudicando a capacidade da organização de se adaptar e inovar.

Quais são os tipos de pressão no trabalho?

A pressão no trabalho pode se manifestar de diversas formas, impactando negativamente a saúde mental, a produtividade e o bem-estar dos colaboradores. Para compreendermos melhor essa questão, vamos analisar os principais tipos de pressão no trabalho.

1. Pressão Interna

A pressão interna pode ser devastadora para o bem-estar dos funcionários, manifestando-se de diversas maneiras. Primeiramente, a autocobrança, caracterizada pelo excesso de exigências pessoais e pela busca pela perfeição inatingível, frequentemente leva ao medo do fracasso.

Em seguida, o perfeccionismo intensifica essa tensão, tornando difícil aceitar imperfeições, focando nos erros, e impedindo que a pessoa se contente com resultados “bons o suficiente”.

Além disso, a baixa autoestima contribui ainda mais para o problema, dificultando a capacidade de se sentir valoroso e capaz, enquanto crenças negativas sobre si mesmo e o medo do julgamento dos outros se intensificam.

Consequentemente, a ansiedade de desempenho surge como um medo constante de não corresponder às expectativas, resultando em receio de errar e insegurança sobre as próprias habilidades.

Por fim, a síndrome do impostor agrava a situação ao gerar a sensação de ser uma fraude, fazendo com que o indivíduo acredite que seu sucesso é resultado de sorte ou engano, vivendo com o medo constante de ser desmascarado.

2. Pressão Externa

A pressão externa no ambiente de trabalho pode ser igualmente prejudicial ao bem-estar dos funcionários.

Primeiramente, o excesso de carga de trabalho, caracterizado pelo volume excessivo de tarefas, prazos apertados e falta de recursos adequados, sobrecarrega os colaboradores.

Além disso, a falta de reconhecimento, manifestada pela ausência de feedback positivo, valorização inadequada e recompensas insuficientes, desmotiva e desvaloriza os funcionários.

A cultura organizacional competitiva, que enfatiza excessivamente a produtividade individual e promove comparações entre colegas, resulta em falta de colaboração e um ambiente de trabalho hostil.

Em paralelo, o assédio moral, com comportamentos hostis e abusivos como humilhações, ofensas, constrangimentos e sabotagem, cria um ambiente insustentável.

A instabilidade no trabalho, marcada pelo medo de demissões, reestruturações frequentes e insegurança no emprego, gera ansiedade constante.

Por fim, a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal, evidenciada pela dificuldade em conciliar as demandas do trabalho com a vida pessoal e familiar, provoca estresse e desgaste emocional, impactando negativamente a saúde e produtividade dos funcionários.

3. Pressão Indireta

A pressão indireta no ambiente de trabalho pode ser igualmente prejudicial e se manifesta através de várias formas.

Primeiramente, expectativas exageradas impostas por superiores, colegas ou clientes criam um ambiente de frustração, especialmente quando não levam em consideração as capacidades e recursos disponíveis.

Além disso, a falta de clareza nas instruções, metas e objetivos gera dúvidas, incertezas e ansiedade nos colaboradores, dificultando o cumprimento eficaz das tarefas.

A carência de recursos, sejam eles materiais, tecnológicos ou humanos, também é um fator significativo, impedindo que o trabalho seja realizado de forma eficiente e eficaz.

Acrescentando a isso, um ambiente de trabalho hostil, marcado por conflitos frequentes, falta de comunicação e um clima organizacional tóxico, intensifica ainda mais a pressão sobre os funcionários.

Por fim, a falta de apoio da equipe, dos líderes ou da empresa em momentos de dificuldade ou desafio, deixa os colaboradores se sentindo desamparados e desmotivados, agravando a situação de pressão indireta.

Qual o papel do RH na redução da pressão no trabalho?

A área de Recursos Humanos desempenha um papel vital em como administrar a pressão no trabalho e como promover uma cultura organizacional saudável. Cinco atividades estão entre as estratégias mais eficazes:

  1. Promoção da comunicação aberta: encorajar uma cultura de comunicação aberta ajuda a identificar e resolver fontes de pressão antes que se tornem problemas maiores. O RH pode organizar sessões regulares de feedback, One on One e disponibilizar canais anônimos para que os colaboradores expressem suas preocupações;
  2. Oferecimento de treinamento e suporte: programas de capacitação para gestores sobre como gerenciar equipes de maneira eficaz e empática podem reduzir significativamente a pressão decorrente de práticas de gestão inadequadas. Além disso, proporcionar acesso a serviços de apoio psicológico ajuda os colaboradores a lidarem melhor com o estresse;
  3. Ajuste de cargas de trabalho: monitorar e ajustar as cargas de trabalho para garantir que sejam realistas é essencial para evitar sobrecarga. O RH pode trabalhar junto aos gestores para revisar e redefinir metas e prazos quando necessário;
  4. Reconhecimento e recompensa dos esforços: reconhecer os esforços dos colaboradores e recompensá-los adequadamente pode mitigar a sensação de pressão e aumentar a satisfação no trabalho;
  5. Promoção do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal: Políticas de horários flexíveis e a possibilidade de trabalho remoto ajudam os colaboradores a gerenciar melhor suas responsabilidades, contribuindo para a redução do estresse.

O RH é o grande aliado para lidar com a pressão no trabalho

Entenda as funções do profissional de RH!

Nesse contexto, o RH pode atuar como um aliado dos colaboradores e liderança, oferecendo programas e recursos que ajudem a lidar com a pressão no trabalho. Algumas ações possíveis incluem:

  1. Pausas regulares no trabalho: incentivar intervalos regulares para descanso e recuperação pode ajudar a reduzir níveis de estresse acumulado;
  2. Programas de bem-estar físico e mental: oferecer atividades como exercícios físicos, técnicas de relaxamento e acesso a palestras e treinamentos sobre gestão de estresse podem ser extremamente benéficas;
  3. Serviços de aconselhamento: proporcionar apoio psicológico e emocional através de serviços de aconselhamento pode ser crucial para ajudar os colaboradores a lidarem com a pressão de maneira saudável;
  4. Acompanhamento e feedback contínuo: implementar um sistema de acompanhamento e feedback contínuo juntamente com os líderes que contribuam para compartilhamento de responsabilidades, estratégias, resultados; 
  5. Metas realistas e planos de desenvolvimento individual: trabalhar com os gestores para estabelecer metas atingíveis e criar planos de desenvolvimento individual pode ajudar a alinhar as expectativas e fornecer um caminho claro para o crescimento profissional dos colaboradores. Isso não só reduz a pressão, mas também melhora a satisfação no trabalho e o engajamento;
  6. Rituais de comunicação: estabelecer rituais de comunicação regulares, como reuniões de equipe, atualizações mensais e comunicados internos, pode colocar todos na mesma página quanto a resultados, entregas e conquistas. Isso aumenta a transparência, fomenta a colaboração e assegura que todos os colaboradores estejam bem informados sobre os objetivos e progressos da empresa.

Ao implementar essas estratégias, o RH pode contribuir de maneira significativa para a criação de um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e motivador, alinhando-se à estratégia geral da empresa.

Isso garante que a organização equilibre suas exigências com resultados tangíveis, promovendo um crescimento sustentável tanto para os colaboradores quanto para a empresa como um todo.

“É fundamental que as empresas ofereçam aos seus colaboradores ferramentas e recursos para lidar com o estresse e a pressão no trabalho.” – Fernanda Gomes, Psicóloga especializada em saúde ocupacional.

Leia também:

A relevância da inteligência emocional no ambiente de trabalho

A inteligência emocional destaca-se como uma habilidade essencial para o sucesso tanto individual quanto organizacional. Muito além de apenas controlar as emoções, a inteligência emocional envolve a capacidade de compreendê-las profundamente, gerenciá-las de maneira eficaz e utilizá-las para conectar-se com os outros.

Essa habilidade permite construir relacionamentos positivos e alcançar objetivos de forma mais eficiente, promovendo um ambiente de trabalho harmonioso e produtivo. Afinal a inteligência emocional influencia vários aspectos:

  • melhora na comunicação e no relacionamento interpessoal;
  • aumento da produtividade e do desempenho;
  • redução do estresse e promoção do bem-estar;
  • liderança inspiradora e eficaz;
  • fortalecimento da imagem e da reputação da empresa.

Como lidar com a pressão do trabalho em home office?

Trabalhar em home office oferece vantagens como flexibilidade de horários e autonomia, mas também traz desafios como manter a produtividade e evitar distrações. Para lidar com essa pressão, é essencial estabelecer uma rotina clara, definindo horários específicos para trabalho, vestindo-se de forma profissional e fazendo pausas regulares.

Criar um espaço de trabalho dedicado, organizado ergonomicamente e livre de distrações, é crucial. Informar familiares e colegas sobre seu horário de trabalho, desativar notificações e usar ferramentas de bloqueio de sites ajuda a manter o foco. Comunicação eficaz com colegas e superiores, mantendo contato regular e participando de reuniões virtuais, é vital.

Cuidar da saúde mental e física, praticando atividades físicas, mantendo uma alimentação saudável, e reservando tempo para atividades relaxantes, também é importante. Estabelecer limites claros para evitar esgotamento mental e buscar ajuda quando necessário, seja de superiores, colegas, familiares ou grupos de apoio, são estratégias essenciais para um home office bem-sucedido.

Conclusão

A pressão no trabalho é uma realidade no dia a dia de muitas organizações e, embora possa ter aspectos motivadores, sua gestão inadequada pode levar a uma série de consequências negativas para os colaboradores e para a organização como um todo. 

O setor de Recursos Humanos desempenha um papel crucial na identificação e mitigação das fontes de pressão, bem como na promoção de um ambiente de trabalho equilibrado e saudável. Estratégias como a promoção da comunicação eficaz, o desenvolvimento contínuo da liderança e a oferta de programas de bem-estar são fundamentais para minimizar os impactos da pressão excessiva no trabalho.

Ao implementar essas ações, o RH não apenas melhora o bem-estar dos colaboradores, mas também contribui de forma significativa para a saúde financeira da organização. Um ambiente de trabalho positivo resulta em maior engajamento, menor rotatividade e absenteísmo, e maior produtividade. 

Além disso, em momentos críticos, a união e o comprometimento de todos os envolvidos tornam-se fundamentais para a superação de desafios organizacionais e conquistas de resultados positivos.

Portanto, com uma abordagem proativa e estratégias eficazes, é possível transformar a pressão no trabalho em uma ferramenta de motivação e produtividade sustentável. Isso garante um crescimento equilibrado e vantajoso tanto para os colaboradores quanto para a organização, criando uma sinergia que favorece o sucesso coletivo.

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*Juliana Dimário Head de Pessoas e Cultura da CBYK Consultoria e Seastorm Ventures, com certificação Internacional em Psicologia Positiva pelo WholeBeing Institute, Chief Hapiness Officer (CHO) pelo Instituto Feliciência, Colunista no RH Portal, com MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, e graduação em Comunicação Social pela Universidade Metodista. Profissional voltada a Cultura Organizacional, Bem-estar e Comunicação Corporativa, com mais de 15 anos de experiência atuando em empresas de grande porte e multinacionais, na área de engajamento e clima organizacional, branding, jornada de cliente, comunicação corporativa e marketing de produtos.
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