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Programa “bolo De Fubá”. Conceitos De Economia Doméstica Na Empresa: Isto Funcio

Sim, funciona mesmo!

O homem, desde seus primórdios, aprendeu a administrar as atividades e custos do lugar onde habitava, tendo trabalho fora de casa ou não.

O que se pregou durante muitos e muitos anos foi o conceito de que empresa e casa, ou lar, não se misturam.

A frase mais usada era “os problemas pessoais ficam do portão da fábrica para fora” como se o empregado que estava adentrando para a realização do trabalho fosse uma entidade desvinculada do homem que tinha família, cachorro, talvez um carro, saúde e finanças para cuidar, sem falar em qualidade de vida que, nessa época nem se cogitava pelo extremo supérfluo que representava na vida do ser humano.

Como o progresso é um trator que ninguém pode deter, os conceitos estão aos poucos mudando. Sim, aos poucos, pois a tecnologia está a cada dia se superando e temos que acompanhá-la, mas conceitos antiquados arraigados dentro de nós em virtude de uma educação familiar e estudantil, não mudam na velocidade da tecnologia.

Assim, temos hoje uma conscientização muito grande, mesmo que por vezes não colocada em prática, de que a pessoa que entra para trabalhar, seja como empregado, seja como prestador de serviço em uma empresa, é a mesma pessoa que acabou de sair de uma outra atividade, com outro grupo de pessoas, com um determinado objetivo de vida chamada “casa”.

Empresa, segundo o dicionário, é um empreendimento, uma organização, um estabelecimento ou firma que pode funcionar de modos variados.

Casa, por incrível que pareça, tem a mesma descrição. 

Isto comprova que os procedimentos adotados pelos integrantes de uma família ou agrupamento de pessoas que convivem juntas, são, se não idênticos, muito semelhantes aos procedimentos que os trabalhadores têm na empresa, desde o mais alto ao mais simples cargo.

A que conclusão chegamos então ?

Que, com raras exceções, o comportamento que um pai, mãe ou
filho tem em casa, este será o comportamento do empregado, do prestador de serviço dentro da empresa, pois ele é a mesma pessoa.

Sendo único, este indivíduo que em casa não sabe administrar, na empresa não fará milagres. Talvez desempenhe as suas tarefas a contento, mas nada de excepcional acontecerá, pois ele é uno.

Se este mesmo indivíduo não sabe como se fazer respeitado, não sabe integrar os membros da família, como poderá gerir pessoas, atuar com conceitos de time, conciliar possíveis diferenças entre o seu pessoal ?

Seria este um assunto para se pensar ? Acredito que não !

A transparência é bastante grande e com ela vislumbramos um dos por quês alguns funcionários recebem tantas informações e ferramentas para atuar de modo que alcance seu resultado, tanto investimento é feito pela empresa em treinamento, mas ele não consegue chegar lá. É porque ele é uma pessoa única.

Talvez daí igualmente venha a explicação do porque as mulheres alcançaram com um sucesso surpreendente, em tão pouco tempo, o desempenho dos cargos e atividades que conquistaram.

Sem desmerecer o árduo e respeitado trabalho masculino, a mulher veio para o mercado de trabalho, não somente com um diploma debaixo do braço e certificados de inúmeros cursos realizados, mas veio principalmente com os conceitos de como conduzir uma casa e um lar, conceitos estes que lhe foram passados desde seus primeiros dias de vida.

Atender as necessidades de cuidar da alimentação e saúde dos filhos, educa-los, instruí-los muitas vezes, abastecer a casa em todas as centenas de itens que a compõem, saber os itens que são necessários para suprir um mês, uma semana ou um dia apenas, como conservá-los, procurar o melhor preço com a melhor qualidade desses itens, não desperdiçar nada reaproveitando o que puder, limpar e higienizar o ambiente em que se vive, cuidar da segurança da casa e do lar, tentar agradar filhos, marido, pais e sogros e irmãos e cunhados, enfim…

Tarefas imensamente diversificadas, sob pressão e que requerem vinte e quatro horas de dedicação !

Isto foi levado, com certeza, junto com o título de Advogada, Médica, Engenheira, Dentista, Psicóloga, Professora, Diretora ou Gerente de uma empresa. 

Até um simples fato doméstico como não desperdiçar alimentos, tentando aproveitá-los ao máximo, nos ensina como não desperdiçar nada na empresa desde um clips, o telefone, a energia ou a água, até a peça mais cara que se tem para trabalhar, revertendo, com a somatória de todos, numa imensa redução de custos.

Deixar sempre o guarda-roupa do seu quarto em perfeita ordem, separando as roupas e sapatos por estação, por tipo, por cor, retirando de dentro o que não se usa e nem vai usar mais, para que sobre o espaço necessário ao que realmente usamos, nos revela a exata noção de como ter um arquivo arrumado e eficaz na empresa, principalmente achando com facilidade documentos importantes para apresentar a uma fiscalização ou servir como prova documental em possíveis processos judiciais.

Ou, então, fazer um bolo de fubá, que representa, no fundo, muito mais que a sua simples aparência. 

Como ? Vejamos !

Para fazer um bolo de fubá precisamos: primeiro a vontade de fazê-lo, se não para si, pelo menos para a família, pois nem sempre cozinhamos só para nós.

Segundo a receita e temos que pegá-la com alguém, de preferência que faça o melhor bolo de fubá do mundo!

Terceiro precisamos ter o dinheiro para comprar os ingredientes e sair para comprá-los com o valor que temos em mãos. Muitas vezes não tendo o dinheiro suficiente para comprar os ingredientes da receita, temos que usar a criatividade para substituí-lo por algum outro sem perder o resultado final do bolo.

Saber bater a massa, pois ela tem um andamento certo, senão desanda !

Preparar a forma adequada para um bolo de fubá, não pode ser qualquer uma.

Ter um forno a lenha, a gás ou microondas e colocar a massa na temperatura certa e no tempo exato: um minuto a menos fica crua e um minuto a mais pode queimá-lo.

Após o cozimento, ter a habilidade para retirá-lo da forma sem quebrar e se deparar com duas reações do “cliente” (familiar): “que bolo gostoso!” e não sobra nem para quem fez o bolo comer um pedaço após tanto trabalho ou “credo, bolo de fubá !”.

Será que esta simples descrição ampla de como fazer um bolo tem alguma coisa com gestão empresarial ?!

Querer fazer ou motivação, saber comprar e saber fazer ou competência, criatividade para inovar e solucionar, saber usar as ferramentas adequadas, bom senso, chegar ao resultado desejado e ainda agradar a todos, são os poucos tópicos que encontro em comum.

E estes foram apenas poucos exemplos daquilo que podemos nos servir para chegar ao sucesso empresarial com os “simples” conceitos retirados da “economia doméstica”.

Certamente as proporções devem ser respeitadas entre uma casa e uma empresa, no entanto os conceitos são os mesmos e devem ser aproveitados de maneira coerente !

Investir em treinamentos dessa natureza deve ser o caminho ideal para a empresa que quer alcançar seus resultados com sucesso, conseguir para seus empregados uma qualidade de vida na empresa e fora dela e ainda fazer com que seus clientes e fornecedores se deparem com uma situação de satisfação tão grande dentro da empresa que se refletirá fatalmente no produto, no serviço e no atendimento. 

O ser humano de estiver trabalhando na empresa se sentirá melhor nela e se comprometerá muito mais com ela se se sentir “em casa”!

Conceitos de economia doméstica na empresa: isto funciona! 

Regina Arisa dos Santos Dias
Advogada formada pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo no ano de 1.983

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