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Propósito organizacional é fonte de valor para colaboradores e para os negócios

Por Souzanne Dupont*

Há muitos séculos a bússola era um dos recursos mais usados pelos desbravadores para guiá-los rumo às conquistas de novos territórios e para orientá-los sobre os próximos passos em uma jornada. Centenas de anos mais tarde, a pequena ferramenta ganhou uma roupagem mais moderna e hoje pode ser comparada ao que o mercado definiu como conceito de propósito organizacional: um importante norteador de todos os que estão envolvidos no negócio. Na prática, é a representação do motivo que faz a empresa existir, que aponta o que ela é capaz de gerar para a sociedade e como seu legado pode (e deve) ser impactante.   

O propósito sintetiza a razão de existir das empresas, descrevendo como a marca contribui para o mundo. Também é uma força que move a organização desde sua origem e que a mantém relevante no tempo. Pela sua importância para o crescimento sustentável das organizações, precisa ser algo verdadeiramente abraçado pelas companhias, e que não pode se limitar a determinada área ou departamento. Deve ser compartilhado com todos, envolvendo e estimulando os colaboradores, gerando valor para a equipe e, consequentemente, para o negócio. Um propósito claro e verdadeiro cria condições tangíveis que aumentam exponencialmente o nível de engajamento do time, estimulando a criatividade, a inovação e o esforço extra de toda a companhia.

Nova call to action

Estudo feito pela Deloitte mostrou que empresas com propósito ganham mais market share e crescem, em média, três vezes mais rápido que suas concorrentes. Essas organizações também alcançam maior satisfação tanto dos clientes quanto dos colaboradores. 

Definindo um propósito

Apesar de todo o mercado e, principalmente as lideranças, reconhecerem a importância de um propósito compartilhado, muitos gestores ainda têm dificuldade de defini-lo e implementá-lo no dia a dia, como apontou pesquisa realizada pela Harvard Business Review e pelo EY Beacon Institute. Menos de 40% dos executivos ouvidos no levantamento disseram que suas organizações articulavam um forte senso de propósito. Outra pesquisa realizada pela PwC descobriu que, ainda que 79% dos líderes acreditem que o propósito é fundamental para o sucesso do negócio, 68% deles não utilizam o propósito como ferramenta de gestão.

Existem inúmeras ferramentas que ajudam as empresas e seus líderes a encontrar seu propósito e gerar impacto. Uma delas é a metodologia Golden Circle. Por meio de três perguntas (Por quê? Como? O quê?, nessa ordem), o conceito busca criar valor, engajar o público interno com uma causa e inspirar pessoas. Criada pelo inglês Simon Sinek, o sistema orienta a criação de empresas, ideias ou campanhas com propósito e valor.

Outra forma de começar a construir um propósito organizacional claro e consistente é fomentar, constantemente, a discussão sobre o assunto em reuniões internas, mesmo em tempos adversos. O distanciamento e o home-office não podem ser empecilhos para a geração e reafirmação do propósito organizacional. Mesmo à distância, gestores e líderes devem seguir compartilhando o propósito da empresa com todos os colaboradores e conectá-lo aos processos da organização e ao propósito individual de cada um. 

Resultados guiados pelo propósito

Um dos benefícios de definir e seguir um propósito organizacional consiste em mobilizar os colaboradores em torno de um objetivo em comum. Quando um colaborador sente que faz parte de algo maior, percebe que é importante para toda a engrenagem. É muito mais do que efetuar entregas no prazo: trata-se de senso de pertencimento. Dessa forma, é possível realizar as tarefas com paixão e entusiasmo. 

O propósito também aumenta o engajamento do consumidor com a marca/organização e alinha interesses com diferentes stakeholders. Outra pesquisa da Deloitte, realizada com consumidores dos Estados Unidos, Reino Unido, China e Brasil, mostrou que, ao tomar decisões sobre as marcas, os usuários consideram os propósitos das empresas. A maior parte dos respondentes, 28%, afirmaram se importar com a forma como as marcas tratam seus próprios empregados. Outros 20% responderam que se importam com o modo como elas tratam o meio ambiente e 18% com o apoio que elas dão às comunidades em que atuam. Ou seja, todos elementos fundamentais que precisam estar ligados aos propósitos da companhia.

Uma vez que o propósito  da empresa esteja claro, é hora de conectá-lo aos propósitos pessoais de cada indivíduo. Por meio de jornadas de aprendizado (Learning Journey, em inglês), que podem contar com  assessments, workshops e rodas de conversas , as empresas podem auxiliar os colaboradores a se conectarem ao propósito da empresa e encontrarem mais significado em suas atividades diárias.

A cultura do propósito representa uma oportunidade de trazer a capacidade das organizações em favor das vidas de milhões de trabalhadores brasileiros. Ao reconhecer a força do conceito, é possível ter as ferramentas necessárias para rever processos, direcionar auxílio, promover impacto, engajar e obter, no futuro, retorno financeiro sustentável.

*Souzanne Dupont é Chief People Officer na GhFly Network, holding que conta com as empresas GhFly e Adyante, ambas são especializadas em marketing digital.

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