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Como encaramos a pressão que sofrem os vestibulandos?

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Com o final do ano se aproximando, entramos em uma época muito delicada para uma grande parcela de jovens brasileiros, o período de provas dos vestibulares. Os exames de admissão para o Ensino Superior são considerados por muitos adolescentes como o momento mais importante do ano, pois abrem uma grande oportunidade para os vestibulandos que alcancem uma nova etapa em suas vidas.

No entanto, o que pouco se discute é a pressão que estes indivíduos sofrem em seu período de preparação para os exames. Além da pressão externa, há também a autocobrança, que se acentua em períodos de grande dificuldade e na presença de fatores estressantes, como a pandemia, por exemplo.

Nova call to action

Mesmo em pleno século XXI, nossos estudantes vivem em um sistema de ensino que segue sendo baseado em avaliações de apenas dois tipos de inteligência: a lógico-matemática e a linguística.

Apesar de hoje já termos conhecimento dos diversos tipos de conhecimento, parece que essa realidade está longe de ser alterada no país. Com isso, crianças, adolescentes e vestibulandos são obrigados a lidar desde cedo com o estresse e a frustração.

Avaliações como os vestibulares e o tão conceituado Enem, que medem apenas um tipo de inteligência relativa a vários anos de estudo, na verdade, acabam por excluir talentos enormes com altíssima inteligência musical, cinestésica, comunicacional, entre outras.

O desperdício de talentos é evidente, mas, além disso, temos um prejuízo imensurável aos indivíduos: crianças que crescem acreditando que são “incompetentes” e que passam a sofrer com baixa autoestima, ansiedade, estresse e depressão. Esse é um tema importante para o país que foi reconhecido em 2017, pela OMS, como a nação com o maior número de casos de depressão da América Latina.

Existem ainda situações em que as repercussões emocionais podem acarretar em desconfortos físicos, como casos de gastrite e dor de cabeça, por exemplo. Também não é difícil de se encontrar vestibulandos que devido ao grande nível de estresse que vem sofrendo, acabam afetando seu período de descanso, causando, entre outras coisas, desordens do sono.

A avaliação feita por uma prova, que só se repetirá dentro de um ano, pode inclusive prejudicar ótimos alunos que não possuem um bom controle emocional. Não é incomum que vestibulandos que são ótimos, mas têm dificuldade de memorização não passem em seleções. Também não é raro o famoso “deu branco”.

O acesso universal a um ensino de qualidade é outro fator que afeta muitos estudantes e que se agravou ainda mais com a pandemia, isso porque, devido à necessidade de distanciamento social, muitos estudantes passaram a ter que se virar em casa sem recursos necessários para prosseguir com o ensino, entre eles, o acesso à internet.

Segundo a Unicef, o cenário de evasão escolar atinge cerca de 5 milhões de jovens no Brasil, sendo que houve um crescimento de 10% da evasão de estudantes do ensino médio ao longo da pandemia.

É um cenário alarmante de êxodo escolar aliado a um grande impacto psicológico gerado por quase dois anos de distanciamento humano e mudanças drásticas nos modos de vida. Aqueles que seguem decididos a continuar mesmo com todas essas adversidades, sentem um impacto profundo em seu desempenho quando são avaliados.

A consequência disso tudo é a sensação de frustração, de incapacidade e de inadequação em pessoas que ainda nem tem certeza se o caminho que escolheram é aquele vão querer seguir a longo prazo.

Aliás, cobrar pessoas tão jovens para que definam o rumo de suas vidas tão cedo é outro fator que deveria ser discutido. Afinal, somos seres mutáveis que a todo mundo precisam se adaptar, mas que são obrigados a seguir um modelo de pensamento único, moldado por uma sociedade que também já não é a mesma.

Enquanto a realidade das avaliações de inteligência/capacidade não passar por uma profunda transformação que leve em conta as inteligências múltiplas, a saída para a população será o cuidado com a saúde emocional.

Terapia, meditação, reflexão e uma boa comunicação são boas formas de confrontar esses males e podem ser desenvolvidos e incentivados não apenas pelo jovem estudante, mas também por todo o núcleo de conhecidos que o cerca, seja por amigos, conhecidos, responsáveis ou familiares.

No entanto, o mais importante é ajudar esse jovem a entender que a sua vida não se define por uma prova.

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Não sabe por onde começar a ajudar seu filho?

1- Preste atenção ao comportamento dele. Insônia ou muito sono, pernas balançando, comportamento como roer unhas, arrancar fios de cabelo já demonstram uma ansiedade acentuada.

2- Muitas crianças e adolescentes já se cobram o bastante. Saiba reconhecer quando o desempenho ruim se deu por falta de estudo ou por dificuldade em lidar com a pressão.

3- Incentive o adolescente a ter momentos de prazer, não só de estudo. É importante “descomprimir” e relaxar.

4- Ensine técnicas de relaxamento, respiração e até meditação. Há muito conteúdo online.

5- Se notar que mesmo assim a situação está fora de controle, busque terapia.

Se você gostou deste artigo sobre os vestibulandos, confira também como a saúde está ligada com a produtividade no trabalho.

*Wilson Monteiro, Pesquisador em Neuroantropologia, Sociologia Existencial, e Psicotecnologias.

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