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Programas De Integração Facilitam A Adaptação De Quem Está Chegando

Entrevista Concedida ao JORNAL A TARDE – Salvador-Bahia – Caderno Empregos & Mercados

Depois de dias de suspense, finalmente você recebe a tão esperada notícia: foi o escolhido para ocupar a vaga disputada com inúmeros outros candidatos.

Claro que o primeiro dia é de pura comemoração, mas… já imaginou seu

primeiro dia na nova empresa? Sente um friozinho na barriga ao pensar nas

horas iniciais no desconhecido ambiente de trabalho?

Ansiedade, na verdade, é um sentimento comum para qualquer um, mas o

problema é quando a sensação passa dos limites. Alguns profissionais chegam

a desistir da oportunidade ou levam muito mais tempo do que o normal para

adaptar-se quando os primeiros contatos no novo emprego não são bem

conduzidos.

A fase de adaptação costuma ser delicada para qualquer profissional. No entanto, pode ser superada com êxito caso receba a atenção adequada.

O ideal é que essa fase seja acompanhada por um programa de integração, responsável pela socialização do profissional, diz a consultora organizacional e diretora da Holos Crescimento Humano e Organizacional,

Jacqueline Cerqueira.

Ela conta que as empresas de grande porte normalmente destinam a primeira

semana de trabalho para apresentar as áreas da organização, promover palestras e organizar visitas técnicas, com o objetivo de tornar clara a missão da empresa para o recém-contratado. Esse conhecimento global que é passado para o profissional é o que reforça a motivação do contratado diante da nova organização, afirma Jacqueline.

Novatos

As empresas de médio porte, no entanto, nem sempre estão seguindo o mesmo

modelo. “Muitas destas empresas ainda não promove esse tipo de programa de

forma oficial, o que pode propiciar situações constrangedoras para os

novatos”, alerta a consultora.

Ela cita como exemplo típico o momento do almoço, quando normalmente o novo

colaborador é avistado pelos demais colegas. E se não há uma apresentação

prévia claro que todos irão indagar sobre o “desconhecido”, o que pode

provocar desconforto no recém-contratado.

A consultora explica que o Programa de Integração inclui várias etapas. A

primeira delas é apresentar um vídeo institucional e materiais informativos

que tornem transparentes as principais áreas de atuação da organização e

como funcionam. Em seguida, o novo colaborador é levado de sala em sala para

ser apresentado.

Quando a empresa possui ramificações em outras localidades (caso não haja condições ou tempo hábil para deslocar-se o profissional até lá), convida-se os representantes das áreas distantes para promoverem palestras para o funcionário novato.

E a consultora explica que, quando o gerente de área não tem como se deslocar para ministrar a palestra sobre o setor que coordena, cabe ao profissional de recursos humanos estar preparado para falar sobre todas as áreas e transmitir um conhecimento global da organização.

“Já trabalhei para empresas que autorizavam até interromper reuniões para

apresentar o novo colaborador. Isso porque as empresas entendem que esse tipo de procedimento é importante para o desempenho do profissional” comenta

a consultora.

Ajustes

E mesmo as empresas que têm pressa demasiada para iniciar as atividades com

o profissional recém-contratado devem, pelo menos, ajustar o Programa de

Integração à sua realidade, sugere Jacqueline.

Podem, por exemplo, reduzir o tempo destinado ao programa. Em dois dias, é possível conseguir uma integração básica e passar segurança suficiente para que o colaborador saiba em que terreno está pisando.

Mostrar um vídeo institucional e apresentar o profissional para os demais funcionários é o mínimo a ser feito. E essa preocupação deve se estender entre todos os níveis hierárquicos, assinala a

consultora.

Jacqueline Cerqueira comenta que algumas empresas têm tanta pressa para iniciar as atividades com o novo contratado que tentam até mesmo adiar os exames médicos e psicológicos. O mesmo, no entanto, não acontece com as organizações conscientes da importância dos programas de adaptação,

sobretudo, aquelas que adotam programas de qualidade, diz.

A consultora lembra ainda que, as normas de qualidade (ISO 9000 e 14000) contemplam palestras institucionais no programa de integração.

“Quando a auditoria avalia a empresa, ela sorteia um número de matrícula entre os funcionários e verifica se ele participou de programa de integração. Caso a resposta seja negativa, é emitida uma notificação para que este procedimento seja cumprido, de modo a não comprometer o processo de certificação.” É por essa razão que atualmente as empresas já estão mais atentas a essa necessidade.

Para as empresas que valorizam os programas de integração, os ganhos são

imediatos, assegura a consultora. “O colaborador entra na organização mais

motivado, mais seguro e disposto a vestir a camisa da empresa”, destaca Jacqueline.

Profissional deve buscar integrar-se

Quando a empresa não oferece o programa de integração, o próprio profissional deve buscar maneiras de não se sentir um peixe fora dágua, orienta a consultora Jacqueline Cerqueira. Uma das formas de começar a se integrar é dar uma olhada cuidadosa no organograma da empresa e observar a lista telefônica interna da organização para identificar os responsáveis por cada departamento ou setor.

“O profissional tem que mostrar curiosidade e ter persistência, pois nem

sempre irá conseguir todas as informações de que precisa imediatamente”, diz. Isso não significa, no entanto, forçar a barra e sair se apresentando para os representantes das áreas. O sensato é esperar os momentos realmente oportunos.

Para conseguir informações sobre a organização vale pesquisar sobre a

organização na Internet, observar portfólios e folders institucionais.

Esse cuidado, inclusive, é melhor que seja tomado antes da seleção.

“Faz parte do bom perfil do profissional saber previamente informações sobre a empresa, embora seja atribuição da organização também fornecer as informações”, frisa Jacqueline.

Ambientação

Por mais contraditório que pareça, além de se omitir quanto à responsabilidade de oferecer o programa de integração, algumas empresas ainda avaliam negativamente o colaborador que não toma iniciativa própria para “descobrir” a organização, revela Jacqueline.

A consultora é incisiva ao afirmar que tão importante quanto a seleção criteriosa do profissional é o programa de ambientação. E destaca que se o processo de seleção for bem criterioso, bem conduzido, o programa de integração torna-se mais fácil.

Jacqueline conta que os estagiários também são vítimas constantes dessa falta de preocupação com a integração. “É comum o estagiário entrar na empresa e não saber nem por onde começar. Essa é uma queixa generalizada entre eles.

“As empresas não se dão conta de que é importante para os estagiários ter informações sólidas sobre o programa de estágio e que a falta dessa preparação pode complicar a performance deles e até desmotivá-los”, afirma.

Por: Holos

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