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Profissionais de RH são disputados pelo mercado

Nunca o profissional de RH foi tão desejado pelas empresas como agora. Conheça o perfil do executivo que o mercado procura.

Só nos cinco primeiros meses deste ano, o paulista Haroldo Sato, de 34 anos, recebeu quatro propostas de emprego. Além da Fast Shop, empresa varejista do setor de eletroeletrônicos com 2 800 funcionários, Sato foi assediado por multinacionais e grandes empresas de vários setores. Situação parecida viveu o administrador de empresas Valdir Pires, de 44 anos. Antes de assumir, em março, um cargo de alta gerência na Pirelli, em Campinas, interior de São Paulo, ele passou por mais duas seleções com empresas dos setores de bens de consumo e autopeças, cada uma com cerca de 8 000 funcionários. Quer saber a área de atuação de Sato e Pires? Os dois são executivos de recursos humanos.

Nos últimos dois anos, a demanda por executivos de RH vem aquecendo as consultorias de seleção e recrutamento. “Nesse período, a procura por profissionais para cargos estratégicos cresceu 40%”, diz Renata Wright, da Michael Page, empresa de recrutamento de São Paulo. E o fenômeno não deve parar por aí. Segundo Renata, a incerteza causada pela crise americana no início do ano contribuiu para que se intensificasse a busca por esse profissional. “As companhias estão procurando executivos que sejam capazes de lidar com situações complexas e que saibam interpretar o negócio para gerar, mesmo, maiores resultados”, diz Renata.

Essa busca acirrada fez com que a própria Michael Page criasse uma nova divisão na organização, focada apenas em recrutar profissionais de RH. Apenas em 2007, foram abertas 112 oportunidades para executivos da área. De janeiro a abril deste ano já foram abertas mais 57 vagas. Apesar de a Michael Page recrutar profissionais mais ligados à média e alta gerência, a história não é diferente para os níveis mais altos. A Korn/Ferry International, uma das maiores companhias de recrutamento de altos executivos no mundo, com sede em São Paulo, também registrou um crescimento na procura por diretores, superintendentes e vice- presidentes de RH. Até 2006, a média de projetos realizados pela Korn/Ferry para profissionais nessa área era de 15 por ano. Só no primeiro trimestre do ano passado, a consultoria trabalhou em 22 projetos. Hoje as contratações em RH já representam 15% do total na consultoria. Silvia Sigaud, diretora da Korn/Ferry, aponta dois importantes fatores por essa demanda crescente: a internacionalização das empresas brasileiras e os recentes IPOs. “Com a exposição internacional das empresas nacionais e os processos de abertura de capital, o maior desafio das companhias é selecionar e reter os talentos”, diz Silvia. “Isso tem forçado as companhias a investir em profissionais de RH mais estratégicos, que participem do seu processo de crescimento.”

Mais valorizados
O aquecimento na área de RH tem contribuído para a maior valorização desse profissional. A disputa pelos bons nomes do mercado obriga as empresas que contratam a pagar mais caro e oferecer bônus mais agressivos. O administrador de empresas Haroldo Sato, hoje diretor de RH da Fast Shop, conseguiu aumentar em 300% seu salário em apenas três anos graças à procura crescente do mercado por profissionais com o seu perfil. Nesses três anos, Sato foi responsável pela área de recrutamento e seleção da Cisco para a América Latina, e, depois, diretor da Vivato, holding do Grupo Unicoba, que atua no Brasil há mais de 30 anos, com sete companhias em diversos segmentos, como eletrônica, plásticos de engenharia, telecomunicações, TI e serviço de manufatura eletrônica. “Acredito que minha expertise em trabalhar com tecnologia e comandar a gestão de pessoas de várias empresas ao mesmo tempo foi ponto primordial para minha atual contratação”, diz Sato, que escolheu a Fast Shop pela possibilidade de crescer ainda mais na carreira.

“As empresas incluíram o RH nas políticas de remuneração variável, com metas atreladas a resultados”, diz Sato. “Hoje, o meu cargo é tão bem pago quanto o dos executivos da área financeira.” Com um crescimento de 40% ao ano desde 2005, 41 lojas no Brasil espalhadas em cinco estados, com previsão de expandir para outros três, a Fast Shop foi a responsável pela atual vinda ao Brasil da poderosa Apple, fabricante americana de produtos de informática, como o iPod. “A Fast Shop está vivendo um processo de reposicionamento com a consolidação da marca no segmento de luxo. Num processo como esse, existem mais oportunidades de exposição”, diz Sato, que comanda uma equipe de 40 pessoas.

Foi também graças à sua experiência na ponta do negócio, trabalhando como chefe de RH na Mahle Metal Leve, que Valdir Pires foi fisgado pelo mercado. Saiu de uma empresa na qual estava havia 17 anos, de 1 250 funcionários, e passou a liderar 2 000 pessoas na fábrica da Pirelli de Campinas, responsável pela produção de pneus de carro de passeio. E, assim como Sato, ele também está apostando no crescimento do negócio. “O mercado automobilístico está bastante aquecido. Em 2007, foram produzidos 2,8 milhões de carros. Este ano, a previsão é um aumento de mais de 400 000 veículos”, diz Pires. “Para isso, é preciso investir nas pessoas.” E para investir em pessoal, a empresa precisa de um RH forte.

Do you speak english?
É nesse ponto que a vida dos headhunters começa a ficar complicada. Achar um RH forte, que atenda às expectativas atuais das empresas, não é uma tarefa fácil. “A economia cresceu mais rápido do que as empresas conseguiram formar executivos de RH”, diz Marcelo Braga, sócio-diretor da Search Consultoria em Recursos Humanos, de São Paulo. Além de entender muito bem a linguagem do negócio, conhecer o mercado, saber aplicar ferramentas de gestão no momento certo e para as pessoas certas, um ponto vem fazendo toda a diferença no recrutamento desses profissionais: falar inglês e espanhol fluentemente.

Por incrível que possa parecer, essa habilidade, já há muito requisitada quando se trata de níveis executivos, ainda é uma pedra no sapato quando os executivos são de recursos humanos. “Muitos profissionais falam inglês, mas bem menos do que o mercado precisa”, diz Braga, da Search. Nos processos de recrutamento de diretoria, ele contabiliza que metade dos profissionais chega sem falar inglês com fluência. No nível de gerência, o número sobe para 60%. “O RH hoje tem uma grande chance de conseguir um alcance além do território brasileiro, assumindo responsabilidades para a América Latina. Muitas vezes, executivos argentinos, mexicanos e chilenos levam vantagem por dominar o espanhol e o inglês.” Enquanto o profissional brasileiro patinar nessa deficiência, estará em desvantagem na disputa pelas crescentes vagas estratégicas, vendo posições robustas serem preenchidas pelos vizinhos latinos.

OS DESEJADOS
Conheça a lista de habilidades do profissional de recursos humanos mais requisitados pelo mercado:
– Capacidade de interação com as pessoas e com o ambiente.
– Percepção aguçada para antecipar crises e conflitos.
– Visão estratégica da empresa e do mercado em que atua.
– Interação com outras empresas para alinhar as políticas de remuneração.
– Domínio de inglês e espanhol.
– Formação em negócios.
– Experiência multicultural.
– Expertise em gerenciar talentos.
FONTE: HEADHUNTERS

QUEM QUER MAIS
Os setores que têm maior demanda de profissionais de RH:
– SERVIÇOS
– INFRA-ESTRUTURA E BENS DE CAPITAL
– MINERAÇÃO
– SIDERURGIA
– CONSTRUÇÃO
FONTE: HEADHUNTERS

Por Raquel Kuhn,Adm.

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