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Primeiro viver, depois filosofar

Primeiro
viver, depois filosofar

(Primum vivere, deinde philosophare)

 

Conheço
pessoas e mesmo empresas que têm uma enorme capacidade para desenvolver novas
idéias e projetos, mas que não conseguem transformar essas idéias em ação.
Elas ficam meses e até anos pensando, reformulando o pensamento, aperfeiçoando
o projeto, mas não conseguem transformar essas idéias em ação e essa ação
em resultados.

Conheço
empresas que têm um excelente departamento de pesquisa e desenvolvimento de
novos produtos que nunca são lançados no mercado. Elas não acreditam na própria
capacidade de transformar essas idéias maravilhosas em produtos reais no
mercado. Às vezes chego a pensar que elas têm medo do 
mercado e se escondem desenvolvendo “novos produtos” num laboratório.

           
O
filósofo inglês Thomas Hobbes em seu livro O Leviatã (1651) registrou
a frase latina – Primum vivere, deinde philosophare – Primeiro viver,
depois filosofar. Essa frase tem o mesmo sentido da famosa inscrição do barco
grego – Navegar é preciso, viver não é preciso. O que ela quer dizer
é que para viver é preciso primeiro pescar e para pescar é preciso navegar.
Assim, numa redução simplista, o que é preciso é navegar. Se eu não
navegar, não vivo, pois que não terei  do
que viver e o que comer.

 
ainda um velho ditado português que diz: Tenhamos a pata; então falaremos
da salsa,
ou seja, primeiro vamos conseguir o pato ou o frango, depois vamos
conversar sobre o molho. Tem gente que gasta horas discutindo o molho sem a
menor perspectiva de conseguir o frango.

           
Não
estou querendo dizer que filosofar, pensar, cismar, questionar não seja
importante. Para que caminhemos com o devido entusiasmo é preciso que saibamos
onde desejamos chegar. O que quero ressaltar, no entanto, é que não basta o saber.
É preciso agir. E agir com os pés na realidade.

           
Conheço
pessoas e empresas com sonhos mirabolantes de sucesso. Conheço empresas e
pessoas que passaram a vida sonhando em realizar grandes negócios, enormes
projetos, grandes empresas, mas que ficaram no sonho, na filosofia. Nunca
desceram à realidade concreta do mundo real. São pessoas maravilhosas.
Empresas que têm todas as condições de crescer, mas que ficam distantes das
coisas simples e concretas que fazem, de fato, o sucesso ocorrer.

           
Assim,
é preciso que nunca nos esqueçamos que é preciso primeiro viver, trabalhar,
conseguir os recursos para então filosofar, isto é, pensar nas coisas menos
concretas e de maior conteúdo abstrato.

           
Vejo
esposas desesperadas ao verem seus maridos desempregados há meses e escolhendo
o emprego dos sonhos, o lugar ideal para trabalhar. 
Nenhum lugar é bom demais que mereça 
seu trabalho. Enquanto isso falta o pão, o leite, o feijão, o arroz e o
uniforme das crianças…
Primum
vivere, deinde philosophare!

           
E
você como é? E sua empresa?

           
Faça um retrospecto de todos os
projetos e sonhos que já teve e que nunca foram realizados por falta de uma visão
mais empreendedora da vida. Faça um bom exame de consciência e veja se você
também não está discutindo o molho antes de conseguir o frango. Pense nisso.
Sucesso.

 

Luiz
Marins
 
www.anthropos.com.br

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