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Psicoterapia dentro das empresas


Os avanços e conquistas obtidos em favor do trabalhador desde a metade do século dezoito, com a Revolução Industrial, ocorreram através de constante luta, a exemplo da jornada de horas e benefícios variados. Recentemente é percebida a necessidade de algumas alterações para o devido ajuste entre o mercado e os profissionais que dele dependem. Uma delas é a alteração do conceito de estabilidade empregatícia pelo comprometimento ao projeto.

Competências dirigidas a uma finalidade específica, e que é paga por tal execução. Maior direcionamento e resultado e menor gasto. Ou seja, o profissional recebe pelo que realiza em cada projeto.

Não obstante, enquanto se avança nesta direção, temos em mãos situações presentes e prioritárias a serem mais bem desenvolvidas, tais como a qualidade de vida e a produtividade. Ambas, se afinadas, constituem uma poderosa coluna de sustentação aos constantes abalos causados pela instabilidade de mercado. Ao separá-las, contrapondo-as, cria-se o enfraquecimento e um abismo, por vezes irreversível.

Nova call to action

Trabalhar é parte da existência humana, e como tal, refere-se ao exercício das propriedades a que fomos contemplados na criação: física, psíquica e espiritual. Laborar é, portanto, uma condição de sobrevivência, bem-estar e evolução.

A inteligência, então, precisa se dirigir à coordenação entre trabalho e qualidade de vida, integrando-os passo-a-passo, discutindo-os, ajustando-os, revisando-os permanentemente. Trabalho com prazer. Gosto pela coisa. Reduzir o pesar ocasionado pela obrigação e estimular as boas sensações referentes àquilo que se produz. É uma tarefa de todos, porém é uma decisão particular, uma atitude única, e uma execução quase solitária.

Portanto, o desafio centra-se na geração de cultura da autonomia e crescimento pessoal e profissional, através do convencimento e da persistência, baseados em idéias e pressupostos com bases na educação transformadora e não apenas nos programas unilaterais e de pouco aprofundamento, empregados ocasionalmente nos treinamentos. Cada minuto é tempo de ser educado. Chegamos à Era do Saber, e uma das regras claras é a aprendizagem.

No entanto, muitas pessoas encontram-se carregadas de problemas particulares e pouco digerem os entraves surgidos no ambiente de trabalho, causando-lhes uma repulsa em lidar com eles por desconhecerem os meios necessários e pela dor que atormenta. Elas vêem os efeitos e pouco sabem a respeito de suas causas. Questões conscientes e inconscientes estão entranhadas há tempos, dificultando a possibilidade de maior equilíbrio e leveza cotidianos. Bolas-de-neve de problemas emocionais rolam em crescente movimento na vida do trabalhador que se sente infeliz e incrédulo com a sua sorte, levando-lhe a desperdiçar as energias e a boa vontade. Produção e produtividade estão comprometidas. No poço há água, mas não há forças para alcançá-la em abundância. São apenas esgotantes escavações para se beber algumas poucas gotas. É hora de apelar por ajuda.

A psicoterapia pode colaborar neste tipo de empreendimento. Ela é entendida como a aplicação de técnicas especializadas ao tratamento de problemas psíquicos, tal como boa parte da população já faz idéia a seu respeito. Todavia, ela vai além deste conceito, e pode proporcionar a quem dela se sirva, novas possibilidades de se enxergar o mundo. Vemos as pessoas e os relacionamentos de uma maneira particular e limitada, aprendida com o que nos foi possível ao longo da vida. Contudo, podemos ir além desta visão, e perceber muito mais, se assim desejarmos. Mas precisamos de ajuda, e a psicoterapia pode ser uma porta que permite tal abertura e impulsione a novos passos.

Infelizmente a psicoterapia está distante de muitos, em razão de sua vagarosa penetração no mercado, preconceito, custo, medo etc. Destes itens, é prudente destacar o custo e o preconceito, que poderiam ser adequadamente resolvidos, caso as empresas incluíssem em seu planejamento de recursos humanos tais colaborações, mesmo com repasse de parte do pagamento ao funcionário. Mas é preciso vencer a barreira preconceituosa de que terapia não cabe dentro da empresa. Ao gestor cabe questionar a seus colaboradores o que acham sobre o assunto e avaliar as respostas.

É tempo de considerar métodos inusitados para aliá-los à qualidade de vida das pessoas e perceber resultados produtivos profissionalmente. O ser humano tem muito a oferecer e ganhar. Há circunstâncias que nos fazem romper com a tradição e certas crenças para vencer obstáculos antes intransponíveis. Reflita a respeito, teste e avalie os resultados.

Armando Correa de Siqueira Neto
É psicólogo organizacional com atividades de treinamento. Foi gerente comercial no ramo da hotelaria e de comunicação. É pesquisador da Psicologia com material publicado em livro, revistas especializadas, jornais e sites. Possui programas de Psicologia Preventiva e Educacional.

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