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Processo Seletivo e Saúde Mental: como abordar as questões

processo seletivo

O processo seletivo é uma das atribuições mais importantes da gestão de pessoas. Uma vez que suas etapas costumam tratar de temas sensíveis, como exames de saúde e entrevistas pessoais. 

Desse modo, profissionais da área precisam saber abordar o tema saúde mental durante o recrutamento humanizado.

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Neste artigo, buscamos orientar a gestão de pessoas para tratar esse assunto, considerado muito relevante nas empresas. Antes da leitura, segue uma regra de ouro: o RH deve tratar a saúde mental com empatia e sem estigmatizá-la ainda mais como um tema tabu. Boa leitura!

Como o RH pode abordar as questões de saúde mental de forma natural no processo seletivo? 

O RH exerce o papel preponderante de zelar pelos recursos humanos nas empresas. Assim, além de garantir meios para produtividade e eficiência, a gestão de pessoas precisa dedicar atenção à saúde física e mental dos colaboradores. 

A questão é saber como falar sobre questões emocionais e psicológicas naturalmente, sem rodeios. Afinal, ambientes tóxicos, cobranças extremas e falta de motivação são fatores que afetam a saúde mental. 

Nesse sentido, uma boa gestão de RH deve incluir atitudes positivas, em prol da qualidade de vida no trabalho. Aqui, destacam-se debater, agir, acolher, dialogar, informar e, principalmente, não rotular

Para tanto, os profissionais da área devem ter um plano de gestão contendo métodos e práticas para desenvolver e potencializar o capital humano. Da mesma forma, precisam gerenciar o comportamento dos colaboradores respeitando a individualidade. 

Programas internos nas empresas podem ajudar?

Sem dúvida, promover ações voltadas ao público interno pode ajudar. Programas para motivar e incentivar colaboradores podem aumentar a produtividade e tornar o clima organizacional mais agradável. Isso, claro, se forem bem estruturados e aplicados com eficiência. 

Nesse sentido, programas internos devem atender a três condições: 

  • favorecer a motivação individual;
  • conceder reconhecimento organizacional;
  • oferecer recompensas

Ao implementar ações nesse sentido, a empresa deve atentar a alguns fatores. Como exemplo, citamos: implementar um canal de comunicação eficiente, dar feedbacks contínuos, promover treinamentos, cursos ou capacitações, entre outros. 

Sendo assim, promover ações internas, como incentivo ao bem-estar, é de grande valia. Iniciativas nesse sentido ajudam a saúde mental dos colaboradores. Nessa hora, a tecnologia pode ser uma grande aliada. 

O que deve ser feito?

O preconceito acerca da saúde mental ainda é grande na sociedade. A consultoria americana McKinsey mostrou que 75% das organizações reconhecem que o estigma existe. Tanto que 37% dos profissionais revelaram evitar qualquer forma de tratamento para evitar exposição no ambiente de trabalho

Por constrangimento, os candidatos tentam mostrar a melhor versão de si mesmos durante o processo seletivo. 

No entanto, as organizações e lideranças entenderam que os recursos humanos precisam de um tratamento acolhedor. Nesse sentido, o assunto ganhou espaço e entrou para o debate. Desse modo, a gestão de pessoas pode:

  • ao invés de avaliar apenas habilidades técnicas, o RH pode aplicar testes psicológicos. Eles contribuem para conhecer o candidato além do currículo;
  • investigar a capacidade do profissional em cumprir horários de trabalho, metas e prazos. A disponibilidade de cada um pode variar em candidatos com problemas de saúde mental;
  • durante a entrevista, o recrutador deve criar condições para o candidato se sentir à vontade. Inclusive para abordar assuntos como ansiedade, depressão ou déficit de atenção.

Por fim, o processo seletivo deve prezar pela empatia e transparência. Logo, é fundamental discutir condições pré-existentes, questionar de forma respeitosa e demonstrar interesse pelo indivíduo

Para o candidato, a organização mostra que sabe lidar com problemas dessa ordem. Assim, a empresa fortalece a marca empregadora e qualifica a experiência do futuro profissional. 

contratação de talentos

O que fazer depois da contratação?

Formalizada a contratação, o RH deve seguir atento à saúde mental dos colaboradores. Afinal, o cotidiano profissional tem altos e baixos. As equipes enfrentam cobranças, obstáculos, competitividade e lideranças exigentes, entre outras situações. 

Condições como essas podem afetar o estado psicológico das equipes, agravando casos onde há predisposição ou confirmação de desconforto. 

Nesse sentido, a gestão de pessoas pode utilizar três abordagens, sugeridas em um guia do Fórum Econômico Mundial:

  • proteger a saúde mental reduzindo os fatores de risco relacionados ao trabalho;
  • promover a saúde mental ao desenvolver aspectos positivos individuais e habilidades dos colaboradores;
  • enfrentar casos de problemas de saúde mental independentemente da causa.

Ainda, o RH pode realizar ações específicas para manter a saúde mental no trabalho:

  • promover espaço para o diálogo, ouvir sugestões ou sanar dúvidas;
  • proporcionar jornadas de trabalho mais flexíveis para conciliar vida pessoal e profissional;
  • investir em gestão comportamental para desenvolver o capital humano e fortalecer o engajamento;
  • realizar palestras e debates para discutir cuidados com a saúde mental no ambiente organizacional;
  • disseminar informações sobre o tema em diferentes canais de informação (podcasts, vídeos, newsletters, TVs corporativas);
  • promover ações de prevenção e disponibilizar auxílio profissional;
  • proporcionar um ambiente profissional adequado e agradável, prezando pelo clima organizacional saudável;
  • adotar práticas integrativas sugeridas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir bem-estar e produtividade

Inclusive, algumas dessas práticas, como yoga e meditação, foram instituídas em grandes empresas, por exemplo, Google, Facebook, Apple e Vivo

Mas o mais importante em tudo é considerar que todas essas iniciativas são responsabilidade da gestão de pessoas. 

Dicas e estratégias necessárias

Para tratar o tema com a responsabilidade que ele merece, as empresas devem implementar políticas de saúde mental. Estabelecido um plano de prevenção e conscientização, o RH terá um ponto de partida para traçar estratégias. Confira algumas dicas:

  • monitorar os níveis de estresse e satisfação no ambiente laboral, aplicando pesquisas de clima;
  • oferecer uma rede de apoio aos colaboradores que manifestarem, de forma clara ou velada, qualquer desconforto psicológico; 
  • disponibilizar informação e acolhimento (reuniões, horários flexíveis e compromisso com o colaborar que retorna após afastamento);
  • a gestão de pessoas deve mostrar-se disponível, mas sem ser invasiva, respeitando o momento e o tempo de cada um;
  • os profissionais do RH devem estar preparados para identificar mudanças de comportamento ou queda de produtividade (existem indicadores específicos para isso);
  • o setor deve manter contato frequente com as lideranças e gestores, oferecer treinamento e suporte para que o tema saúde mental seja de amplo conhecimento;
  • investir em comunicação clara entre os colaboradores sobre prevenção e cuidados, inclusive com feedbacks constantes. 

Conclusão

Como podemos ver nesse conteúdo, saúde mental é assunto sério dentro e fora das empresas. Por conta disso, a relevância do tema chegou à Câmara dos Deputados. O projeto de lei 4918/19 estabelece direitos e garantias às pessoas com transtornos mentais, incluindo-as no rol das pessoas com deficiência. 

Ainda em tramitação, o PL quer garantir a participação plena e efetiva de pessoas com doenças mentais na sociedade, em igualdade de condições com os demais. 

Sendo assim, a diversidade, já presente nas empresas, deve agregar também aqueles trabalhadores que manifestem (ou não) qualquer tipo de desconforto psicológico ou emocional. 

Nesse sentido, abordar o tema com naturalidade é uma tarefa atribuída à gestão de pessoas

E cabe aos profissionais da área desenvolverem estratégias com este fim. Sendo assim, comece imediatamente baixando nosso e-book sobre planejamento da saúde mental e cuidados

 

engajamento de funcionários

 

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